{"id":11768,"date":"2025-09-16T10:22:51","date_gmt":"2025-09-16T13:22:51","guid":{"rendered":"https:\/\/fenati.org.br\/?p=11768"},"modified":"2025-09-16T14:02:09","modified_gmt":"2025-09-16T17:02:09","slug":"como-medir-produtividade-no-home-office","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/como-medir-produtividade-no-home-office\/","title":{"rendered":"Como medir produtividade no home office? Empresas tentam descobrir"},"content":{"rendered":"<p><strong>Home office &#8211;<\/strong> A legisla\u00e7\u00e3o permite esse tipo de monitoramento, que coleta dados como tempo de uso da m\u00e1quina, quantidade de cliques e aplicativos acessados. Entre os programas mais comuns est\u00e3o XOne, Time Doctor e Teramind.<\/p>\n<p>O <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ita%C3%BA_Unibanco\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Ita\u00fa<\/a>, em nota, afirmou que n\u00e3o se limita a medir movimentos de mouse ou teclado e que n\u00e3o faz captura de telas, \u00e1udios ou v\u00eddeos. Segundo o banco, o sistema considera \u201cindicadores robustos da atividade digital real\u201d, incluindo chamadas de v\u00eddeo, trocas de mensagens e uso do pacote Office.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/fenati.org.br\/en\/guerra-tecnologica-china-eua-nvidia-sob-acusacao\/\"><strong>LEIA: Guerra tecnol\u00f3gica entre China e EUA coloca Nvidia sob acusa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/a><\/p>\n<p>A verdade \u00e9 que avaliar a performance de trabalhadores e trabalhadoras fora do escrit\u00f3rio sem recorrer a m\u00e9tricas distorcidas segue como desafio desde a pandemia. Especialistas alertam que apoiar-se exclusivamente em softwares pode levar a diagn\u00f3sticos equivocados e at\u00e9 perda de talentos.<\/p>\n<p>O Ita\u00fa afirma que acompanhou quatro meses de registros digitais, comparando-os com jornadas e horas extras. O banco relatou que havia empregados que registravam apenas 20% de atividade digital por dia, mesmo declarando horas adicionais.<\/p>\n<p>A m\u00e9dia geral, de 75%, foi considerada aceit\u00e1vel. Alguns ex-funcion\u00e1rios, no entanto, contestam os crit\u00e9rios, alegando que cumpriam sua jornada e n\u00e3o receberam retorno pr\u00e9vio sobre falhas antes da demiss\u00e3o.<\/p>\n<h4>Entregas ou tempo de tela?<\/h4>\n<p>Para Thatiana Cappellano, consultora de trabalho e mestre em ci\u00eancias sociais, avaliar produtividade apenas pela presen\u00e7a diante do computador \u00e9 um m\u00e9todo ultrapassado.<\/p>\n<p>\u201cO essencial \u00e9 analisar o que se produz e em quanto tempo, priorizando a entrega final de projetos ou produtos, em vez de vigiar se o colaborador passa oito horas na cadeira ou mexe no mouse o tempo todo\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O professor Marcelo Graglia, da PUC-SP, refor\u00e7a que tecnologias de monitoramento podem trazer ganhos r\u00e1pidos, mas comprometem o m\u00e9dio e longo prazo. Ele lembra que efici\u00eancia n\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de efic\u00e1cia e alerta para riscos de ansiedade, burnout e perda de profissionais qualificados.<\/p>\n<p>\u201cO excesso de controle transforma o ambiente corporativo em um reality show, levando at\u00e9 os mais dedicados a simular atividades para parecer produtivos\u201d, diz Graglia.<\/p>\n<p>Ele chama esse fen\u00f4meno de \u201cneurose organizacional\u201d, em contraste com os princ\u00edpios de autonomia e confian\u00e7a defendidos por Peter Drucker, considerado o \u201cpai da gest\u00e3o moderna\u201d.<\/p>\n<h4>Um modelo que precisa de adapta\u00e7\u00e3o<\/h4>\n<p>A professora Luciana Morilas, da FEA-RP\/USP, observa que cada \u00e1rea de uma empresa exige par\u00e2metros espec\u00edficos de avalia\u00e7\u00e3o. Segundo ela, o RH muitas vezes concentra a responsabilidade por milhares de funcion\u00e1rios, o que gera respostas padronizadas e pouco adequadas a grupos distintos.<\/p>\n<p>Ela defende que gestores diretos adotem acompanhamento individualizado, com clareza nas pol\u00edticas de comunica\u00e7\u00e3o e feedbacks constantes.<\/p>\n<p>\u201cMas ser\u00e1 que esse gestor tem tempo e preparo? Muitas vezes o aspecto humano \u00e9 deixado de lado em favor do foco t\u00e9cnico\u201d, questiona.<\/p>\n<p>\u00c1reas como Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o se adaptam melhor ao remoto, enquanto setores comerciais e de marketing exigem presen\u00e7a externa. J\u00e1 Tatiana Iwai, professora do Insper, lembra que existem alternativas vi\u00e1veis, como avaliar entregas concretas e realizar check-ins peri\u00f3dicos com as equipes.<\/p>\n<h4>Repercuss\u00e3o no mercado de trabalho<\/h4>\n<p>A demiss\u00e3o em massa do Ita\u00fa pode influenciar o futuro do home office no Brasil. Estudo do Insper mostra que, no auge da pandemia, trabalhadores atuavam remotamente mais de quatro dias por semana.<\/p>\n<p>Esse \u00edndice caiu gradualmente, chegando em mar\u00e7o de 2025 a uma m\u00e9dia de 2,32 dias, com 71% dos profissionais ainda atuando de forma remota pelo menos uma vez na semana. A redu\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, varia entre setores: enquanto a tecnologia manteve forte ades\u00e3o, a ind\u00fastria retornou majoritariamente ao modelo presencial.<\/p>\n<p>\u201cQuando uma empresa desse porte toma uma decis\u00e3o t\u00e3o dr\u00e1stica, acaba servindo de muni\u00e7\u00e3o para que outras organiza\u00e7\u00f5es questionem a efic\u00e1cia do home office\u201d, avalia Tatiana Iwai.<\/p>\n<p>Ela ressalta, contudo, que pesquisas mostram que o trabalho remoto pode ser produtivo, desde que adaptado \u00e0s fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cCasos como esse podem levar empresas a adotar controles mais r\u00edgidos, sem considerar o impacto na rela\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a com os trabalhadores. \u00c9 preciso refletir se n\u00e3o existem outras formas de acompanhar entregas e coordenar equipes sem recorrer a medidas invasivas\u201d, conclui.<\/p>\n<p><em><strong>(Com informa\u00e7\u00f5es de G1)<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Freepik)<\/strong><\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Avaliar performance fora do escrit\u00f3rio sem recorrer a m\u00e9tricas distorcidas segue como desafio desde a pandemia<\/p>","protected":false},"author":11,"featured_media":11769,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[35],"tags":[13],"class_list":["post-11768","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ti","tag-sindical"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11768","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11768"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11768\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11771,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11768\/revisions\/11771"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11769"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11768"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11768"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11768"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}