{"id":16229,"date":"2026-03-11T13:05:20","date_gmt":"2026-03-11T16:05:20","guid":{"rendered":"https:\/\/fenati.org.br\/?p=16229"},"modified":"2026-03-11T16:38:56","modified_gmt":"2026-03-11T19:38:56","slug":"trend-violencia-mulheres-redes-misoginia-online","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/trend-violencia-mulheres-redes-misoginia-online\/","title":{"rendered":"&#8216;Trend\u2019 de viol\u00eancia contra as mulheres nas redes exp\u00f5e crescimento da misoginia online"},"content":{"rendered":"<p><strong>Misoginia online &#8211;<\/strong> A Pol\u00edcia Federal (PF) instaurou um inqu\u00e9rito para investigar a propaga\u00e7\u00e3o da trend &#8220;Caso ela diga n\u00e3o&#8221; nas redes sociais, conte\u00fado que incita diretamente a viol\u00eancia contra o p\u00fablico feminino. Os v\u00eddeos, que viralizaram na plataforma <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/TikTok\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">TikTok<\/a>, apresentam jovens ensinando formas de reagir a rejei\u00e7\u00f5es amorosas ou pedidos de namoro negados atrav\u00e9s de agress\u00f5es f\u00edsicas, utilizando manequins para simular socos e chutes em mulheres. Segundo a corpora\u00e7\u00e3o, a remo\u00e7\u00e3o dos v\u00eddeos j\u00e1 foi solicitada, enquanto o TikTok reiterou que tais publica\u00e7\u00f5es violam suas diretrizes e s\u00e3o removidas assim que identificadas.<\/p>\n<p>O surgimento dessas publica\u00e7\u00f5es ocorre em um momento de forte como\u00e7\u00e3o nacional devido \u00e0 den\u00fancia de um estupro coletivo contra uma adolescente de 17 anos no Rio de Janeiro. O crime, ocorrido em um apartamento em Copacabana e classificado pela pol\u00edcia como uma &#8220;emboscada planejada&#8221;, teria sido articulado pelo ex-namorado da v\u00edtima.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/fenati.org.br\/en\/malware-ferramentas-gratuitas-dados-navegadores\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>LEIA: Malware distribu\u00eddo via ferramentas gratuitas falsas rouba dados de navegadores<\/strong><\/a><\/p>\n<p>Imagens divulgadas pelo programa Fant\u00e1stico, da TV Globo, registraram os cinco suspeitos debochando da situa\u00e7\u00e3o e comemorando o ato no elevador do pr\u00e9dio. Um dos investigados, Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos, apresentou-se \u00e0 pol\u00edcia vestindo uma camisa com a frase &#8220;regret nothing&#8221; (&#8220;n\u00e3o me arrependo de nada&#8221;), express\u00e3o popular em grupos digitais que propagam a misoginia e a subjulga\u00e7\u00e3o das mulheres.<\/p>\n<p><strong>Misoginia cresce entre jovens<\/strong><\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio de viol\u00eancia encontra eco em dados estat\u00edsticos recentes. Um estudo global conduzido pela Ipsos e pelo King&#8217;s College de Londres, abrangendo 23 mil pessoas em 29 pa\u00edses, revelou que os homens da Gera\u00e7\u00e3o Z (nascidos entre 1996 e 2012) s\u00e3o mais propensos a sustentar vis\u00f5es conservadoras do que os baby boomers (nascidos entre 1945 e 1965). A pesquisa indica que 31% dos homens jovens acreditam que &#8220;a esposa deve sempre obedecer a seu marido&#8221;, em contraste com apenas 13% dos homens com 60 anos ou mais que compartilham dessa vis\u00e3o.<\/p>\n<p>A professora Heejung Chung, do Instituto Global para a Lideran\u00e7a das Mulheres do King&#8217;s College, afirma que as redes sociais desempenham um &#8220;enorme papel&#8221; nessa mudan\u00e7a de mentalidade. Segundo a pesquisadora, influenciadores e pol\u00edticos exploram o sentimento de enfraquecimento das gera\u00e7\u00f5es mais jovens para sugerir que os homens precisam reafirmar sua domin\u00e2ncia como provedores e protetores.<\/p>\n<p>&#8220;As pessoas est\u00e3o imitando o que veem nas redes sociais sem realmente compreender o que aquilo significa&#8221;, explicou Chung \u00e0 BBC News.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise \u00e9 corroborada por Penny East, executiva-chefe da Sociedade Fawcett, que aponta que meninos s\u00e3o expostos diariamente a &#8220;n\u00edveis chocantes de misoginia&#8221; no ambiente digital. Ela observa que, enquanto homens s\u00e3o incentivados a buscar felicidade atrav\u00e9s de for\u00e7a e dinheiro, mulheres jovens tamb\u00e9m est\u00e3o sendo bombardeadas por conte\u00fados de &#8220;esposas tradicionais&#8221; que, sob uma est\u00e9tica agrad\u00e1vel, promovem a ideia de subservi\u00eancia.<\/p>\n<p>&#8220;Parece simplesmente que tudo est\u00e1 indo na dire\u00e7\u00e3o errada&#8221;, lamenta, destacando que a percep\u00e7\u00e3o p\u00fablica de que a igualdade de g\u00eanero j\u00e1 foi plenamente atingida ignora as altas estat\u00edsticas de abuso dom\u00e9stico e desigualdade salarial.<\/p>\n<p>Diante da gravidade do fen\u00f4meno, o Congresso Nacional discute medidas legislativas para endurecer o combate a esses comportamentos. Na C\u00e2mara dos Deputados, a deputada S\u00e2mia Bomfim (PSOL-SP) apresentou um projeto de lei para criminalizar a misoginia e a dissemina\u00e7\u00e3o de conte\u00fados da cultura &#8220;red pill&#8221;.<\/p>\n<p>Simultaneamente, no Senado, a Comiss\u00e3o de Direitos Humanos deve analisar uma proposta da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA) que visa incluir a misoginia na Lei do Racismo. O objetivo \u00e9 tipificar o \u00f3dio ou avers\u00e3o \u00e0s mulheres, baseado na ideia de supremacia masculina, como crime de discrimina\u00e7\u00e3o, ampliando o alcance da legisla\u00e7\u00e3o brasileira contra o \u00f3dio organizado.<\/p>\n<p><em><strong>(Com informa\u00e7\u00f5es de g1)<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Freepik\/Dragana_Gordic)<\/strong><\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo global aponta que homens mais jovens t\u00eam vis\u00f5es menos favor\u00e1veis a mulheres que gera\u00e7\u00f5es anteriores<\/p>","protected":false},"author":10,"featured_media":16230,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[13],"class_list":["post-16229","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-sindical"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16229","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/10"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16229"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16229\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16232,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16229\/revisions\/16232"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16230"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16229"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16229"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16229"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}