{"id":15038,"date":"2026-02-02T17:50:42","date_gmt":"2026-02-02T20:50:42","guid":{"rendered":"https:\/\/fenati.org.br\/?p=15038"},"modified":"2026-02-03T10:28:51","modified_gmt":"2026-02-03T13:28:51","slug":"inteligencia-artificial-revive-dilemas-seculo-passado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/inteligencia-artificial-revive-dilemas-seculo-passado\/","title":{"rendered":"Intelig\u00eancia artificial revive dilemas previstos no s\u00e9culo passado"},"content":{"rendered":"<p><strong>Intelig\u00eancia artificial &#8211;<\/strong> Recorrer a sistemas de<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Intelig%C3%AAncia_artificial\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\"> intelig\u00eancia artificial<\/a> para buscar apoio emocional, aconselhamento ou at\u00e9 companhia pode parecer um fen\u00f4meno t\u00edpico do s\u00e9culo 21. No entanto, esse tipo de rela\u00e7\u00e3o entre humanos e m\u00e1quinas j\u00e1 era debatido h\u00e1 mais de 70 anos, desde os primeiros passos da intelig\u00eancia artificial.<\/p>\n<p>Desde a d\u00e9cada de 1950, a trajet\u00f3ria da IA tem sido marcada por dilemas recorrentes: o receio de que m\u00e1quinas substituam pessoas, a tend\u00eancia de humanizar tecnologias, o apego emocional que usu\u00e1rios desenvolvem por sistemas artificiais e ciclos de promessas ambiciosas que nem sempre se concretizam. O que muda no cen\u00e1rio atual, segundo pesquisadores, \u00e9 a escala dos investimentos financeiros e o espa\u00e7o que essas tecnologias passaram a ocupar junto a governos e grandes empresas.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/fenati.org.br\/en\/senac-selecao-estagiarios-foc-ti-ia-ciberseguranca\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>LEIA: Senac abre sele\u00e7\u00e3o de estagi\u00e1rios com foco em TI, IA e ciberseguran\u00e7a<\/strong><\/a><\/p>\n<p>O pesquisador Bernardo Gon\u00e7alves, do Laborat\u00f3rio Nacional de Computa\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica (LNCC), destaca que, apesar das diferen\u00e7as de contexto, as quest\u00f5es centrais permanecem as mesmas. Para ele, os debates que cercam a intelig\u00eancia artificial hoje s\u00e3o ecos diretos das discuss\u00f5es travadas no surgimento do campo.<\/p>\n<p>Um dos primeiros exemplos desse fen\u00f4meno ocorreu ainda nos anos 1960, com a cria\u00e7\u00e3o do programa Eliza, considerado o primeiro chatbot amplamente conhecido. Desenvolvido por Joseph Weizenbaum, do MIT, o sistema simulava conversas por meio de regras pr\u00e9-definidas, sem compreender de fato o conte\u00fado das mensagens. Mesmo assim, o programa despertou forte envolvimento emocional em usu\u00e1rios, a ponto de algumas pessoas acreditarem que ele poderia exercer fun\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas reais.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio criador da tecnologia se mostrou surpreso com esse tipo de rea\u00e7\u00e3o e passou a alertar para os limites \u00e9ticos e humanos da intelig\u00eancia artificial. Para Weizenbaum, certos tipos de pensamento e decis\u00e3o deveriam permanecer sob responsabilidade exclusiva dos seres humanos.<\/p>\n<p>A tend\u00eancia de atribuir caracter\u00edsticas humanas \u00e0s m\u00e1quinas tamb\u00e9m j\u00e1 estava presente nos prim\u00f3rdios da computa\u00e7\u00e3o. Em 1950, o cientista brit\u00e2nico Alan Turing levantou a pergunta que atravessaria d\u00e9cadas: as m\u00e1quinas podem pensar? O debate provocou cr\u00edticas teol\u00f3gicas e filos\u00f3ficas, especialmente sobre consci\u00eancia, criatividade e emo\u00e7\u00e3o \u2013 temas que continuam centrais nas discuss\u00f5es atuais sobre IA.<\/p>\n<p>Com o tempo, pesquisadores buscaram evitar defini\u00e7\u00f5es que confundissem m\u00e1quinas com mentes humanas. Um marco nesse esfor\u00e7o foi a confer\u00eancia realizada em 1956 no Dartmouth College, quando o termo \u201cintelig\u00eancia artificial\u201d passou a ser usado para descrever sistemas que se comportam de forma considerada inteligente, sem necessariamente reproduzir o funcionamento da mente humana.<\/p>\n<p>Ainda assim, a linguagem antropom\u00f3rfica permaneceu presente. Segundo an\u00e1lises recentes, o uso de termos como \u201caprendizado\u201d, \u201cleitura\u201d e \u201ccria\u00e7\u00e3o\u201d para descrever softwares contribui para a percep\u00e7\u00e3o exagerada das capacidades reais dessas tecnologias e levanta questionamentos sobre responsabilidade e poder no uso da IA.<\/p>\n<p>Outro debate hist\u00f3rico que segue atual diz respeito ao papel das m\u00e1quinas: ajudar humanos ou substitu\u00ed-los. Enquanto Turing projetava um futuro em que interagir com m\u00e1quinas seria t\u00e3o natural quanto conversar com pessoas, outros cientistas da \u00e9poca defendiam uma abordagem mais cautelosa. Para eles, o uso excessivo de met\u00e1foras humanas poderia obscurecer o verdadeiro objetivo da computa\u00e7\u00e3o, que seria ampliar a capacidade humana de racioc\u00ednio, n\u00e3o elimin\u00e1-la.<\/p>\n<p>Essas disputas, segundo Gon\u00e7alves, est\u00e3o diretamente ligadas ao poder e \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es sociais provocadas pela tecnologia. A hist\u00f3ria da computa\u00e7\u00e3o mostra que a automa\u00e7\u00e3o sempre teve impacto direto no mercado de trabalho. Um exemplo simb\u00f3lico \u00e9 o pr\u00f3prio termo \u201ccomputador\u201d, que antes designava pessoas respons\u00e1veis por c\u00e1lculos complexos \u2013 fun\u00e7\u00e3o que desapareceu com a evolu\u00e7\u00e3o das m\u00e1quinas.<\/p>\n<p>O ciclo de promessas e frustra\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m acompanha a intelig\u00eancia artificial desde suas origens. Nos anos 1970, cr\u00edticas sobre expectativas irreais levaram ao chamado \u201cinverno da IA\u201d, quando investimentos e interesse no campo diminu\u00edram. Hoje, segundo o pesquisador, esse movimento volta a se repetir, impulsionado por grandes empresas de tecnologia e or\u00e7amentos bilion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Apesar da polariza\u00e7\u00e3o entre vis\u00f5es excessivamente otimistas e profundamente c\u00e9ticas, Gon\u00e7alves avalia que a \u00e1rea segue avan\u00e7ando. Desde o surgimento de sistemas mais recentes, os progressos s\u00e3o vis\u00edveis, especialmente na automa\u00e7\u00e3o de atividades intelectuais e de escrit\u00f3rio, \u00e1reas que haviam sido menos impactadas pelas revolu\u00e7\u00f5es industriais anteriores.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria da intelig\u00eancia artificial, portanto, revela que muitos dos debates atuais n\u00e3o s\u00e3o novos, mas parte de um longo processo de adapta\u00e7\u00e3o social, econ\u00f4mica e pol\u00edtica \u00e0s tecnologias que moldam a rela\u00e7\u00e3o entre humanos e m\u00e1quinas.<\/p>\n<p><em><strong>(Com informa\u00e7\u00f5es de g1)<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Freepik)<\/strong><\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rela\u00e7\u00e3o entre humanos e m\u00e1quinas j\u00e1 era debatida h\u00e1 mais de 70 anos, desde primeiros passos de tecnologias precursoras da IA<\/p>","protected":false},"author":6,"featured_media":15039,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[35],"tags":[13],"class_list":["post-15038","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ti","tag-sindical"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15038","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15038"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15038\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15040,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15038\/revisions\/15040"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15039"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15038"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15038"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15038"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}