{"id":17655,"date":"2026-04-17T14:25:05","date_gmt":"2026-04-17T17:25:05","guid":{"rendered":"https:\/\/fenati.org.br\/?p=17655"},"modified":"2026-04-22T09:41:21","modified_gmt":"2026-04-22T12:41:21","slug":"conteudos-tdah-e-tea-redes-alto-indice-erro-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/conteudos-tdah-e-tea-redes-alto-indice-erro-estudo\/","title":{"rendered":"Conte\u00fados sobre TDAH e TEA nas redes t\u00eam alto \u00edndice de erro, aponta estudo"},"content":{"rendered":"<p><strong>TDAH e TEA &#8211;<\/strong> Uma revis\u00e3o conduzida pela <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Universidade_da_%C3%82nglia_Oriental\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Universidade de East Anglia<\/a> aponta que grande parte dos conte\u00fados sobre sa\u00fade mental nas redes sociais \u00e9 enganosa, com destaque para o TikTok, identificado como a plataforma com maior volume de informa\u00e7\u00f5es imprecisas. O estudo alerta que v\u00eddeos populares podem disseminar erros rapidamente, influenciando principalmente jovens que recorrem \u00e0s redes para compreender sintomas e poss\u00edveis diagn\u00f3sticos.<\/p>\n<p>A pesquisa analisou mais de 5 mil postagens publicadas em plataformas como YouTube, TikTok, Facebook, Instagram e X (antigo Twitter), abordando temas como autismo, TDAH, depress\u00e3o, ansiedade e outros transtornos. Os resultados indicam que a desinforma\u00e7\u00e3o \u00e9 recorrente e, em alguns casos, atinge at\u00e9 56% do conte\u00fado analisado.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/fenati.org.br\/en\/restaurantes-adotam-ia-melhorar-economizar-20-mil\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>LEIA: Restaurantes adotam IA para melhorar compras e economizar at\u00e9 R$ 20 mil<\/strong><\/a><\/p>\n<p>Publicado no The Journal of Social Media Research, o estudo \u00e9 a primeira revis\u00e3o sistem\u00e1tica a comparar, em larga escala, a qualidade das informa\u00e7\u00f5es sobre sa\u00fade mental e neurodiverg\u00eancia em diferentes redes sociais.<\/p>\n<p>Segundo a psiquiatra, mestre e doutora em psiquiatria pela UFRJ Isabella de Souza, que conversou com o g1, informa\u00e7\u00f5es err\u00f4neas sobre sa\u00fade mental representam um retrocesso e impactam desastrosamente a vida de indiv\u00edduos com transtornos mentais e de seus familiares. Elas induzem a diagn\u00f3sticos e tratamentos errados e contribuem para vis\u00f5es preconceituosas ou distorcidas sobre condi\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas bem documentadas.<\/p>\n<p><strong>TikTok lidera em conte\u00fado impreciso<\/strong><\/p>\n<p>Entre as plataformas analisadas, o TikTok apresentou os piores \u00edndices de qualidade da informa\u00e7\u00e3o. Ao observar conte\u00fados espec\u00edficos, os pesquisadores identificaram taxas elevadas de erro: 52% dos v\u00eddeos sobre TDAH eram imprecisos, enquanto 41% dos conte\u00fados sobre autismo continham informa\u00e7\u00f5es incorretas.<\/p>\n<p>Em compara\u00e7\u00e3o, o YouTube apresentou cerca de 22% de desinforma\u00e7\u00e3o, enquanto o Facebook teve menos de 15%. De acordo com os autores, o funcionamento dos algoritmos, especialmente no TikTok, favorece conte\u00fados com alto engajamento r\u00e1pido, o que contribui para a viraliza\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es incorretas.<\/p>\n<p><strong>Riscos v\u00e3o al\u00e9m da desinforma\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Os pesquisadores destacam que o problema n\u00e3o se limita \u00e0 circula\u00e7\u00e3o de conte\u00fados errados. Muitos jovens utilizam as redes sociais como principal fonte para entender sintomas e buscar poss\u00edveis diagn\u00f3sticos, o que pode gerar consequ\u00eancias graves.<\/p>\n<p>De acordo com o estudo, esse cen\u00e1rio pode levar \u00e0 interpreta\u00e7\u00e3o equivocada de comportamentos comuns como transtornos, atrasar diagn\u00f3sticos corretos, refor\u00e7ar estigmas e dificultar o acesso ao tratamento adequado. Al\u00e9m disso, conselhos sem respaldo cient\u00edfico podem retardar interven\u00e7\u00f5es eficazes e agravar quadros cl\u00ednicos.<\/p>\n<p><strong>Conte\u00fado confi\u00e1vel ainda \u00e9 minoria<\/strong><\/p>\n<p>A an\u00e1lise tamb\u00e9m comparou conte\u00fados produzidos por profissionais de sa\u00fade com aqueles feitos por influenciadores e usu\u00e1rios comuns. A diferen\u00e7a \u00e9 significativa: apenas 3% dos v\u00eddeos elaborados por profissionais continham erros, enquanto entre n\u00e3o profissionais o \u00edndice chegou a 55%.<\/p>\n<p>Apesar disso, conte\u00fados confi\u00e1veis ainda representam uma parcela pequena do total dispon\u00edvel nas plataformas.<\/p>\n<p>Outro ponto destacado \u00e9 o papel dos algoritmos na amplifica\u00e7\u00e3o da desinforma\u00e7\u00e3o. Ao demonstrar interesse por determinado tema, o usu\u00e1rio passa a receber conte\u00fados semelhantes em sequ\u00eancia, criando as chamadas \u201cc\u00e2maras de eco\u201d.<\/p>\n<p>Esse mecanismo pode refor\u00e7ar informa\u00e7\u00f5es falsas ou exageradas, fen\u00f4meno descrito pelos pesquisadores como uma \u201ctempestade perfeita\u201d para a dissemina\u00e7\u00e3o da desinforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Especialistas pedem mais presen\u00e7a qualificada<\/strong><\/p>\n<p>Os pesquisadores defendem maior participa\u00e7\u00e3o de profissionais de sa\u00fade e institui\u00e7\u00f5es nas redes sociais, com produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fados baseados em evid\u00eancias. O estudo tamb\u00e9m sugere melhorias na modera\u00e7\u00e3o das plataformas, cria\u00e7\u00e3o de ferramentas para avaliar a qualidade das informa\u00e7\u00f5es e defini\u00e7\u00f5es mais claras sobre o que caracteriza desinforma\u00e7\u00e3o em sa\u00fade mental.<\/p>\n<p><strong>M\u00e9dicos alertam para riscos do autodiagn\u00f3stico<\/strong><\/p>\n<p>Segundo especialistas, o autodiagn\u00f3stico incorreto tem sido amplamente discutido em encontros e congressos m\u00e9dicos. A psiquiatra Izabela Souza explicou ao g1 que, embora haja um crescente interesse sobre sa\u00fade mental, tamb\u00e9m se observa o aumento de conte\u00fados produzidos por pessoas sem conhecimento adequado, muitas vezes voltados \u00e0 autopromo\u00e7\u00e3o ou baseados em informa\u00e7\u00f5es falsas.<\/p>\n<p>\u201cEssas informa\u00e7\u00f5es err\u00f4neas impactam desastrosamente a vida de pessoas com transtornos mentais e seus familiares, quando banalizam ou glamurizam condi\u00e7\u00f5es que trazem sofrimento\u201d, destaca Souza.<\/p>\n<p>Ela afirma que esses conte\u00fados induzem a diagn\u00f3sticos e tratamentos errados, al\u00e9m de refor\u00e7arem vis\u00f5es distorcidas sobre condi\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas que poderiam ser tratadas de forma adequada com acompanhamento especializado.<\/p>\n<p>A m\u00e9dica cita, por exemplo, uma entrevista divulgada com um suposto m\u00e9dico que afirmava que o TDAH n\u00e3o existia, al\u00e9m da dissemina\u00e7\u00e3o de promessas de curas milagrosas para pessoas com TEA.<\/p>\n<p>\u201cEssas fontes s\u00e3o falsas, mentirosas ou distorcidas, representando um retrocesso em uma \u00e1rea da sa\u00fade que lutamos tanto para ser cada vez mais acess\u00edvel a todos\u201d, afirma.<\/p>\n<p><strong>Banaliza\u00e7\u00e3o preocupa especialistas<\/strong><\/p>\n<p>Souza acrescenta que a banaliza\u00e7\u00e3o de transtornos mentais s\u00e9rios representa um retrocesso. Segundo ela, pacientes e familiares enfrentam desafios di\u00e1rios em busca de inclus\u00e3o e compreens\u00e3o, e a desinforma\u00e7\u00e3o dificulta esse processo.<\/p>\n<p>Ela destaca que a banaliza\u00e7\u00e3o do diagn\u00f3stico de depress\u00e3o, por exemplo, pode levar pessoas a confundirem tristezas e frustra\u00e7\u00f5es comuns com uma doen\u00e7a grave, prejudicando a busca por tratamento adequado.<\/p>\n<p>Situa\u00e7\u00e3o semelhante ocorre com transtornos de aprendizagem e autismo, afetando fam\u00edlias que lutam por reconhecimento e acesso a direitos.<\/p>\n<p>Entre os principais riscos apontados est\u00e3o o atraso ou aus\u00eancia de diagn\u00f3stico, tratamentos inadequados, uso de solu\u00e7\u00f5es sem efic\u00e1cia comprovada e at\u00e9 a indu\u00e7\u00e3o a comportamentos perigosos. A m\u00e9dica cita casos em que conte\u00fados online sugerem pr\u00e1ticas como automutila\u00e7\u00e3o como forma de aliviar sofrimento, especialmente entre jovens.<\/p>\n<p><strong>Como buscar informa\u00e7\u00e3o de forma segura<\/strong><\/p>\n<p>Especialistas recomendam que o p\u00fablico adote uma postura cr\u00edtica ao consumir conte\u00fados sobre sa\u00fade mental. Entre as orienta\u00e7\u00f5es est\u00e3o verificar a autoria das informa\u00e7\u00f5es, priorizar fontes reconhecidas, consultar profissionais de sa\u00fade e evitar acreditar em modismos.<\/p>\n<p>Souza tamb\u00e9m ressalta a import\u00e2ncia de denunciar conte\u00fados falsos ou enganosos aos \u00f3rg\u00e3os competentes, para que a veracidade das informa\u00e7\u00f5es seja investigada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>(Com informa\u00e7\u00f5es de G1)<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong><em>(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Freepik)<\/em><\/strong><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revis\u00e3o internacional aponta alta taxa de erros em conte\u00fados sobre transtornos mentais, com impacto direto na busca por diagn\u00f3stico e tratamento adequado<\/p>","protected":false},"author":16,"featured_media":17657,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[13],"class_list":["post-17655","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-sindical"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17655","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/16"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17655"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17655\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17660,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17655\/revisions\/17660"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17657"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17655"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17655"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17655"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}