{"id":15387,"date":"2026-02-13T10:20:27","date_gmt":"2026-02-13T13:20:27","guid":{"rendered":"https:\/\/fenati.org.br\/?p=15387"},"modified":"2026-02-13T12:10:29","modified_gmt":"2026-02-13T15:10:29","slug":"brasileiro-pesquisa-ia-transtornos-mentais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/brasileiro-pesquisa-ia-transtornos-mentais\/","title":{"rendered":"Brasileiro \u00e9 premiado por pesquisa que usa IA para diagnosticar transtornos mentais"},"content":{"rendered":"<p><strong>Transtornos mentais &#8211;<\/strong> M\u00e9todos baseados em intelig\u00eancia artificial (<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Intelig%C3%AAncia_artificial\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">IA<\/a>) v\u00eam se mostrando confi\u00e1veis no apoio ao diagn\u00f3stico de transtornos mentais. Essa \u00e9 uma das conclus\u00f5es de pesquisas conduzidas pelo brasileiro Francisco Rodrigues, pesquisador da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n<p>Em experimentos realizados em laborat\u00f3rio, imagens de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica foram empregadas na gera\u00e7\u00e3o de dados usados para treinar um algoritmo capaz de identificar a condi\u00e7\u00e3o mental de pacientes com taxa de acerto superior a 90%. Os resultados foram divulgados em peri\u00f3dicos cient\u00edficos de destaque, como Nature e PLOS One.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/fenati.org.br\/com-re-pouso-mar-foguete-da-china-disputa-spacex\/\"><strong>LEIA: Com r\u00e9 e pouso no mar, novo teste de foguete da China acirra disputa com a SpaceX<\/strong><\/a><\/p>\n<p>&#8220;Conseguimos identificar quais regi\u00f5es foram alteradas em uma pessoa com epilepsia, autismo ou esquizofrenia, por exemplo, e entender quais altera\u00e7\u00f5es est\u00e3o relacionadas com aquele transtorno&#8221;, explica Rodrigues.<\/p>\n<p>A t\u00e9cnica ainda se encontra em fase inicial de desenvolvimento, mas poder\u00e1 futuramente auxiliar psic\u00f3logos e psiquiatras no diagn\u00f3stico automatizado dessas condi\u00e7\u00f5es. O potencial \u00e9 especialmente relevante em casos de sintomas semelhantes, que costumam gerar d\u00favidas cl\u00ednicas, ou mesmo em est\u00e1gios iniciais das doen\u00e7as.<\/p>\n<p>&#8220;Hoje com o procedimento tradicional, o psiquiatra n\u00e3o vai conseguir identificar se voc\u00ea vai desenvolver esquizofrenia daqui a dez anos, esse \u00e9 o ponto&#8221;.<\/p>\n<p>De acordo com o Censo de 2022, ao menos 2,4 milh\u00f5es de brasileiros foram diagnosticados com transtorno do espectro autista (TEA). Al\u00e9m disso, 1,6 milh\u00e3o de pessoas entre 15 e 44 anos convivem com esquizofrenia, enquanto outros 1,7 milh\u00e3o, acima dos 60 anos, apresentam algum tipo de dem\u00eancia, como Alzheimer ou Parkinson.<\/p>\n<p>Atualmente, o diagn\u00f3stico dessas condi\u00e7\u00f5es depende da an\u00e1lise do hist\u00f3rico cl\u00ednico feita por psic\u00f3logos e psiquiatras, al\u00e9m da aplica\u00e7\u00e3o de testes espec\u00edficos. &#8220;N\u00e3o h\u00e1 um marcador para os transtornos mentais, assim como h\u00e1 para o diabetes, por exemplo&#8221;, diz Rodrigues. &#8220;A ideia \u00e9 de que no futuro, um escaneamento do c\u00e9rebro seja capaz de dizer se a pessoa tem depress\u00e3o, ou outra quest\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<h4>Coleta de dados \u00e9 desafio<\/h4>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, as an\u00e1lises realizadas no laborat\u00f3rio se baseiam em imagens obtidas por exames de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica e eletroencefalograma (EEG), que permitem mapear o c\u00e9rebro e sua atividade el\u00e9trica em indiv\u00edduos saud\u00e1veis e em pacientes com algum tipo de transtorno. &#8220;Tiramos v\u00e1rias dessas medidas e inserimos em um sistema de aprendizagem de m\u00e1quina&#8221;.<\/p>\n<p>A obten\u00e7\u00e3o desses dados, no entanto, representa um obst\u00e1culo importante para a pesquisa. Os exames de EEG podem apresentar imprecis\u00f5es, enquanto as resson\u00e2ncias magn\u00e9ticas s\u00e3o de dif\u00edcil realiza\u00e7\u00e3o, sobretudo em determinados grupos de pacientes. &#8220;Como colocar uma pessoa com esquizofrenia ou que tenha d\u00e9ficit de aten\u00e7\u00e3o mais de 40 minutos parada dentro de uma m\u00e1quina?&#8221;<\/p>\n<p>Em raz\u00e3o dessas limita\u00e7\u00f5es, at\u00e9 agora os estudos envolveram apenas algumas dezenas de participantes. Para ampliar a base de dados, o pesquisador utilizou informa\u00e7\u00f5es coletadas a partir de exames de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica realizados nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>&#8220;Um dos grandes problemas que temos \u00e9 o n\u00famero limitado de participantes. Para que os m\u00e9todos sejam mais precisos, a m\u00e1quina precisa de dados, e quanto mais tem, mais aprende&#8221;, afirma Rodrigues.<\/p>\n<h4>Colabora\u00e7\u00e3o Brasil-Alemanha<\/h4>\n<p>\u00c9 justamente em busca de novos dados, inclusive aqueles obtidos por meio de t\u00e9cnicas com minic\u00e9rebros, que o pesquisador seguir\u00e1 para a Alemanha. Em janeiro deste ano, Rodrigues esteve entre os 20 cientistas contemplados com o pr\u00eamio Friedrich Wilhelm Bessel, concedido pela funda\u00e7\u00e3o alem\u00e3 Alexander von Humboldt. A premia\u00e7\u00e3o oferece 60 mil euros \u2013 cerca de R$ 370 mil \u2013 a pesquisadores estrangeiros cujas produ\u00e7\u00f5es cient\u00edficas tiveram impacto relevante em suas \u00e1reas.<\/p>\n<p>&#8220;Essa colabora\u00e7\u00e3o com a Alemanha \u00e9 extremamente importante. J\u00e1 temos bastante experi\u00eancia com a parte te\u00f3rica de aprendizagem de m\u00e1quina e modelos de sistemas complexos, trabalho com isso desde o meu doutorado em 2007. S\u00f3 que na Alemanha eles conseguem coletar os dados&#8221;, conta.<\/p>\n<p>Os minic\u00e9rebros s\u00e3o produzidos a partir da extra\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas do c\u00f3rtex cerebral de embri\u00f5es de animais. Essas c\u00e9lulas s\u00e3o isoladas e cultivadas em placas, onde se desenvolvem. Um chip registra a atividade neuronal e os sinais el\u00e9tricos trocados entre os neur\u00f4nios, formando a base de dados utilizada nos estudos.<\/p>\n<p>A expectativa \u00e9 empregar essas informa\u00e7\u00f5es para testar como diferentes interven\u00e7\u00f5es, como medicamentos, modificam a din\u00e2mica das redes neurais simuladas. Ainda assim, os organoides n\u00e3o reproduzem toda a complexidade do c\u00e9rebro humano e funcionam como modelos experimentais.<\/p>\n<p>Formado em F\u00edsica pela USP, Rodrigues iniciou sua rela\u00e7\u00e3o acad\u00eamica com a Alemanha em 2006, quando atuou como aluno visitante do Instituto Max Planck durante o doutorado.<\/p>\n<p>Em 2011, passou a colaborar com a professora Cristiane Thielemann, da Universidade de Ci\u00eancias Aplicadas de Aschaffenburg, em pesquisas envolvendo minic\u00e9rebros. Foi ela quem o indicou ao pr\u00eamio Friedrich Wilhelm Bessel.<\/p>\n<p>At\u00e9 o fim de 2026, o pesquisador seguir\u00e1 para Frankfurt, onde dar\u00e1 continuidade aos estudos por um ano. Nesse per\u00edodo, tamb\u00e9m ministrar\u00e1 dois cursos ligados \u00e0 sua \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o \u2013 sistemas complexos e aprendizagem de m\u00e1quina \u2013 na Funda\u00e7\u00e3o Humboldt.<\/p>\n<p>Ao retornar ao Brasil, a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 dar prosseguimento \u00e0s pesquisas. No entanto, um m\u00e9todo amplo de previs\u00e3o e diagn\u00f3stico de transtornos mentais ainda deve levar cerca de dez anos para se tornar dispon\u00edvel.<\/p>\n<p>&#8220;J\u00e1 sabemos que funciona, mas o protocolo de coleta de dados ainda \u00e9 muito restrito, tem que passar por um processo de implementa\u00e7\u00e3o da Anvisa [Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria] e isso demora&#8221;.<\/p>\n<p><em><strong>(Com informa\u00e7\u00f5es de g1)<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Freepik\/DC Studio)<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trabalho combina resson\u00e2ncia magn\u00e9tica, minic\u00e9rebros e intelig\u00eancia artificial para apoiar diagn\u00f3sticos psiqui\u00e1tricos<\/p>","protected":false},"author":11,"featured_media":15389,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[35],"tags":[13],"class_list":["post-15387","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ti","tag-sindical"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15387","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15387"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15387\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15390,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15387\/revisions\/15390"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15389"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15387"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15387"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15387"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}