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Como a IA está transformando a previsão de desligamentos nas empresas

IA – A decisão de pedir demissão costuma ser resultado de um processo gradual, marcado por mudanças de comportamento, queda no engajamento, redução da produtividade e menor participação em reuniões. Esses sinais podem surgir semanas ou até meses antes do desligamento oficial e vêm sendo utilizados por empresas para tentar antecipar a saída de colaboradores.

Com o apoio da inteligência artificial (IA), plataformas de análise de pessoas passaram a cruzar milhares de informações para calcular o chamado risco de turnover, uma estimativa da probabilidade de determinado profissional pedir demissão em um período específico. A proposta é permitir que gestores adotem medidas antes que o desligamento aconteça.

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A tecnologia funciona por meio da identificação de padrões em grandes volumes de dados. Entre os indicadores analisados estão resultados de pesquisas de clima organizacional, frequência de participação em treinamentos, mudanças no desempenho, tempo desde a última promoção, histórico salarial, absenteísmo, horas extras, tempo de empresa e até informações sobre movimentações internas.

Com base na comparação desses dados com milhares de casos anteriores, a IA identifica combinações de fatores que costumam anteceder pedidos de demissão e atribui uma probabilidade de saída para cada colaborador.

Mais do que prever quem pretende deixar a empresa, o objetivo das organizações é utilizar essas informações para agir preventivamente. Ao receber um alerta indicando elevado risco de desligamento, gestores podem iniciar conversas sobre desenvolvimento profissional, revisar planos de carreira ou investigar fatores que estejam comprometendo o engajamento da equipe.

Para empresas que enfrentam alta rotatividade, essa antecipação pode reduzir custos relacionados a processos seletivos, integração de novos funcionários e perda de conhecimento interno.

Apesar das vantagens, especialistas alertam que a precisão desses modelos depende diretamente da qualidade dos dados utilizados. Uma queda de produtividade, por exemplo, nem sempre indica insatisfação, assim como profissionais altamente engajados podem decidir aceitar propostas melhores por razões pessoais.

Outro ponto de atenção é o risco de que as previsões sejam interpretadas como julgamentos. Classificar um colaborador como “alto risco de saída” pode influenciar decisões de líderes e gerar vieses na distribuição de oportunidades, promoções ou participação em projetos estratégicos.

Também há preocupação com o uso de informações relacionadas ao comportamento dos funcionários, o que exige respeito às políticas internas de privacidade e à legislação de proteção de dados.

Embora as ferramentas de análise de pessoas estejam cada vez mais sofisticadas, especialistas destacam que elas não substituem uma gestão próxima das equipes. A inteligência artificial consegue identificar padrões estatísticos, mas não explica, por si só, os motivos que levam um profissional a perder a motivação ou buscar novos desafios.

Aspectos como liderança, reconhecimento, desenvolvimento profissional, equilíbrio entre vida pessoal e trabalho e cultura organizacional continuam dependendo de diálogo, acompanhamento e gestão humana.

(Com informações de Exame)

(Foto: Reprodução/Magnific/yukiomahendra)

Julia Stoever

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Julia Stoever
Tags: sindical

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