{"id":14354,"date":"2026-01-09T16:51:07","date_gmt":"2026-01-09T19:51:07","guid":{"rendered":"https:\/\/fenati.org.br\/?p=14354"},"modified":"2026-01-12T10:08:19","modified_gmt":"2026-01-12T13:08:19","slug":"astronomos-destruicao-super-sol-buraco-negro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/astronomos-destruicao-super-sol-buraco-negro\/","title":{"rendered":"Astr\u00f4nomos observam explos\u00e3o recorde em destrui\u00e7\u00e3o de \u201csuper Sol\u201d por buraco negro"},"content":{"rendered":"<p><strong>Buraco negro &#8211;<\/strong> Astr\u00f4nomos registraram um dos epis\u00f3dios mais violentos j\u00e1 vistos no Universo: um <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Buraco_negro\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">buraco negro<\/a> destruiu uma estrela maior que o Sol e transformou esse processo em uma explos\u00e3o de luz e energia sem precedentes. Batizado de Whippet e catalogado como AT2024wpp, o evento foi t\u00e3o intenso que superou o brilho das supernovas mais poderosas conhecidas.<\/p>\n<p>Durante um curto intervalo, a energia liberada atingiu cerca de 400 bilh\u00f5es de vezes a luminosidade do Sol. O Whippet integra a categoria dos Transientes \u00d3pticos Azuis R\u00e1pidos e Luminosos (LFBOTs, na sigla em ingl\u00eas), fen\u00f4menos raros que surgem de forma abrupta, brilham intensamente e desaparecem antes que a maioria dos telesc\u00f3pios consiga reagir. Desta vez, por\u00e9m, os cientistas tiveram a chance de acompanhar o processo quase em tempo real, abrindo uma oportunidade in\u00e9dita para estudar a f\u00edsica extrema dos buracos negros.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/fenati.org.br\/en\/lego-aposta-pecinha-para-vida-construcoes-fisicas\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>LEIA: Lego aposta em pecinha eletr\u00f4nica para dar vida \u00e0s constru\u00e7\u00f5es f\u00edsicas<\/strong><\/a><\/p>\n<p>O epis\u00f3dio teve in\u00edcio quando um buraco negro de grandes propor\u00e7\u00f5es capturou uma estrela massiva. Ao se aproximar demais, a estrela foi dilacerada pela for\u00e7a gravitacional e seus restos formaram um disco de detritos em rota\u00e7\u00e3o ao redor do buraco negro, que passou a se alimentar desse material. Segundo o astrof\u00edsico Daniel Perley, autor principal do estudo que ser\u00e1 publicado na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, trata-se de um evento excepcional.<\/p>\n<p>\u201cDescobrimos o que acreditamos ser um buraco negro se fundindo a uma estrela companheira massiva, triturando-a num disco que alimenta o buraco negro. \u00c9 um fen\u00f4meno raro e impressionante\u201d, afirmou em comunicado da Liverpool John Moores University.<\/p>\n<p>A primeira evid\u00eancia do Whippet surgiu quando a astr\u00f4noma Anna Ho detectou um brilho incomum com o Zwicky Transient Facility, sistema projetado para identificar explos\u00f5es r\u00e1pidas no c\u00e9u. A intensidade e a velocidade do sinal indicaram desde o in\u00edcio que n\u00e3o se tratava de uma explos\u00e3o estelar comum.<\/p>\n<p>Em seguida, observa\u00e7\u00f5es feitas com o Telesc\u00f3pio Liverpool e com o sat\u00e9lite Swift, da NASA, confirmaram duas caracter\u00edsticas marcantes: o objeto apresentava colora\u00e7\u00e3o extremamente azul, sinal de temperaturas alt\u00edssimas, e emitia raios X intensos, ind\u00edcios claros de mat\u00e9ria sendo engolida por um buraco negro.<\/p>\n<p>Medi\u00e7\u00f5es de dist\u00e2ncia realizadas por equipes da Caltech e da UCLA ajudaram a consolidar o diagn\u00f3stico. Mesmo ocorrido a milh\u00f5es de anos-luz da Terra, o Whippet liberou mais energia do que qualquer supernova t\u00edpica j\u00e1 registrada. As temperaturas extremas observadas refor\u00e7aram a conclus\u00e3o de que algo mais violento do que explos\u00f5es estelares conhecidas estava em a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que o disco de mat\u00e9ria girava e ca\u00eda em dire\u00e7\u00e3o ao buraco negro, o processo gerou um vento poderoso de g\u00e1s lan\u00e7ado a altas velocidades. Esse vento colidiu com material que a pr\u00f3pria estrela havia expelido antes de ser destru\u00edda, produzindo um brilho intenso nos primeiros dias do evento.<\/p>\n<p>O choque foi t\u00e3o forte que criou uma onda que se propagou pelo espa\u00e7o a cerca de um quinto da velocidade da luz, avan\u00e7ando por meses at\u00e9 desaparecer subitamente ao atingir o limite de uma bolha de g\u00e1s ao redor do sistema, cerca de meio ano ap\u00f3s o in\u00edcio da explos\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro ponto que intrigou os cientistas surgiu mais tarde, quando o brilho j\u00e1 diminu\u00eda. No primeiro m\u00eas, n\u00e3o havia assinaturas qu\u00edmicas evidentes, mas, com o tempo, apareceram sinais fracos de hidrog\u00eanio e h\u00e9lio, algo inesperado para um evento desse tipo em est\u00e1gio t\u00e3o avan\u00e7ado.<\/p>\n<p>O h\u00e9lio, em especial, foi detectado se movendo a mais de seis mil quil\u00f4metros por segundo, sugerindo que uma estrutura densa do n\u00facleo da estrela pode ter sobrevivido parcialmente \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o e sido lan\u00e7ada em nossa dire\u00e7\u00e3o. H\u00e1 ainda a hip\u00f3tese, mais especulativa, de que esse material tenha vindo de um terceiro objeto no sistema, afetado pela radia\u00e7\u00e3o e pelo vento produzidos pelo buraco negro.<\/p>\n<p>Independentemente da explica\u00e7\u00e3o final, o Whippet j\u00e1 se consolidou como um marco para a astronomia. Eventos desse tipo oferecem uma nova maneira de mapear a presen\u00e7a de buracos negros, entender como eles crescem e como interagem com estrelas massivas. Mais do que uma explos\u00e3o rara, o Whippet se tornou um verdadeiro laborat\u00f3rio natural para estudar os limites mais extremos do Universo.<\/p>\n<p><em><strong>(Com informa\u00e7\u00e3o de Olhar Digital)<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Freepik\/Zeynep)<\/strong><\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fen\u00f4meno observado quase em tempo real mostrou buraco negro liberando energia que superou brilho das mais poderosas supernovas conhecidas<\/p>","protected":false},"author":10,"featured_media":14355,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[13],"class_list":["post-14354","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-sindical"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14354","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/10"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14354"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14354\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14357,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14354\/revisions\/14357"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14355"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14354"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14354"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14354"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}