{"id":14372,"date":"2026-01-12T10:48:24","date_gmt":"2026-01-12T13:48:24","guid":{"rendered":"https:\/\/fenati.org.br\/?p=14372"},"modified":"2026-01-12T16:47:25","modified_gmt":"2026-01-12T19:47:25","slug":"curitibana-plataforma-historico-de-violencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/curitibana-plataforma-historico-de-violencia\/","title":{"rendered":"Curitibana desenvolve plataforma que ajuda mulheres a checar hist\u00f3rico de viol\u00eancia de parceiros"},"content":{"rendered":"<p><strong>Hist\u00f3rico de viol\u00eancia &#8211;<\/strong> A cria\u00e7\u00e3o da plataforma Plinq surgiu a partir de um caso que chamou a aten\u00e7\u00e3o da curitibana Sabrine Matos, de 29 anos, para os riscos enfrentados por mulheres que desconhecem o hist\u00f3rico de viol\u00eancia de seus parceiros. A ferramenta foi pensada para permitir a verifica\u00e7\u00e3o de antecedentes criminais e registros judiciais de homens com quem as usu\u00e1rias pretendem se relacionar.<\/p>\n<p>A inspira\u00e7\u00e3o veio do assassinato da jornalista Vanessa Ricarte, de Mato Grosso do Sul, morta pelo ex-noivo em fevereiro de 2025. Conforme as investiga\u00e7\u00f5es, durante o relacionamento, Vanessa n\u00e3o tinha conhecimento de ao menos 14 processos de viol\u00eancia dom\u00e9stica que corriam contra ele.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/fenati.org.br\/norma-eleva-gestor-seguranca-funcao-estrategica\/\"><strong>LEIA: Nova norma eleva gestor de seguran\u00e7a da informa\u00e7\u00e3o a fun\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica e limita ac\u00famulo com TI<\/strong><\/a><\/p>\n<p>&#8220;Eu fiquei com aquilo na cabe\u00e7a. Pensei em quantas mulheres j\u00e1 viveram ou vivem algo parecido simplesmente por n\u00e3o terem acesso f\u00e1cil \u00e0 informa\u00e7\u00e3o\u201d, diz Sabrine.<\/p>\n<h4>Como funciona a plataforma<\/h4>\n<p>Lan\u00e7ada em maio deste ano, a Plinq ultrapassou a marca de 15 mil usu\u00e1rias em menos de dois meses. O servi\u00e7o custa R$ 97 por ano e foi desenhado para oferecer, de forma simples e r\u00e1pida, dados sobre processos criminais, mandados de pris\u00e3o e outros registros que possam indicar risco em um relacionamento.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de apresentar as informa\u00e7\u00f5es, a plataforma atua como uma esp\u00e9cie de tradutora do conte\u00fado jur\u00eddico, explicando o significado de cada processo. O sistema tamb\u00e9m utiliza alertas visuais por cores para facilitar a identifica\u00e7\u00e3o de poss\u00edveis amea\u00e7as.<\/p>\n<p>Quando a an\u00e1lise aponta uma situa\u00e7\u00e3o classificada como red flag (bandeira vermelha), a usu\u00e1ria recebe a seguinte orienta\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>&#8220;Com base na an\u00e1lise dos processo judiciais relacionados a [nome do homem], tivemos acesso a m\u00faltiplas informa\u00e7\u00f5es que indiciam a exist\u00eancia de processos em segredo de justi\u00e7a. Essas circunst\u00e2ncias dificultam determinar se ele \u00e9 v\u00edtima, acusado, advogado ou outra parte envolvida, o que torna essencial uma conversa franca e uma avalia\u00e7\u00e3o cuidadosa antes de qualquer encontro. Recomendo, com toda aten\u00e7\u00e3o, que prossiga com cautela e busque conhecer melhor a pessoa, sempre priorizando a sua seguran\u00e7a.&#8221;<\/p>\n<p>J\u00e1 nos casos categorizados como green flag (bandeira verde), a ferramenta tamb\u00e9m faz um alerta:<\/p>\n<p>&#8220;A aus\u00eancia de registros p\u00fablicos n\u00e3o garante que a pessoa n\u00e3o tenha passado por situa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o estejam registradas [&#8230;] Uma conversa franca pode ajudar a criar um ambiente de confian\u00e7a e seguran\u00e7a para ambos&#8221;.<\/p>\n<p>O projeto foi desenvolvido por Sabrine em parceria com os s\u00f3cios Felipe Bahia e Micael Marques. A base tecnol\u00f3gica da plataforma utiliza uma ferramenta sueca de intelig\u00eancia artificial capaz de criar sites e aplicativos a partir de descri\u00e7\u00f5es em linguagem natural, dispensando conhecimentos avan\u00e7ados de programa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Trabalhando com marketing digital, Sabrine conta que a ideia inicialmente n\u00e3o tinha foco comercial. No entanto, a r\u00e1pida ades\u00e3o transformou a iniciativa em um neg\u00f3cio, que j\u00e1 faturou mais de R$ 250 mil e projeta alcan\u00e7ar tr\u00eas milh\u00f5es de usu\u00e1rias.<\/p>\n<p>Segundo ela, o empurr\u00e3o decisivo veio de uma conversa com a m\u00e3e.<\/p>\n<p>&#8220;Minha m\u00e3e virou pra mim e falou assim: &#8216;voc\u00ea trabalha com tecnologia, fica no computador o dia todo, ser\u00e1 que n\u00e3o tem nada que d\u00ea pra fazer pra deixar essa informa\u00e7\u00e3o mais acess\u00edvel?&#8221;<\/p>\n<h4>Uso vai al\u00e9m de relacionamentos amorosos<\/h4>\n<p>A engenheira Greisa Mesquita est\u00e1 entre as primeiras usu\u00e1rias da plataforma. Segundo ela, a inten\u00e7\u00e3o inicial era pesquisar o hist\u00f3rico de homens conhecidos por aplicativos de relacionamento, mas o uso acabou se ampliando para outras situa\u00e7\u00f5es do cotidiano.<\/p>\n<p>\u201cUma vez fui olhar o nome de um motorista de carona e descobri processos por agress\u00e3o. Cancelei na hora. Hoje n\u00e3o encontro ningu\u00e9m sem verificar antes. \u00c9 um filtro. A gente n\u00e3o pode impedir que algu\u00e9m seja violento, mas pode evitar se colocar em risco&#8221;, afirma.<\/p>\n<h4>Dados p\u00fablicos e privacidade<\/h4>\n<p>De acordo com Sabrine, a Plinq utiliza exclusivamente bases de dados p\u00fablicas, como tribunais e di\u00e1rios oficiais, o que garante conformidade com a Lei Geral de Prote\u00e7\u00e3o de Dados (LGPD). O objetivo, segundo ela, \u00e9 organizar informa\u00e7\u00f5es que j\u00e1 existem, mas que est\u00e3o espalhadas e de dif\u00edcil acesso.<\/p>\n<p>A plataforma permite pesquisas ilimitadas, sem divulga\u00e7\u00e3o p\u00fablica dos nomes das usu\u00e1rias ou das pessoas consultadas. Tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 detalhamento do conte\u00fado dos processos, apenas informa\u00e7\u00f5es gerais sobre o tipo de ocorr\u00eancia e o motivo da a\u00e7\u00e3o judicial.<\/p>\n<p>Para a advogada Alessandra Abra\u00e3o, especialista em direito das mulheres, iniciativas que ampliam o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o t\u00eam papel relevante no enfrentamento da viol\u00eancia dom\u00e9stica.<\/p>\n<p>Ela ressalta que dados p\u00fablicos podem funcionar como instrumento de prote\u00e7\u00e3o, especialmente em um pa\u00eds onde o feminic\u00eddio \u00e9 recorrente. Ao mesmo tempo, alerta para a necessidade de uso respons\u00e1vel das informa\u00e7\u00f5es, evitando julgamentos precipitados ou exposi\u00e7\u00f5es indevidas.<\/p>\n<p>Nesse contexto, tramita na Assembleia Legislativa do Paran\u00e1 (Alep) um projeto que prop\u00f5e a cria\u00e7\u00e3o do Cadastro Estadual de Condenados por Viol\u00eancia Dom\u00e9stica e Familiar contra Mulheres. A proposta, de autoria do deputado Tito Barrichelo (Uni\u00e3o), prev\u00ea um banco de dados para consulta por mulheres. Atualmente, o texto est\u00e1 na Comiss\u00e3o de Constitui\u00e7\u00e3o e Justi\u00e7a (CCJ), sem data definida para vota\u00e7\u00e3o em plen\u00e1rio.<\/p>\n<p>Alessandra tamb\u00e9m cita iniciativa semelhante no \u00e2mbito do Conselho Nacional do Minist\u00e9rio P\u00fablico (CNMP), que instituiu o Cadastro Nacional de Casos de Viol\u00eancia Dom\u00e9stica e Familiar contra a Mulher. O acesso \u00e9 restrito a membros e servidores do MP, servindo de base para pol\u00edticas p\u00fablicas e a\u00e7\u00f5es preventivas.<\/p>\n<p>No Paran\u00e1, entre janeiro e agosto de 2025, foram registrados 158.839 casos de viol\u00eancia contra a mulher, conforme dados da Secretaria da Seguran\u00e7a P\u00fablica (SESP). Desse total, 48.110 ocorr\u00eancias correspondem a registros de viol\u00eancia dom\u00e9stica no per\u00edodo.<\/p>\n<p><em><strong>(Com informa\u00e7\u00f5es de Converg\u00eancia Digital)<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Freepik\/shurkin_son)<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Plataforma Plinq organiza informa\u00e7\u00f5es judiciais dispersas e j\u00e1 soma milhares de usu\u00e1rias em poucos meses<\/p>","protected":false},"author":11,"featured_media":14373,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[35],"tags":[13],"class_list":["post-14372","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ti","tag-sindical"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14372","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14372"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14372\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14375,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14372\/revisions\/14375"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14373"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14372"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14372"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14372"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}