{"id":15711,"date":"2026-02-26T10:58:22","date_gmt":"2026-02-26T13:58:22","guid":{"rendered":"https:\/\/fenati.org.br\/?p=15711"},"modified":"2026-02-26T13:25:30","modified_gmt":"2026-02-26T16:25:30","slug":"selic-15-renda-prejudica-economia-real-economista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/selic-15-renda-prejudica-economia-real-economista\/","title":{"rendered":"Selic a 15% favorece renda financeira e prejudica economia real, diz economista"},"content":{"rendered":"<p><strong>Economia real &#8211;<\/strong> A <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Taxa_Selic\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">taxa b\u00e1sica de juros (Selic)<\/a> brasileira em 15% ao ano favorece a renda financeira improdutiva e passiva em detrimento da produ\u00e7\u00e3o e do emprego. \u00c9 o que explica o economista Ladislau Dowbor, professor titular da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da PUC-SP e ex-consultor de ag\u00eancias da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas, em uma entrevista sobre os rumos da economia brasileira e os efeitos da pol\u00edtica de juros altos no mundo do trabalho.<\/p>\n<p>Autor de mais de 45 livros \u2014 entre eles Os Desafios da Revolu\u00e7\u00e3o Digital e Resgatar a Fun\u00e7\u00e3o Social da Economia, premiados pelo Conselho Federal de Economia \u2014 Dowbor argumenta que a combina\u00e7\u00e3o entre juros elevados, concentra\u00e7\u00e3o de renda e baixa progressividade tribut\u00e1ria ajuda a explicar tanto a estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica quanto as dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/fenati.org.br\/en\/plataforma-de-ia-disputar-eleicoes-colombia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>LEIA: Plataforma de IA \u00e9 autorizada a disputar elei\u00e7\u00f5es na Col\u00f4mbia<\/strong><\/a><\/p>\n<p><strong>Juros altos e concentra\u00e7\u00e3o de renda<\/strong><\/p>\n<p>Segundo o economista, o Brasil produz riqueza suficiente para garantir um padr\u00e3o de vida mais equilibrado. Ele cita que o PIB de R$ 12,3 trilh\u00f5es, dividido pela popula\u00e7\u00e3o, resultaria em cerca de R$ 20 mil mensais por fam\u00edlia de quatro pessoas. O problema, afirma, est\u00e1 na concentra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Dowbor exemplifica que um detentor de R$ 1 bilh\u00e3o aplicado em t\u00edtulos p\u00fablicos atrelados \u00e0 Selic de 15% pode obter mais de R$ 400 mil por dia \u201csem produzir nada\u201d. Para ele, essa l\u00f3gica cria um ciclo no qual \u201cquanto mais rico, mais dinheiro aplicado, maior o enriquecimento\u201d, enquanto a maioria da popula\u00e7\u00e3o enfrenta dificuldades para fechar o m\u00eas.<\/p>\n<p>\u201cO problema deles n\u00e3o \u00e9 \u2018o que que eu fa\u00e7o com o meu dinheiro?\u2019. O que ganham nem d\u00e1 para fechar o m\u00eas\u201d, resume.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do professor, quando grandes fortunas optam por aplica\u00e7\u00f5es financeiras em vez de investimentos produtivos, a economia perde dinamismo, reduz a gera\u00e7\u00e3o de empregos e enfraquece o poder de compra das fam\u00edlias \u2014 o que impacta diretamente trabalhadores formais e informais.<\/p>\n<p><strong>Cr\u00e9dito caro e impacto no emprego<\/strong><\/p>\n<p>Dowbor tamb\u00e9m destaca o custo do cr\u00e9dito. Ele compara os juros cobrados no Brasil \u2014 25% ao ano para empresas e at\u00e9 58% para fam\u00edlias \u2014 com taxas significativamente menores em pa\u00edses como China e na\u00e7\u00f5es europeias.<\/p>\n<p>Com cr\u00e9dito elevado, afirma, o empres\u00e1rio que pretende ampliar um neg\u00f3cio enfrenta maior risco de endividamento. Ao mesmo tempo, a aplica\u00e7\u00e3o em t\u00edtulos p\u00fablicos oferece retorno elevado e seguro.<\/p>\n<blockquote><p><strong>\u201cGanha-se muito mais dinheiro atrav\u00e9s de processos financeiros do que produtivos\u201d, diz.<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Papel do Estado e pol\u00edticas p\u00fablicas<\/strong><\/p>\n<p>Cr\u00edtico do atual arcabou\u00e7o fiscal, Dowbor defende que investimentos p\u00fablicos em sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e infraestrutura n\u00e3o devem ser tratados apenas como gasto, mas como parte do \u201csal\u00e1rio indireto\u201d das fam\u00edlias.<\/p>\n<blockquote><p><strong>\u201c\u00c9 bem-estar econ\u00f4mico constru\u00eddo atrav\u00e9s de pol\u00edticas p\u00fablicas, que envolvem tanto pol\u00edticas sociais quanto infraestrutura. A melhora da situa\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias libera dinheiro para a outra parte do bem-estar econ\u00f4mico: fazer compras, pagar servi\u00e7os, aluguel etc.\u201d, afirma.<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Para ele, quando o Estado investe em pol\u00edticas sociais, amplia a renda dispon\u00edvel das fam\u00edlias, fortalece o consumo e estimula a atividade econ\u00f4mica \u2014 criando um ciclo que beneficia empresas e trabalhadores.<\/p>\n<p>O economista cita estudos realizados no \u00e2mbito da ONU indicando que cada R$ 1 investido em saneamento pode gerar economia de R$ 4 em sa\u00fade. Na sua leitura, esse efeito multiplicador contribui para o desenvolvimento e para a gera\u00e7\u00e3o de empregos.<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m defende pol\u00edticas de inclus\u00e3o produtiva, como transfer\u00eancias de renda, argumentando que esses recursos retornam \u00e0 economia via consumo e arrecada\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>Tributa\u00e7\u00e3o e desigualdade<\/strong><\/p>\n<p>Outro ponto central \u00e9 o modelo tribut\u00e1rio brasileiro. Dowbor critica o peso elevado dos impostos sobre o consumo, que recai proporcionalmente mais sobre a base da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote><p><strong>\u201cQuase tudo da renda dos 80% da base da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 voltado para o consumo, s\u00e3o essas pessoas que pagam imposto. Quanto ao rico, quantas bistecas ele consegue comer por dia, quantas camas ele precisa para dormir? Ele atende todas as suas necessidades e ainda conta com 90% da renda dispon\u00edvel. Entende? O impacto relativo do imposto sobre o consumo \u00e9 essencialmente sobre a massa da popula\u00e7\u00e3o\u201d, afirma.<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Ele lembra que, desde 1995, lucros e dividendos s\u00e3o isentos de imposto de renda no pa\u00eds, o que, segundo ele, amplia a desigualdade tribut\u00e1ria. Para o economista, uma revis\u00e3o desse modelo poderia ampliar a capacidade de investimento p\u00fablico sem penalizar trabalhadores.<\/p>\n<p><strong>\u201cDreno financeiro\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Dowbor utiliza a express\u00e3o \u201cdreno financeiro\u201d para descrever o conjunto de fatores que, em sua vis\u00e3o, retiram recursos da economia produtiva. Ele estima que pagamentos de juros da d\u00edvida p\u00fablica, endividamento das fam\u00edlias, juros empresariais elevados, evas\u00e3o fiscal e ren\u00fancias fiscais somariam cerca de 30% do PIB.<\/p>\n<p>Na sua avalia\u00e7\u00e3o, parte desses recursos poderia ser direcionada a infraestrutura, educa\u00e7\u00e3o e pol\u00edticas industriais, com potencial de gera\u00e7\u00e3o de emprego e fortalecimento do mercado interno.<br \/>\nA falta de investimento consistente em educa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m aparece como entrave estrutural. Dowbor aponta que 21% dos brasileiros possuem ensino superior, frente a 62% no Canad\u00e1. Para ele, esse desequil\u00edbrio limita a produtividade e restringe oportunidades de trabalho qualificado.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um desequil\u00edbrio estrutural que demanda d\u00e9cadas, gera\u00e7\u00f5es para ser corrigido\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Ao comparar modelos internacionais, como o chin\u00eas, Dowbor destaca o papel do Estado como indutor de investimentos produtivos. Ele diferencia investimento produtivo de aplica\u00e7\u00e3o financeira especulativa e defende maior alinhamento entre pol\u00edticas p\u00fablicas, gera\u00e7\u00e3o de emprego e desenvolvimento social.<\/p>\n<p><em><strong>(Com informa\u00e7\u00f5es de Folha de S. Paulo)<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Freepik\/gustavomellossa)<\/strong><\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ladislau Dowbor avalia que juros elevados favorecem aplica\u00e7\u00f5es em t\u00edtulos p\u00fablicos e enfraquecem investimento produtivo e gera\u00e7\u00e3o de empregos<\/p>","protected":false},"author":6,"featured_media":15712,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[13],"class_list":["post-15711","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-sindical"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15711","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15711"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15711\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":15713,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15711\/revisions\/15713"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15712"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15711"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15711"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15711"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}