{"id":16148,"date":"2026-03-10T09:30:23","date_gmt":"2026-03-10T12:30:23","guid":{"rendered":"https:\/\/fenati.org.br\/?p=16148"},"modified":"2026-03-10T10:55:59","modified_gmt":"2026-03-10T13:55:59","slug":"data-centers-de-ia-consumir-agua-quanto-nova-york","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/data-centers-de-ia-consumir-agua-quanto-nova-york\/","title":{"rendered":"Data centers de IA dos EUA podem consumir tanta \u00e1gua quanto Nova York"},"content":{"rendered":"<p><strong>Data centers de IA &#8211;<\/strong> A expans\u00e3o global da intelig\u00eancia artificial depende de uma infraestrutura gigantesca para processar e armazenar volumes massivos de dados. No centro dessa estrutura est\u00e3o os <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Centro_de_processamento_de_dados\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">data centers<\/a> \u2013 grandes complexos repletos de servidores que funcionam continuamente para treinar algoritmos e operar sistemas de IA.<\/p>\n<p>Contudo, al\u00e9m do alto consumo de energia, essas instala\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m requerem outro recurso essencial: \u00e1gua. Um novo estudo aponta que essa demanda pode crescer a ponto de se tornar um desafio relevante para a evolu\u00e7\u00e3o da tecnologia.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/fenati.org.br\/en\/ia-comeca-escrever-dna-inedito-e-avanca-na-biologia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>LEIA: IA come\u00e7a a escrever DNA in\u00e9dito e avan\u00e7a na biologia sint\u00e9tica<\/strong><\/a><\/p>\n<p><strong>Por que data centers consomem tanta \u00e1gua?<\/strong><\/p>\n<p>Os data centers operam ininterruptamente e concentram milhares de servidores, al\u00e9m de equipamentos de rede e armazenamento de dados. Todo esse conjunto de m\u00e1quinas gera grande quantidade de calor durante o funcionamento.<\/p>\n<p>Para evitar falhas e manter a opera\u00e7\u00e3o segura, \u00e9 necess\u00e1rio manter os equipamentos resfriados de forma constante. Entre as solu\u00e7\u00f5es mais utilizadas est\u00e1 o resfriamento l\u00edquido, que utiliza \u00e1gua para dissipar o calor produzido pelos servidores.<\/p>\n<p>Embora muitas empresas afirmem adotar sistemas de circuito fechado \u2013 nos quais parte significativa da \u00e1gua \u00e9 reutilizada \u2013 o consumo ainda pode ser elevado. Isso ocorre porque diversos centros utilizam torres de resfriamento evaporativo, onde uma fra\u00e7\u00e3o da \u00e1gua evapora para ajudar na dissipa\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica.<\/p>\n<p>Em per\u00edodos de calor intenso, como durante ondas de calor no ver\u00e3o, a demanda pode aumentar consideravelmente.<\/p>\n<p>De acordo com o estudo, um grande data center moderno pode necessitar de mais de 1 milh\u00e3o de gal\u00f5es de \u00e1gua por dia em momentos de maior uso. Em alguns projetos previstos, essa necessidade pode alcan\u00e7ar at\u00e9 8 milh\u00f5es de gal\u00f5es diariamente.<\/p>\n<p><strong>A expans\u00e3o da IA est\u00e1 ampliando o problema<\/strong><\/p>\n<p>A pesquisa foi conduzida por Shaolei Ren, professor associado de engenharia el\u00e9trica e computa\u00e7\u00e3o da University of California, Riverside. Os resultados foram divulgados na plataforma cient\u00edfica arXiv e ainda n\u00e3o passaram pelo processo de revis\u00e3o por pares.<\/p>\n<p>Para calcular o impacto da expans\u00e3o da intelig\u00eancia artificial, os pesquisadores analisaram dados p\u00fablicos, incluindo registros governamentais e informa\u00e7\u00f5es de sistemas de abastecimento de \u00e1gua.<\/p>\n<p>O resultado chama aten\u00e7\u00e3o: caso o atual padr\u00e3o de consumo se mantenha, os data centers dos Estados Unidos poder\u00e3o demandar entre 697 milh\u00f5es e 1,45 bilh\u00e3o de gal\u00f5es adicionais de \u00e1gua por dia at\u00e9 2030. Esse volume \u00e9 compar\u00e1vel ao abastecimento di\u00e1rio da cidade de Nova Iorque.<\/p>\n<p><strong>Um gargalo invis\u00edvel para o setor de tecnologia<\/strong><\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m alerta que a capacidade das redes p\u00fablicas de abastecimento pode se tornar um obst\u00e1culo significativo para o avan\u00e7o da ind\u00fastria de intelig\u00eancia artificial.<\/p>\n<p>Sistemas de distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua s\u00e3o planejados para suportar picos de consumo com seguran\u00e7a. Por isso, o consumo m\u00e1ximo em determinados per\u00edodos \u2014 e n\u00e3o apenas a m\u00e9dia anual \u2014 \u00e9 um elemento fundamental no planejamento da infraestrutura.<\/p>\n<p>Apesar disso, muitas empresas do setor tecnol\u00f3gico divulgam somente o consumo anual total de \u00e1gua, sem apresentar dados sobre os picos di\u00e1rios. Caso novos data centers sejam instalados sem a amplia\u00e7\u00e3o da infraestrutura h\u00eddrica, podem surgir diversos impactos:<\/p>\n<p>\u2022 aumento de custos para comunidades locais<br \/>\n\u2022 atrasos na implementa\u00e7\u00e3o de novos data centers<br \/>\n\u2022 queda na efici\u00eancia operacional<br \/>\n\u2022 maior press\u00e3o sobre os sistemas de energia<\/p>\n<p>Quando o fornecimento de \u00e1gua \u00e9 insuficiente, alguns centros precisam recorrer ao resfriamento por ar, uma alternativa menos eficiente e que eleva o gasto energ\u00e9tico.<\/p>\n<p><strong>Quem paga pela infraestrutura?<\/strong><\/p>\n<p>Outro aspecto sens\u00edvel abordado no estudo diz respeito ao financiamento das obras necess\u00e1rias para ampliar os sistemas de abastecimento. Segundo os pesquisadores, a constru\u00e7\u00e3o da infraestrutura capaz de atender \u00e0 demanda crescente dos data centers pode custar entre 10 bilh\u00f5es e 58 bilh\u00f5es de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>Em diversas situa\u00e7\u00f5es, parte desses custos acaba recaindo sobre as comunidades locais. Para evitar esse cen\u00e1rio, os autores defendem a cria\u00e7\u00e3o de parcerias entre empresas de tecnologia e governos municipais para custear melhorias nos sistemas h\u00eddricos.<\/p>\n<p>Segundo Ren, o setor privado precisa participar desse esfor\u00e7o. \u201cN\u00e3o vejo como as comunidades conseguiriam pagar por esse tipo de expans\u00e3o sozinhas. Precisamos de financiamento e apoio das empresas.\u201d<\/p>\n<p><strong>Um desafio crescente para a era da IA<\/strong><\/p>\n<p>Com a r\u00e1pida multiplica\u00e7\u00e3o de data centers nos Estados Unidos e em outras regi\u00f5es do mundo, a disponibilidade de \u00e1gua pode se tornar uma quest\u00e3o t\u00e3o estrat\u00e9gica quanto o consumo de energia.<\/p>\n<p>A intelig\u00eancia artificial promete transformar diversos setores da economia, mas tamb\u00e9m depende de uma infraestrutura f\u00edsica massiva para funcionar. Caso n\u00e3o haja mudan\u00e7as no modelo atual, o avan\u00e7o da IA poder\u00e1 esbarrar em um limite inesperado: a disponibilidade de \u00e1gua.<\/p>\n<p>E os impactos dessa press\u00e3o sobre os recursos h\u00eddricos n\u00e3o afetar\u00e3o apenas as empresas de tecnologia, mas tamb\u00e9m as comunidades onde esses centros de dados est\u00e3o sendo instalados.<\/p>\n<p><em><strong>(Com informa\u00e7\u00f5es de Gizmodo)<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Benzoix)<\/strong><\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa aponta que expans\u00e3o dos data centers de IA pode exigir, at\u00e9 2030, capacidade extra de \u00e1gua compar\u00e1vel ao consumo di\u00e1rio de Nova York<\/p>","protected":false},"author":6,"featured_media":16149,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[13],"class_list":["post-16148","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-sindical"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16148","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16148"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16148\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16150,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16148\/revisions\/16150"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16149"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16148"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16148"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16148"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}