{"id":11516,"date":"2025-09-05T17:19:43","date_gmt":"2025-09-05T20:19:43","guid":{"rendered":"https:\/\/fenati.org.br\/?p=11516"},"modified":"2025-09-08T10:56:12","modified_gmt":"2025-09-08T13:56:12","slug":"celular-proibido-escolas-como-mudanca-afetou-alunos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/celular-proibido-escolas-como-mudanca-afetou-alunos\/","title":{"rendered":"Celular proibido nas escolas: como mudan\u00e7a afetou alunos e aprendizado"},"content":{"rendered":"<p><strong>Celular proibido &#8211;<\/strong> Com a proibi\u00e7\u00e3o do uso de celulares em escolas, estabelecida por lei federal no in\u00edcio de 2025, institui\u00e7\u00f5es de ensino de diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds precisaram repensar como ocupar o tempo livre dos estudantes. O desafio acabou estimulando solu\u00e7\u00f5es criativas e resgatando pr\u00e1ticas antigas, como jogos, rodas de conversa e leitura.<\/p>\n<p>Em <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/S%C3%A3o_Paulo\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">S\u00e3o Paulo<\/a>, col\u00e9gios reorganizaram seus p\u00e1tios com mesas de pebolim e pingue-pongue, al\u00e9m de renovar acervos de jogos de tabuleiro. As quadras esportivas passaram a funcionar em rod\u00edzio, ampliando a participa\u00e7\u00e3o de turmas diferentes.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/fenati.org.br\/en\/hackers-exploram-servidores-windows-manipular-buscas-google\/\"><strong>LEIA: Hackers exploram servidores Windows para manipular buscas no Google<\/strong><\/a><\/p>\n<p>No col\u00e9gio Equipe, a diretora Luciana Fevorini conta que foi necess\u00e1rio se preparar para o vazio deixado pela aus\u00eancia do celular. &#8220;O que funcionou melhor foi oferecer alternativas concretas para o tempo de recreio. O que menos funcionou foi simplesmente esperar que os alunos ocupassem o tempo sem media\u00e7\u00e3o ou proposta.&#8221;<\/p>\n<h4>Impacto percebido<\/h4>\n<p>Uma pesquisa interna realizada pela escola mostrou que os estudantes passaram a se concentrar mais nas aulas e a reduzir a depend\u00eancia das redes sociais. &#8220;Alguns passaram at\u00e9 a limitar voluntariamente o tempo de uso fora da escola&#8221;, relata Fevorini.<\/p>\n<p>Para ela, a experi\u00eancia trouxe uma li\u00e7\u00e3o importante: &#8220;Uma li\u00e7\u00e3o importante \u00e9 que proibir, por si s\u00f3, n\u00e3o \u00e9 suficiente. \u00c9 necess\u00e1rio oferecer alternativas de intera\u00e7\u00e3o, criar canais de di\u00e1logo com as fam\u00edlias, monitorar os efeitos e incluir a voz dos alunos na constru\u00e7\u00e3o de regras.&#8221;<\/p>\n<p>No col\u00e9gio Vital Brasil, em S\u00e3o Paulo, a mudan\u00e7a veio antes mesmo da legisla\u00e7\u00e3o: os intervalos foram estendidos em dez minutos, desde que n\u00e3o houvesse celulares em m\u00e3os. &#8220;Os alunos amaram essa troca. E esse tempo extra incentivou o brincar e a conviv\u00eancia&#8221;, afirma a diretora pedag\u00f3gica Suely Nercessian.<\/p>\n<p>Ela destaca que os pr\u00f3prios alunos inventam jogos e se relacionam mais entre diferentes s\u00e9ries.<\/p>\n<h4>Estrutura adaptada<\/h4>\n<p>Algumas escolas tamb\u00e9m fizeram ajustes f\u00edsicos. O col\u00e9gio Villare, em S\u00e3o Caetano do Sul, instalou arm\u00e1rios com trancas para guardar os aparelhos de quem n\u00e3o consegue deix\u00e1-los desligados dentro da mochila. Tamb\u00e9m delimitou uma \u00e1rea pr\u00f3xima \u00e0 entrada para o uso de celulares apenas na chegada e sa\u00edda, a fim de facilitar a comunica\u00e7\u00e3o com familiares ou motoristas de aplicativo.<\/p>\n<p>Durante os intervalos, um professor de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica prop\u00f5e atividades na quadra. O diretor Ernani de Paula, no entanto, ressalta: &#8220;O aluno deve ter liberdade de escolha, inclusive de n\u00e3o participar destas atividades, pois o descanso \u00e9 importante durante o intervalo. Cuidamos para n\u00e3o cultivar o pensamento de que o tempo todo \u00e9 preciso fazer alguma coisa.&#8221;<\/p>\n<h4>O retorno ao anal\u00f3gico<\/h4>\n<p>Na capital paulista, o col\u00e9gio Miguel de Cervantes passou a apostar em recursos tradicionais. &#8220;Temos mais cartazes espalhados, voltamos a usar quadro de avisos e rel\u00f3gios de ponteiro \u2014alguns alunos precisaram lembrar, ou aprender, como ver as horas&#8221;, conta o orientador educacional S\u00e9rgio Pfegler.<\/p>\n<p>&#8220;Tem muitas mudan\u00e7as curiosas acontecendo, ferramentas que a gente tinha deixado de usar e voltaram.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo ele, os estudantes tamb\u00e9m tiveram que lidar com a aus\u00eancia das pesquisas instant\u00e2neas no celular. Para ajudar na adapta\u00e7\u00e3o, a escola organizou assembleias nas quais os pr\u00f3prios alunos sugeriram novos jogos.<\/p>\n<h4>Quadras disputadas<\/h4>\n<p>No col\u00e9gio Pioneiro, o agendamento das quadras se tornou necess\u00e1rio devido \u00e0 alta procura. Jogos de mesa e de tabuleiro foram incorporados e conquistaram at\u00e9 os mais velhos, segundo o diretor pedag\u00f3gico Mario Fioranelli.<\/p>\n<p>Ele avalia que a mudan\u00e7a j\u00e1 trouxe reflexos positivos: &#8220;A entrega de tarefas e a participa\u00e7\u00e3o nas atividades melhoraram. A percep\u00e7\u00e3o \u00e9 de que o rendimento dos alunos est\u00e1 em ascens\u00e3o, o que dever\u00e1 refletir futuramente nos indicadores de desempenho.&#8221;<\/p>\n<h4>Resist\u00eancia inicial<\/h4>\n<p>Em Santo Andr\u00e9, o col\u00e9gio Stocco investiu em campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o para explicar os motivos da restri\u00e7\u00e3o. &#8220;Os alunos demonstraram certa resist\u00eancia, mas, aos poucos, vimos o comportamento deles se transformando&#8221;, diz Michelle Blaas, orientadora do fundamental 2 e do ensino m\u00e9dio.<\/p>\n<p>&#8220;Mais do que proibir, o foco est\u00e1 em construir uma cultura de conviv\u00eancia e bem-estar. E o barulho \u00e9 bem-vindo. Os celulares costumavam deixar estes espa\u00e7os silenciosos e os alunos, isolados como ilhas.&#8221;<\/p>\n<h4>Mais intera\u00e7\u00e3o, mais conflitos<\/h4>\n<p>O col\u00e9gio Albert Sabin, tamb\u00e9m em S\u00e3o Paulo, observou um ambiente mais agitado, com o retorno at\u00e9 dos antigos bilhetes trocados em sala de aula. &#8220;A sala de aula ficou mais ruidosa, assistimos at\u00e9 ao retorno dos antigos bilhetinhos passados entre alunos&#8221;, diz a diretora pedag\u00f3gica Giselle Magno, que incentivou campeonatos de avi\u00f5es de papel.<\/p>\n<p>Ela explica que os estudantes relatam sentir menos ansiedade quando sabem que ningu\u00e9m tem acesso ao celular. Por outro lado, o aumento da conviv\u00eancia trouxe mais conflitos, o que permitiu que os professores trabalhassem a media\u00e7\u00e3o e habilidades sociais.<\/p>\n<p>No col\u00e9gio Magno, os alunos passaram a frequentar \u00e1reas antes pouco utilizadas, exigindo a contrata\u00e7\u00e3o de novos supervisores. &#8220;O conv\u00edvio, que andava prejudicado pelas telas, veio com tudo. E, claro, temos mais conflitos, porque eles convivem mais e, consequentemente, brigam mais&#8221;, observa a diretora Claudia Tricate.<\/p>\n<h4>O papel dos livros<\/h4>\n<p>Outro reflexo foi a retomada do uso de materiais impressos. &#8220;Surpreendentemente, o pedido para n\u00e3o usar livros digitais veio dos pr\u00f3prios alunos do ensino m\u00e9dio. Eles perceberam que iriam render mais com os livros f\u00edsicos.&#8221;<\/p>\n<p>Para Claudia, apesar das cr\u00edticas iniciais e da insatisfa\u00e7\u00e3o de algumas fam\u00edlias, a experi\u00eancia demonstrou algo essencial: &#8220;Eles entenderam que ficam melhor na escola s\u00f3 com os amigos, sem celular.&#8221;<\/p>\n<p><em><strong>(Com informa\u00e7\u00f5es de Folha de S.Paulo)<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Freepik)<\/strong><\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Col\u00e9gios incentivam atividades esportivas e jogos de tabuleiro e percebem melhora no rendimento em aula<\/p>","protected":false},"author":11,"featured_media":11517,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[13],"class_list":["post-11516","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-sindical"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11516","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11516"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11516\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11519,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11516\/revisions\/11519"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11517"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11516"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11516"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11516"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}