{"id":12760,"date":"2025-10-21T16:42:05","date_gmt":"2025-10-21T19:42:05","guid":{"rendered":"https:\/\/fenati.org.br\/?p=12760"},"modified":"2025-10-23T09:11:13","modified_gmt":"2025-10-23T12:11:13","slug":"arroba-conheca-a-historia-pequeno-a-nos-teclados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/arroba-conheca-a-historia-pequeno-a-nos-teclados\/","title":{"rendered":"Arroba: conhe\u00e7a a hist\u00f3ria de 3 mil anos do pequeno \u2018a\u2019 nos teclados"},"content":{"rendered":"<p><strong>Arroba &#8211;<\/strong> Em portugu\u00eas, chamamos de \u201carroba\u201d. Em outros idiomas, ele pode ser o \u201ccachorrinho\u201d, o \u201ccaracol\u201d ou o \u201crabo de macaco\u201d. Mas o sinal @ surgiu muito antes da internet ou dos endere\u00e7os de e-mail se tornarem parte da rotina.<\/p>\n<p>Em 2010, a curadora de arquitetura e design Paola Antonelli, do Museu de Arte Moderna de Nova York (<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Museu_de_Arte_Moderna_(Nova_Iorque)\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">MoMA<\/a>), tomou uma decis\u00e3o ousada: incluir o s\u00edmbolo @ na cole\u00e7\u00e3o permanente do museu.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/fenati.org.br\/implante-com-chip-devolve-parte-visao-pessoas-degeneracao-retina\/\"><strong>LEIA: Implante com chip devolve parte da vis\u00e3o a pessoas com degenera\u00e7\u00e3o na retina<\/strong><\/a><\/p>\n<p>&#8220;Eu queria uma exposi\u00e7\u00e3o de objetos que demonstrasse que todos podem ter uma exposi\u00e7\u00e3o com qualidade de museu dentro da sua gaveta. Isso inclui o bloco de Post-it, M&amp;Ms, o clipe de papel, OXO Good Grips [um conjunto popular de utens\u00edlios de cozinha], objetos que s\u00e3o t\u00e3o incorporados \u00e0s nossas vidas e funcionam t\u00e3o bem que nem prestamos mais aten\u00e7\u00e3o neles\u201d, explicou.<\/p>\n<h4>Sinal onipresente<\/h4>\n<p>Basta olhar para o teclado: tirando os s\u00edmbolos monet\u00e1rios, talvez nenhum outro caractere carregue tanto peso cultural quanto o @. A arroba \u00e9 uma pe\u00e7a essencial da internet, conectando endere\u00e7os de e-mail e destacando nomes de usu\u00e1rio em plataformas digitais.<\/p>\n<p>Sinais como &amp;, #, % e * tamb\u00e9m s\u00e3o amplamente usados, mas poucos alcan\u00e7aram o status quase m\u00edtico do @. Apesar de parecer um s\u00edmbolo da era digital, sua hist\u00f3ria \u00e9 muito mais antiga. Entre suas curvas esconde-se uma trajet\u00f3ria que atravessa l\u00ednguas, fronteiras e mil\u00eanios.<\/p>\n<p>&#8220;Trata-se de uma abrevia\u00e7\u00e3o&#8221;, explica Keith Houston, autor do livro Shady Characters: The Secret History of Punctuation (\u201cCaracteres obscuros: a hist\u00f3ria secreta da pontua\u00e7\u00e3o\u201d, em tradu\u00e7\u00e3o livre). A d\u00favida \u00e9: qual o seu significado original? Uma pista leva \u00e0 cer\u00e2mica.<\/p>\n<h4>O nascimento da arroba<\/h4>\n<p>Os antigos gregos produziam vasos de argila conhecidos como \u00e2nforas \u2013 altos, com al\u00e7as laterais e gargalo estreito \u2013 usados para armazenar vinho, azeite, cereais e outros produtos. Com o tempo, se tornou tamb\u00e9m uma unidade de medida.<\/p>\n<p>&#8220;Os comerciantes precisavam comunicar frequentemente a ideia de que &#8216;vou vender a voc\u00ea uma certa quantidade de \u00e2nforas de alguma coisa a um pre\u00e7o espec\u00edfico'&#8221;, conta Houston.<\/p>\n<p>Para facilitar, come\u00e7aram a abreviar a palavra desenhando a letra \u201ca\u201d com uma cauda longa, que se enrolava em torno dela \u2013 o embri\u00e3o do s\u00edmbolo @.<\/p>\n<p>O primeiro registro conhecido do uso moderno do sinal \u00e9 de 4 de maio de 1536. Nesse dia, o comerciante Francesco Lapi escreveu de Sevilha, na Espanha, para Roma, informando que uma \u00e2nfora de vinho custava cerca de 70 ou 80 ducados. Ele usou @ para representar \u201c\u00e2nfora\u201d.<\/p>\n<p>Outros exemplos mais antigos existem \u2013 como um manuscrito b\u00falgaro de 1375, em que o s\u00edmbolo aparece apenas como enfeite da palavra \u201cam\u00e9m\u201d \u2013, mas sem fun\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica.<\/p>\n<h4>Jornada at\u00e9 a datilografia<\/h4>\n<p>Mesmo depois de as \u00e2nforas ca\u00edrem em desuso, o sinal @ permaneceu nas anota\u00e7\u00f5es de contadores e comerciantes, indicando pre\u00e7os e quantidades.<\/p>\n<p>&#8220;Isso ocorreu gra\u00e7as \u00e0s m\u00e1quinas de escrever, que se difundiram primeiramente nos Estados Unidos, no s\u00e9culo 19&#8221;, explica o professor de tipografia Gerry Leonidas, da Universidade de Reading, no Reino Unido.<\/p>\n<p>O crescimento dos cat\u00e1logos de compras por correspond\u00eancia gerou uma imensa necessidade de organiza\u00e7\u00e3o administrativa \u2013 e de datil\u00f3grafos profissionais.<\/p>\n<p>&#8220;A m\u00e1quina de escrever \u00e9 essencialmente uma forma de minimizar os riscos ocasionados pela m\u00e1 caligrafia das pessoas, aumentando a efici\u00eancia e a previsibilidade da administra\u00e7\u00e3o dos escrit\u00f3rios&#8221;, diz Leonidas.<\/p>\n<p>Embora caras e limitadas (algumas nem inclu\u00edam os n\u00fameros \u201c1\u201d e \u201c0\u201d), as m\u00e1quinas j\u00e1 traziam o s\u00edmbolo @ no final do s\u00e9culo 19, um vest\u00edgio de seu uso cont\u00e1bil.<\/p>\n<p>&#8220;Como as m\u00e1quinas de escrever est\u00e3o relacionadas aos processos comerciais e cont\u00e1beis, @ sobreviveu ao longo de diferentes gera\u00e7\u00f5es de m\u00e1quinas de escrever, exatamente porque desempenha esse papel fundamental&#8221;, explica o professor.<\/p>\n<h4>Reinven\u00e7\u00e3o digital<\/h4>\n<p>Com a chegada dos computadores, o s\u00edmbolo foi mantido nos teclados, mas pouco utilizado, at\u00e9 que o engenheiro Ray Tomlinson (1941\u20132016) mudou tudo. Trabalhando na Arpanet, projeto precursor da internet, Tomlinson buscava uma maneira de permitir a troca de mensagens entre usu\u00e1rios.<\/p>\n<p>Ao escrever o c\u00f3digo, percebeu que precisava de um marcador para indicar o local de cada pessoa dentro da rede. E l\u00e1 estava o @, pronto para cumprir o papel. Assim, em 1971, ele enviou o primeiro e-mail da hist\u00f3ria \u2014 e o s\u00edmbolo passou a representar a pr\u00f3pria comunica\u00e7\u00e3o digital.<\/p>\n<p>Com a expans\u00e3o da internet, o @ ganhou o mundo \u2014 e novos apelidos. Na It\u00e1lia, \u00e9 chiocciola (\u201ccaracol\u201d); em hebraico, strudel; no tcheco, zavin\u00e1\u010d, um tipo de arenque enrolado; na R\u00fassia, sobaka, \u201ccachorro\u201d. Em holand\u00eas, \u00e9 apenstaartje, \u201crabo de macaco\u201d.<\/p>\n<p>O belga Nick Fransen, consultor de gest\u00e3o, lembra que ainda usa o nome tradicional. &#8220;Mas, alguns dias atr\u00e1s, eu conversava com uma pessoa idosa que n\u00e3o falava muitos termos em ingl\u00eas e voltei a chamar @ de apenstaartje, sem nem mesmo pensar a respeito&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Em ingl\u00eas, o s\u00edmbolo \u00e9 chamado simplesmente at (\u201cem\u201d), embora \u00e0s vezes seja referido como \u201cem comercial\u201d. Em portugu\u00eas e espanhol, \u201carroba\u201d designava originalmente uma unidade de medida \u2014 e no Brasil equivale a 15 kg.<\/p>\n<p>Hoje, por\u00e9m, o sinal \u00e9 tamb\u00e9m usado para expressar g\u00eanero neutro em palavras como amig@s, tornando-se s\u00edmbolo de inclus\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;O motivo de @ n\u00e3o ter um nome especial em ingl\u00eas \u00e9 porque a sua defini\u00e7\u00e3o inicial \u00e9 muito clara e facilmente transmitida&#8221;, explica Leonidas. &#8220;Mas, \u00e0 medida que as pessoas come\u00e7am a adaptar esses s\u00edmbolos para seus idiomas locais, eles precisam de uma forma de se lembrar dele.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo o professor, a forma do s\u00edmbolo, e o modo como ele obriga o uso de letras min\u00fasculas e sem espa\u00e7os, influencia at\u00e9 nossa identidade online.<\/p>\n<p>&#8220;Precisamos inventar uma \u00fanica palavra exclusiva para n\u00f3s mesmos. Isso nos for\u00e7a a pensar como devemos apresentar nossa identidade&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Pesquisas mostram que escolher um nome de usu\u00e1rio pode ser uma experi\u00eancia emocional: n\u00e3o basta ser \u00fanico, ele precisa \u201csoar certo\u201d e representar quem somos. Assim, @ tornou-se insepar\u00e1vel da nossa identidade digital \u2013 um pequeno elo entre o real e o virtual.<\/p>\n<p><em><strong>(Com informa\u00e7\u00f5es de g1)<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Freepik\/EyeEm)<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da cer\u00e2mica grega \u00e0s mensagens eletr\u00f4nicas, o sinal que se tornou \u00edcone da comunica\u00e7\u00e3o moderna sobreviveu a mil\u00eanios de transforma\u00e7\u00f5es<\/p>","protected":false},"author":11,"featured_media":12761,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[13],"class_list":["post-12760","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-sindical"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12760","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12760"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12760\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12762,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12760\/revisions\/12762"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12761"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12760"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12760"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12760"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}