{"id":16325,"date":"2026-03-13T10:39:58","date_gmt":"2026-03-13T13:39:58","guid":{"rendered":"https:\/\/fenati.org.br\/?p=16325"},"modified":"2026-03-13T12:03:42","modified_gmt":"2026-03-13T15:03:42","slug":"mercado-trabalho-maes-solo-com-salarios-menores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/mercado-trabalho-maes-solo-com-salarios-menores\/","title":{"rendered":"Mercado de trabalho penaliza m\u00e3es solo com sal\u00e1rios menores e precariza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong>M\u00e3es solo com sal\u00e1rios menores &#8211;<\/strong> A trajet\u00f3ria de Mariene Ramos, 36 anos, confunde-se com o objeto de sua pesquisa. Nascida em Ponte Alta do Bom Jesus, no interior do Tocantins, ela cresceu auxiliando a m\u00e3e a cuidar dos filhos de outras mulheres, muitas delas tamb\u00e9m m\u00e3es solo.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s uma inf\u00e2ncia marcada por mudan\u00e7as e supera\u00e7\u00f5es, como o estudo em escola rural e o apoio dom\u00e9stico \u00e0 fam\u00edlia no Novo Gama, periferia de Bras\u00edlia, Mariene trilhou o caminho acad\u00eamico que a levou ao mestrado em pol\u00edticas p\u00fablicas no Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Instituto_de_Pesquisa_Econ%C3%B4mica_Aplicada\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Ipea<\/a>). Hoje, ela d\u00e1 voz e n\u00fameros a uma realidade que viveu na pele ao se tornar, tamb\u00e9m, uma m\u00e3e solo na vida adulta.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/fenati.org.br\/en\/alucinacoes-de-ias-limites-chatbots-construidos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>LEIA: Alucina\u00e7\u00f5es de IAs revelam limites de como chatbots s\u00e3o constru\u00eddos<\/strong><\/a><\/p>\n<p>Os dados compilados por Mariene, sob a coorienta\u00e7\u00e3o dos pesquisadores Carlos Corseuil e Marcos Hecksher, tra\u00e7am um retrato alarmante da desigualdade no Brasil. Com base na Pnad Cont\u00ednua de 2022, o estudo aponta que o pa\u00eds soma mais de 10,9 milh\u00f5es de m\u00e3es solo respons\u00e1veis por seus domic\u00edlios, uma popula\u00e7\u00e3o equivalente \u00e0 de pa\u00edses como Portugal ou B\u00e9lgica.<\/p>\n<p>Embora as mulheres tenham passado a chefiar 52% dos lares brasileiros desde 2022, nos arranjos monoparentais essa lideran\u00e7a feminina chega a 92%, segundo dados do Dieese e do IBGE.<\/p>\n<p>A pesquisa evidencia o que se convencionou chamar de &#8220;penalidade pela maternidade&#8221;, que se traduz em rendimentos mais baixos e menor probabilidade de contrata\u00e7\u00e3o. Em 2022, as m\u00e3es solo registraram o menor rendimento m\u00e9dio entre todos os arranjos familiares: R$ 2.322. O valor \u00e9 quase 40% inferior ao dos pais com c\u00f4njuge (R$ 3.869) e 11,5% menor que o das m\u00e3es casadas.<\/p>\n<p>&#8220;As m\u00e3es solo n\u00e3o sofrem penalidade apenas no rendimento, elas sofrem tamb\u00e9m na quest\u00e3o da precariedade do trabalho&#8221;, observa Mariene, destacando que apenas 28,3% desse grupo possui cobertura previdenci\u00e1ria, contra 54,8% dos pais casados.<\/p>\n<p>Essa precariza\u00e7\u00e3o empurra as m\u00e3es solo para setores desvalorizados. O estudo revela uma forte concentra\u00e7\u00e3o no servi\u00e7o dom\u00e9stico, que ocupa 21,9% desse grupo, um percentual 27 vezes maior que o dos pais com c\u00f4njuge. Al\u00e9m da baixa escolaridade (55% possuem no m\u00e1ximo o ensino m\u00e9dio incompleto), o preconceito estrutural trava o crescimento dessas mulheres.<\/p>\n<p>&#8220;Muitas vezes, o empregador sup\u00f5e que aquela pessoa vai ter menos disponibilidade, menos flexibilidade e vai render menos&#8221;, explica a pesquisadora, ressaltando que o perfil racial tamb\u00e9m \u00e9 fator de corte: 62% das m\u00e3es solo s\u00e3o negras.<\/p>\n<p>Outro ponto cr\u00edtico \u00e9 a chamada &#8220;gera\u00e7\u00e3o sandu\u00edche&#8221;. No caso das m\u00e3es solo, 33,5% residem com idosos acima de 60 anos, o que frequentemente resulta em uma jornada dupla ou tripla de cuidados.<\/p>\n<p>De acordo com o Made-USP, mulheres brasileiras trabalham, em m\u00e9dia, 58,1 horas semanais entre tarefas remuneradas e dom\u00e9sticas, configurando uma escala 7&#215;0. &#8220;Esses idosos podem representar uma rede de apoio, mas tamb\u00e9m podem precisar da ajuda dessa m\u00e3e&#8221;, diz Mariene.<\/p>\n<p>Atualmente, 57% dessas mulheres dependem de benef\u00edcios sociais do Estado, o que a pesquisadora classifica como uma falha direta do mercado de trabalho em absorv\u00ea-las.<\/p>\n<p>Para reverter esse quadro, Mariene Ramos defende o investimento em qualifica\u00e7\u00e3o profissional e, primordialmente, a amplia\u00e7\u00e3o de creches em tempo integral, visto que apenas 41,2% das crian\u00e7as de at\u00e9 3 anos s\u00e3o atendidas hoje no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Ao olhar para tr\u00e1s e ver o esfor\u00e7o da pr\u00f3pria m\u00e3e, que descreve brincando como uma &#8220;pol\u00edtica p\u00fablica ambulante&#8221; por cuidar dos filhos da vizinhan\u00e7a, Mariene refor\u00e7a que o ajuste das pol\u00edticas p\u00fablicas a essa realidade beneficia toda a economia.<\/p>\n<p>&#8220;Eu furei essa bolha: me tornei servidora p\u00fablica, fiz mestrado, e pretendo continuar esse estudo no doutorado. Mas, para que mais pessoas possam furar a bolha, \u00e9 preciso trazer essas mulheres para um mercado de trabalho menos prec\u00e1rio&#8221;, conclui.<\/p>\n<p><em><strong>(Com informa\u00e7\u00f5es de g1)<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Freepik)<\/strong><\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo analisa a realidade de quase 11 milh\u00f5es de brasileiras que criam os filhos sozinhas e enfrentam menor renda e maior informalidade<\/p>","protected":false},"author":10,"featured_media":16327,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[13],"class_list":["post-16325","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-sindical"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16325","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/10"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16325"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16325\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16328,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16325\/revisions\/16328"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16327"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16325"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16325"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16325"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}