{"id":14070,"date":"2025-12-16T13:57:37","date_gmt":"2025-12-16T16:57:37","guid":{"rendered":"https:\/\/fenati.org.br\/?p=14070"},"modified":"2025-12-16T15:17:13","modified_gmt":"2025-12-16T18:17:13","slug":"com-caracteristicas-3i-atlas-natureza-novamente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/com-caracteristicas-3i-atlas-natureza-novamente\/","title":{"rendered":"Com caracter\u00edsticas \u00fanicas, 3I\/ATLAS tem natureza questionada novamente"},"content":{"rendered":"<p><strong>3I\/ATLAS\u00a0 &#8211;<\/strong> Um novo estudo sobre o <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/3I\/ATLAS\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">3I\/ATLAS<\/a>, o terceiro objeto interestelar j\u00e1 detectado cruzando o Sistema Solar, levantou novamente a discuss\u00e3o sobre sua verdadeira natureza. Apesar de oficialmente classificado como cometa, an\u00e1lises recentes de imagens indicam comportamentos pouco comuns para esse tipo de corpo, levantando a hip\u00f3tese de que ele poderia se aproximar mais de um asteroide, ou ao menos desafiar as categorias tradicionais.<\/p>\n<p>O 3I\/ATLAS \u00e9 considerado um visitante interestelar por ter se formado fora do Sistema Solar e sido lan\u00e7ado ao espa\u00e7o at\u00e9 interceptar a trajet\u00f3ria do Sol. Justamente por sua raridade, cada nova observa\u00e7\u00e3o desperta intenso interesse cient\u00edfico e abre espa\u00e7o para debates sobre sua composi\u00e7\u00e3o e origem.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/fenati.org.br\/en\/eua-lancam-programa-recrutar-projetos-de-ia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>LEIA: EUA lan\u00e7am programa para recrutar mil engenheiros para projetos de IA<\/strong><\/a><\/p>\n<p>As imagens examinadas no estudo mostram jatos de material sendo expelidos a partir de pontos espec\u00edficos da superf\u00edcie. Esse padr\u00e3o levou alguns pesquisadores a sugerirem a presen\u00e7a de \u201cvulc\u00f5es de gelo\u201d, um processo conhecido como criovulcanismo, no qual gases e materiais congelados escapam do interior do objeto.<\/p>\n<p>Embora jatos e explos\u00f5es n\u00e3o sejam in\u00e9ditos entre cometas do Sistema Solar, como no caso do 12P\/Pons\u2013Brooks, apelidado de \u201cCometa do Diabo\u201d, observado em 2024, a atividade do 3I\/ATLAS chama aten\u00e7\u00e3o por ocorrer em um objeto interestelar, cuja composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica parece apresentar propor\u00e7\u00f5es fora do padr\u00e3o conhecido.<\/p>\n<p><strong>Cometa ou asteroide?<\/strong><\/p>\n<p>Apesar das especula\u00e7\u00f5es, o estudo n\u00e3o prop\u00f5e oficialmente uma mudan\u00e7a de classifica\u00e7\u00e3o. Segundo o astr\u00f4nomo amador Crist\u00f3v\u00e3o Jacques, fundador do Observat\u00f3rio SONEAR, em Oliveira (MG), ainda n\u00e3o h\u00e1 conclus\u00f5es definitivas. \u201cN\u00e3o d\u00e1 para dizer que j\u00e1 temos uma conclus\u00e3o. V\u00e1rios estudos est\u00e3o sendo feitos e publicados aos poucos, e ainda n\u00e3o existe uma resposta definitiva sobre a composi\u00e7\u00e3o desse objeto\u201d, afirmou em entrevista ao Olhar Digital News nesta segunda-feira (15).<\/p>\n<p>Integrante da Rede Brasileira de Observa\u00e7\u00e3o de Meteoros (Bramon), do Centro de Estudos Astron\u00f4micos de Minas Gerais (CEAMIG) e da Rede de Astronomia Observacional (REA), Jacques refor\u00e7a que o 3I\/ATLAS continua sendo classificado como cometa, j\u00e1 que apresenta coma e cauda, a nuvem de g\u00e1s e poeira ao redor do n\u00facleo e o rastro luminoso formado quando o objeto se aproxima do Sol.<\/p>\n<p>\u201cO que sabemos at\u00e9 agora \u00e9 que ele tem uma composi\u00e7\u00e3o interessante e diferente dos cometas do nosso Sistema Solar, o que j\u00e1 era esperado por ser um objeto de outro sistema planet\u00e1rio\u201d, explica. \u201cMas isso n\u00e3o significa que ele deixe de ser um cometa.\u201d<\/p>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o com outros visitantes interestelares ajuda a contextualizar o debate. O 1I\/\u2018Oumuamua, descoberto em 2017, foi classificado como asteroide por n\u00e3o apresentar coma nem cauda. J\u00e1 o 2I\/Borisov, identificado em 2019, era claramente um cometa. O 3I\/ATLAS se encaixa nessa segunda categoria, ainda que apresente caracter\u00edsticas at\u00edpicas, como a possibilidade de ser um cometa rico em metais e a presen\u00e7a de criovulcanismo.<\/p>\n<p>\u201cMuita coisa foi dita sobre poss\u00edveis anomalias, mas, na pr\u00e1tica, ele n\u00e3o apresenta nada fora do esperado a ponto de justificar uma nova classifica\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Jacques. Para o astr\u00f4nomo, o excesso de especula\u00e7\u00f5es acabou recebendo mais destaque do que os dados permitem concluir neste momento. Ele pondera que o entendimento cient\u00edfico pode evoluir para subdivis\u00f5es dentro da classe dos cometas, como j\u00e1 ocorreu em outras \u00e1reas da astronomia.<\/p>\n<p>Jacques lembra que mudan\u00e7as de classifica\u00e7\u00e3o j\u00e1 aconteceram antes, como no caso de Plut\u00e3o, considerado planeta por cerca de 70 anos at\u00e9 a cria\u00e7\u00e3o da categoria de planeta an\u00e3o, e de Ceres, que passou de planeta a asteroide. No entanto, no caso dos objetos interestelares, o grande desafio \u00e9 o n\u00famero extremamente limitado de exemplos observados. \u201cEstamos observando esse tipo de objeto apenas pela terceira vez. \u00c9 muito pouco para tirar conclus\u00f5es mais amplas\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>Para ele, a \u201cdescoberta dos sonhos\u201d seria identificar a estrela ou o sistema planet\u00e1rio de origem do 3I\/ATLAS. \u201cIsso permitiria entender melhor o ambiente em que ele se formou e comparar com o que observamos hoje\u201d, diz. Ainda assim, o pr\u00f3prio astr\u00f4nomo reconhece que determinar essa origem com exatid\u00e3o \u00e9 algo extremamente dif\u00edcil, talvez imposs\u00edvel.<\/p>\n<p><strong>Novas observa\u00e7\u00f5es no horizonte<\/strong><\/p>\n<p>A expectativa \u00e9 que esse cen\u00e1rio mude com o in\u00edcio das opera\u00e7\u00f5es do telesc\u00f3pio Vera C. Rubin, no Chile. A previs\u00e3o \u00e9 de que ao menos um objeto interestelar seja descoberto por ano, ampliando significativamente a amostra dispon\u00edvel para estudo.<\/p>\n<p>A aproxima\u00e7\u00e3o do 3I\/ATLAS com a Terra tamb\u00e9m alimentou especula\u00e7\u00f5es exageradas. No ponto mais pr\u00f3ximo, ele estar\u00e1 a cerca de 270 milh\u00f5es de quil\u00f4metros do planeta, quase o dobro da dist\u00e2ncia entre a Terra e o Sol. Segundo Jacques, essa proximidade n\u00e3o altera de forma significativa o conhecimento cient\u00edfico sobre o objeto. \u201cEla facilita as observa\u00e7\u00f5es com telesc\u00f3pios, mas n\u00e3o representa um salto extraordin\u00e1rio no volume de informa\u00e7\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p>O astr\u00f4nomo tamb\u00e9m descarta boatos sobre mudan\u00e7as de rota ou movimentos incomuns. \u201cO 3I\/ATLAS segue exatamente a \u00f3rbita prevista, sem qualquer movimento an\u00f4malo detectado at\u00e9 agora.\u201d<\/p>\n<p>Com uma \u00f3rbita hiperb\u00f3lica, o visitante interestelar atravessar\u00e1 o Sistema Solar apenas uma vez. Ap\u00f3s uma aproxima\u00e7\u00e3o de J\u00fapiter no pr\u00f3ximo ano, ele seguir\u00e1 novamente para o espa\u00e7o interestelar, sem chance de retorno. \u201cO 3I\/ATLAS continuar\u00e1 sua jornada por bilh\u00f5es de anos, at\u00e9, eventualmente, passar pr\u00f3ximo de outra estrela\u201d, conclui Jacques.<\/p>\n<p><em><strong>(Com informa\u00e7\u00f5es de Olhar Digital)<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Freepik\/EyeEm)<\/strong><\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagens revelam atividade incomum e poss\u00edvel criovulcanismo, mas objeto segue classificado como cometa<\/p>","protected":false},"author":10,"featured_media":14071,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[35],"tags":[13],"class_list":["post-14070","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ti","tag-sindical"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14070","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/10"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14070"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14070\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14072,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14070\/revisions\/14072"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14071"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14070"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14070"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14070"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}