{"id":16719,"date":"2026-03-23T14:52:25","date_gmt":"2026-03-23T17:52:25","guid":{"rendered":"https:\/\/fenati.org.br\/?p=16719"},"modified":"2026-03-23T18:23:01","modified_gmt":"2026-03-23T21:23:01","slug":"diferenca-salarial-mulheres-trabalharam-de-graca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/diferenca-salarial-mulheres-trabalharam-de-graca\/","title":{"rendered":"Com diferen\u00e7a salarial, mulheres trabalharam \u2018de gra\u00e7a\u2019 at\u00e9 agora em 2026"},"content":{"rendered":"<p><strong>Diferen\u00e7a salarial &#8211;<\/strong> As mulheres brasileiras trabalharam, na pr\u00e1tica, os tr\u00eas primeiros meses de 2026 \u201cde gra\u00e7a\u201d na compara\u00e7\u00e3o com os homens. Isso porque, segundo dados recentes, elas recebem em m\u00e9dia 22% a menos do que seus pares masculinos no pa\u00eds.<\/p>\n<p>O c\u00e1lculo, feito com base na <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Pesquisa_Nacional_por_Amostra_de_Domic%C3%ADlios\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua (PNADc)<\/a> do \u00faltimo trimestre de 2025, indica que apenas a partir de 22 de mar\u00e7o as mulheres passam a alcan\u00e7ar, proporcionalmente, a mesma renda anual dos homens. At\u00e9 ent\u00e3o, \u00e9 como se tivessem trabalhado \u201cde gra\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/fenati.org.br\/en\/paises-desmontar-botnets-atingiram-dispositivos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>LEIA: Pa\u00edses se juntam para desmontar botnets que atingiram milh\u00f5es de dispositivos<\/strong><\/a><\/p>\n<p>&#8220;Quando olhamos para estes grupos parecidos, vemos que, se as mulheres ganhassem o mesmo que os homens, elas poderiam come\u00e7ar a trabalhar em 22 de mar\u00e7o,&#8221; explica Tha\u00eds Barcellos, respons\u00e1vel pelo levantamento. &#8220;At\u00e9 ent\u00e3o, elas poderiam ter estado &#8216;de f\u00e9rias&#8217; e, a partir da\u00ed, teriam o mesmo rendimento que os homens para o ano.&#8221;<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, isso significa que, ao longo de um ano, mulheres precisam trabalhar cerca de 80 dias a mais para atingir o mesmo rendimento anual masculino.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da diferen\u00e7a salarial, a desigualdade se reflete tamb\u00e9m na participa\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho e nas condi\u00e7\u00f5es de emprego. Mulheres est\u00e3o mais expostas \u00e0 informalidade e precariedade, o que aumenta a vulnerabilidade econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>&#8220;Estes fatores, combinados, traduzem uma grande desigualdade de g\u00eanero no mundo do trabalho, com uma condi\u00e7\u00e3o de maior vulnerabilidade para as mulheres,&#8221; afirmou Eut\u00e1lia Barbosa, secret\u00e1ria-executiva do Minist\u00e9rio das Mulheres.<\/p>\n<p>O chamado \u201cDia da Igualdade Salarial\u201d varia de pa\u00eds para pa\u00eds, conforme o tamanho da desigualdade. No Brasil, ele ficou em 21 de mar\u00e7o neste ano. Em outras regi\u00f5es, a data muda de acordo com a diferen\u00e7a de rendimentos e os crit\u00e9rios adotados nos c\u00e1lculos.<\/p>\n<p>Apesar de a desigualdade brasileira estar pr\u00f3xima da m\u00e9dia global, o pa\u00eds ocupa uma posi\u00e7\u00e3o desfavor\u00e1vel em rankings internacionais de percep\u00e7\u00e3o de equidade salarial. Especialistas apontam que o problema n\u00e3o est\u00e1 na qualifica\u00e7\u00e3o, mas na remunera\u00e7\u00e3o e no acesso a cargos de lideran\u00e7a. &#8220;O problema n\u00e3o \u00e9 de qualifica\u00e7\u00e3o. O gargalo est\u00e1 na remunera\u00e7\u00e3o e ascens\u00e3o a cargos de lideran\u00e7a,&#8221; diz Gallianne Palayret.<\/p>\n<p>Dados tamb\u00e9m mostram que menos da metade dos cargos de dire\u00e7\u00e3o nas empresas s\u00e3o ocupados por mulheres. Em alguns setores, como administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade, a diferen\u00e7a salarial pode chegar a 35%.<\/p>\n<p>A desigualdade \u00e9 ainda mais acentuada quando se considera o fator racial. Mulheres negras recebem, em m\u00e9dia, os menores sal\u00e1rios do mercado, ficando atr\u00e1s de todos os demais grupos. &#8220;A interseccionalidade entre g\u00eanero e ra\u00e7a no mercado de trabalho penaliza mais mulheres negras,&#8221; destaca Lorena Hakak.<\/p>\n<p>Em compara\u00e7\u00e3o com homens brancos, o rendimento m\u00e9dio das mulheres negras n\u00e3o chega \u00e0 metade. Al\u00e9m disso, elas enfrentam maior informalidade e maior vulnerabilidade financeira, especialmente em domic\u00edlios chefiados por mulheres.<\/p>\n<p>Outro fator que contribui para a desigualdade \u00e9 a sobrecarga de trabalho dom\u00e9stico e de cuidados. Mesmo fora do emprego formal, mulheres seguem dedicando mais horas semanais a essas atividades do que os homens, o que limita sua posi\u00e7\u00e3o e perman\u00eancia no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>&#8220;Enquanto o cuidado for tratado como responsabilidade exclusiva ou prim\u00e1ria das mulheres, elas v\u00e3o continuar a ter menos tempo e condi\u00e7\u00f5es de competir no mercado de trabalho,&#8221; diz Palayret.<br \/>\nDados recentes mostram que apenas pouco mais da metade das mulheres estava ocupada em 2024, percentual significativamente inferior ao dos homens.<\/p>\n<p>Na tentativa de enfrentar esse cen\u00e1rio, o Brasil conta com a Lei da Igualdade Salarial, em vigor desde 2023, que estabelece remunera\u00e7\u00e3o igual para fun\u00e7\u00f5es equivalentes. A legisla\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m estabelece medidas como transpar\u00eancia salarial, fiscaliza\u00e7\u00e3o e canais de den\u00fancia.<\/p>\n<p>&#8220;Se uma mulher identificar diferen\u00e7a salarial injustificada, ela pode procurar o setor de Recursos Humanos da empresa, buscar orienta\u00e7\u00e3o no sindicato da sua categoria, registrar den\u00fancia no Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho e Emprego ou recorrer \u00e0 Justi\u00e7a do Trabalho,&#8221; orienta Barbosa.<\/p>\n<p>Apesar dos avan\u00e7os, especialistas avaliam que as medidas ainda s\u00e3o insuficientes e defendem a\u00e7\u00f5es mais amplas, como amplia\u00e7\u00e3o da licen\u00e7a-paternidade, maior oferta de creches e pol\u00edticas de combate ao ass\u00e9dio e \u00e0 discrimina\u00e7\u00e3o no ambiente de trabalho.<\/p>\n<p><strong><em>(Com informa\u00e7\u00f5es de DW)<\/em><\/strong><br \/>\n<strong><em>(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Freepik\/diloka107)<\/em><\/strong><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>C\u00e1lculo mostra que brasileiras levam 80 dias a mais para alcan\u00e7ar rendimento anual masculino<\/p>","protected":false},"author":6,"featured_media":16726,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[13],"class_list":["post-16719","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-sindical"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16719","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16719"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16719\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":16728,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16719\/revisions\/16728"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16726"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16719"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16719"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16719"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}