{"id":17373,"date":"2026-04-10T11:23:53","date_gmt":"2026-04-10T14:23:53","guid":{"rendered":"https:\/\/fenati.org.br\/?p=17373"},"modified":"2026-04-10T15:53:05","modified_gmt":"2026-04-10T18:53:05","slug":"stj-afasta-uso-relatorio-de-ia-como-prova-processo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/stj-afasta-uso-relatorio-de-ia-como-prova-processo\/","title":{"rendered":"STJ afasta uso de relat\u00f3rio de IA como prova em processo penal"},"content":{"rendered":"<p><strong>Relat\u00f3rio de IA &#8211;<\/strong> A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Superior_Tribunal_de_Justi%C3%A7a\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">(STJ<\/a>) firmou entendimento de que relat\u00f3rios elaborados por intelig\u00eancia artificial generativa, sem valida\u00e7\u00e3o humana adequada, n\u00e3o podem ser aceitos como prova em processos penais.<\/p>\n<p>O posicionamento ocorreu durante o julgamento de um habeas corpus sob relatoria do ministro Reynaldo Soares da Fonseca. Na ocasi\u00e3o, o colegiado determinou a retirada do documento dos autos.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/fenati.org.br\/en\/fgts-governo-avalia-liberar-recursos-saiba-mais\/\"><strong>LEIA: FGTS: governo avalia liberar recursos; saiba mais<\/strong><\/a><\/p>\n<p>A decis\u00e3o representa o primeiro pronunciamento da Corte sobre a utiliza\u00e7\u00e3o de intelig\u00eancia artificial generativa como meio probat\u00f3rio na esfera criminal, criando um precedente relevante sobre os limites dessa tecnologia no sistema de Justi\u00e7a.<\/p>\n<h4>Caso teve origem em acusa\u00e7\u00e3o de inj\u00faria racial<\/h4>\n<p>A controv\u00e9rsia surgiu a partir de uma den\u00fancia de inj\u00faria racial ocorrida ap\u00f3s uma partida de futebol em Mirassol (SP). Segundo a acusa\u00e7\u00e3o, o investigado teria proferido a palavra &#8220;macaco&#8221; contra a v\u00edtima, express\u00e3o que teria sido registrada em v\u00eddeo.<\/p>\n<p>Entretanto, a per\u00edcia oficial conduzida pelo Instituto de Criminal\u00edstica n\u00e3o confirmou a presen\u00e7a do termo no \u00e1udio. De acordo com o laudo t\u00e9cnico, baseado em an\u00e1lises fon\u00e9ticas e ac\u00fasticas, n\u00e3o foram encontrados elementos compat\u00edveis com a palavra mencionada.<\/p>\n<p>Diante da conclus\u00e3o pericial, investigadores recorreram a ferramentas de intelig\u00eancia artificial para reavaliar o conte\u00fado do v\u00eddeo. O relat\u00f3rio gerado por esse sistema apontou, em sentido contr\u00e1rio, que a express\u00e3o ofensiva teria sido dita.<\/p>\n<p>Esse documento acabou sendo utilizado como fundamento para a den\u00fancia apresentada pelo Minist\u00e9rio P\u00fablico de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<h4>Confiabilidade \u00e9 requisito essencial da prova penal<\/h4>\n<p>Ao examinar o caso, o relator concentrou sua an\u00e1lise na validade do relat\u00f3rio como prova. Segundo ele, a quest\u00e3o n\u00e3o envolvia a legalidade da obten\u00e7\u00e3o do material nem eventual quebra da cadeia de cust\u00f3dia, mas sim sua confiabilidade.<\/p>\n<p>No voto, Reynaldo Soares da Fonseca destacou que a prova penal deve possibilitar conclus\u00f5es l\u00f3gicas e racionais a partir dos fatos. Para ele, n\u00e3o basta que o elemento seja l\u00edcito, \u00e9 necess\u00e1rio que seja confi\u00e1vel.<\/p>\n<p>Nesse sentido, afirmou que &#8220;revela-se imperativa a exclus\u00e3o de dilig\u00eancias desprovidas de aptid\u00e3o racional&#8221;.<\/p>\n<h4>Limita\u00e7\u00f5es da intelig\u00eancia artificial foram apontadas<\/h4>\n<p>O ministro tamb\u00e9m ressaltou fragilidades t\u00e9cnicas da intelig\u00eancia artificial generativa, especialmente no contexto do caso analisado. Segundo ele, esses sistemas operam com base em probabilidades e padr\u00f5es estat\u00edsticos, o que pode resultar em informa\u00e7\u00f5es equivocadas, ainda que apresentadas com apar\u00eancia de veracidade.<\/p>\n<p>&#8220;Um dos riscos inerentes \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia artificial generativa \u00e9 a alucina\u00e7\u00e3o, que consiste na apresenta\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es imprecisas, irreais ou fabricadas, por\u00e9m com apar\u00eancia de fidedignidade&#8221;, comentou.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, observou que as ferramentas empregadas s\u00e3o voltadas ao processamento de texto, e n\u00e3o de \u00e1udio, o que compromete sua adequa\u00e7\u00e3o para an\u00e1lises fon\u00e9ticas.<\/p>\n<h4>Diverg\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 per\u00edcia exige fundamenta\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica<\/h4>\n<p>Outro ponto destacado no julgamento foi a aus\u00eancia de justificativa t\u00e9cnico-cient\u00edfica para contrariar o laudo oficial. Embora o magistrado n\u00e3o esteja obrigado a seguir a conclus\u00e3o pericial, o relator enfatizou que qualquer discord\u00e2ncia deve estar devidamente fundamentada.<\/p>\n<p>&#8220;Na hip\u00f3tese, a leitura da per\u00edcia oficial revela todo o racioc\u00ednio inferencial e t\u00e9cnico empregado, em oposi\u00e7\u00e3o ao relat\u00f3rio simplista produzido pela intelig\u00eancia artificial&#8221;, declarou o ministro.<\/p>\n<h4>Relat\u00f3rio \u00e9 exclu\u00eddo e processo deve ser reavaliado<\/h4>\n<p>Diante dessas considera\u00e7\u00f5es, o relator concluiu que o documento produzido por intelig\u00eancia artificial n\u00e3o apresenta &#8220;confiabilidade epist\u00eamica m\u00ednima&#8221; para ser aceito como prova.<\/p>\n<p>Com isso, a Quinta Turma determinou sua exclus\u00e3o dos autos e estabeleceu que o juiz respons\u00e1vel dever\u00e1 proferir nova decis\u00e3o sobre a admissibilidade da den\u00fancia, desconsiderando o material.<\/p>\n<p><em><strong>(Com informa\u00e7\u00f5es de Ti Inside)<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Freepik\/igorkoter)<\/strong><\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Decis\u00e3o marca precedente ao excluir documento gerado por IA e refor\u00e7ar exig\u00eancia de rigor t\u00e9cnico na produ\u00e7\u00e3o de provas<\/p>","protected":false},"author":11,"featured_media":17375,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[35],"tags":[13],"class_list":["post-17373","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ti","tag-sindical"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17373","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17373"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17373\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17376,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17373\/revisions\/17376"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17375"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17373"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17373"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17373"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}