{"id":11286,"date":"2025-08-28T10:45:56","date_gmt":"2025-08-28T13:45:56","guid":{"rendered":"https:\/\/fenati.org.br\/?p=11286"},"modified":"2025-08-28T13:42:59","modified_gmt":"2025-08-28T16:42:59","slug":"semana-4-dias-consolida-holanda-vira-exemplo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/semana-4-dias-consolida-holanda-vira-exemplo\/","title":{"rendered":"Semana de 4 dias se consolida na Holanda, que vira exemplo"},"content":{"rendered":"<p><strong>Semana de 4 dias &#8211;\u00a0<\/strong>Para os entusiastas da semana de quatro dias, dificilmente h\u00e1 um desafio da vida contempor\u00e2nea que a medida n\u00e3o possa amenizar. Burnout? Sim. Desigualdade de g\u00eanero? Sim. Desemprego? Sim. Emiss\u00f5es de carbono? Tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>J\u00e1 os cr\u00edticos veem apenas riscos: queda da produtividade, perda de competitividade, maior press\u00e3o sobre servi\u00e7os p\u00fablicos e at\u00e9 enfraquecimento da \u00e9tica do trabalho. Em vez de se apoiar apenas em proje\u00e7\u00f5es ou testes isolados em empresas, especialistas sugerem observar um caso j\u00e1 consolidado: a <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Pa%C3%ADses_Baixos\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Holanda<\/a>, que avan\u00e7ou de forma quase impercept\u00edvel nesse caminho.<\/p>\n<p>A Holanda possui a maior taxa de trabalho em tempo parcial entre os pa\u00edses da OCDE. A m\u00e9dia semanal de horas trabalhadas entre pessoas de 20 a 64 anos \u00e9 de apenas 32,1 horas semanais \u2014 a menor da Uni\u00e3o Europeia, segundo dados do Eurostat.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/fenati.org.br\/en\/vr-nao-cobre-almoco-trabalhadores-usam-salario-para-comer\/\"><strong>LEIA: VR n\u00e3o cobre almo\u00e7o e trabalhadores usam sal\u00e1rio para comer, diz pesquisa<\/strong><\/a><\/p>\n<p>Cada vez mais trabalhadores em tempo integral tamb\u00e9m optam por concentrar suas atividades em quatro dias, e n\u00e3o em cinco, afirma Bert Colijn, economista do banco holand\u00eas ING. &#8220;A semana de quatro dias se tornou muito, muito comum&#8221;, disse. &#8220;Eu trabalho cinco, e \u00e0s vezes sou questionado por isso!&#8221;<\/p>\n<h4>Como tudo come\u00e7ou<\/h4>\n<p>O movimento ganhou for\u00e7a com a entrada das mulheres no mercado de trabalho. At\u00e9 os anos 1980, predominava o modelo tradicional do homem provedor. A partir dessa d\u00e9cada, muitas mulheres passaram a ocupar vagas de meio per\u00edodo, criando o que se apelidou de sistema de &#8220;um e meio sal\u00e1rio&#8221;.<\/p>\n<p>Pol\u00edticas de impostos e benef\u00edcios refor\u00e7aram esse arranjo, que, com o tempo, se naturalizou e passou a atrair tamb\u00e9m os homens \u2014 especialmente os que tinham filhos pequenos.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia holandesa desafia os alertas de \u201csuic\u00eddio econ\u00f4mico\u201d. Apesar das jornadas reduzidas, o pa\u00eds figura entre as economias mais ricas da Uni\u00e3o Europeia em termos de PIB per capita.<\/p>\n<p>Isso se explica pela combina\u00e7\u00e3o entre alta produtividade por hora, elevada taxa de emprego e participa\u00e7\u00e3o prolongada da popula\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho. No fim de 2024, 82% da popula\u00e7\u00e3o em idade ativa estava empregada \u2014 acima de Reino Unido (75%), EUA (72%) e Fran\u00e7a (69%), segundo a OCDE.<\/p>\n<p>Na Holanda, as mulheres apresentam taxas de emprego mais altas que em pa\u00edses como os EUA, onde a m\u00e9dia de horas \u00e9 maior. Al\u00e9m disso, os holandeses costumam se aposentar mais tarde. N\u00e3o falta disposi\u00e7\u00e3o para trabalhar, mas a distribui\u00e7\u00e3o das horas ocorre de forma distinta ao longo da vida e entre diferentes grupos.<\/p>\n<p>O modelo tamb\u00e9m ajuda a enfrentar outros desafios da sociedade moderna, como por exemplo, a redu\u00e7\u00e3o generalizada de profissionais em \u00e1reas como a educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A falta de professores, por exemplo, gera hor\u00e1rios escolares inst\u00e1veis, e pais com jornadas menos extenuantes conseguem dar conta dessas quest\u00f5es. Al\u00e9m disso, se todos trabalhassem cinco dias, haveria maior demanda por creches e cuidadores de idosos, j\u00e1 que menos pessoas estariam dispon\u00edveis para cuidar de familiares, sobrecarregando ainda mais esses sistemas.<\/p>\n<h4>Crescimento x qualidade de vida<\/h4>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Colijn, o pa\u00eds talvez abra m\u00e3o de algum crescimento ao reduzir as horas trabalhadas. &#8220;Por outro lado&#8221;, pondera, &#8220;tamb\u00e9m n\u00e3o gostaria de propor uma sociedade dist\u00f3pica em que todos trabalhassem mais do que as jornadas coreanas, s\u00f3 porque isso aumenta o PIB.&#8221;<\/p>\n<p>Assim, a experi\u00eancia holandesa mostra que a semana de quatro dias est\u00e1 longe de ser um caminho para a cat\u00e1strofe econ\u00f4mica. O que se aprende com o modelo do pa\u00eds \u00e9 que o trabalho pode ser organizado e distribu\u00eddo de maneiras diferentes, cabendo \u00e0 sociedade decidir quais ganhos e perdas aceita em troca.<\/p>\n<p>E h\u00e1 um argumento al\u00e9m da economia: segundo estudos internacionais, as crian\u00e7as holandesas est\u00e3o entre as mais felizes do mundo desenvolvido.<\/p>\n<p><em><strong>(Com informa\u00e7\u00f5es de Folha de S. Paulo)<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Freepik\/wirestock)<\/strong><\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Modelo iniciado com empregos de meio per\u00edodo se consolidou como tend\u00eancia e tem inspirado outros pa\u00edses<\/p>","protected":false},"author":11,"featured_media":11287,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[13],"class_list":["post-11286","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-sindical"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11286","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11286"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11286\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11288,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11286\/revisions\/11288"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11287"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11286"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11286"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11286"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}