{"id":17834,"date":"2026-04-24T14:40:15","date_gmt":"2026-04-24T17:40:15","guid":{"rendered":"https:\/\/fenati.org.br\/?p=17834"},"modified":"2026-04-24T16:13:55","modified_gmt":"2026-04-24T19:13:55","slug":"pesquisa-revela-chatgpt-cerebro-resultados-assustam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/pesquisa-revela-chatgpt-cerebro-resultados-assustam\/","title":{"rendered":"Pesquisa revela o que o ChatGPT faz com o c\u00e9rebro e resultados assustam"},"content":{"rendered":"<p><strong>ChatGPT &#8211;<\/strong> Pesquisadores do MIT Media Lab mediram, pela primeira vez, a atividade cerebral de pessoas que escrevem com ajuda de intelig\u00eancia artificial (<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Intelig%C3%AAncia_artificial\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">IA<\/a>). O veredito dos eletroencefalogramas foi revelador: o uso do ChatGPT reduziu a conectividade neural dos participantes em 47%, e o desempenho cognitivo deteriorou ao longo dos meses n\u00e3o estabilizou.<\/p>\n<p>A pesquisadora Nataliya Kosmyna conduziu o experimento com 54 volunt\u00e1rios entre 18 e 39 anos, recrutados no MIT, em Harvard e no Wellesley College, todos na regi\u00e3o de Boston. Os participantes foram divididos em tr\u00eas grupos e receberam a mesma tarefa: redigir textos no estilo do SAT, o exame de admiss\u00e3o universit\u00e1rio americano. Um grupo escreveu com o aux\u00edlio do ChatGPT, na vers\u00e3o GPT-4o; outro utilizou apenas o Google, sem o recurso de respostas geradas por IA; e o terceiro trabalhou exclusivamente com o pr\u00f3prio conhecimento, sem nenhuma ferramenta externa.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/fenati.org.br\/en\/cade-multa-diaria-250-mil-contra-meta-mudancas-em-ia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>LEIA: Cade mant\u00e9m multa di\u00e1ria de R$ 250 mil contra Meta por mudan\u00e7as em IA<\/strong><\/a><\/p>\n<p>Enquanto escreviam, todos tinham a atividade cerebral monitorada por eletroencefalograma e por uma t\u00e9cnica chamada <em>Dynamic Direct Transfer Function<\/em>, a dDTF, que n\u00e3o mede apenas o n\u00edvel geral de ativa\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro, mas o fluxo de informa\u00e7\u00e3o entre suas diferentes regi\u00f5es. Os n\u00fameros registrados mostraram que o grupo que utilizou o ChatGPT teve 42 conex\u00f5es neurais ativas, contra 79 no grupo que escreveu sem apoio.<\/p>\n<p><strong>O que os c\u00e9rebros revelaram<\/strong><\/p>\n<p>Em todas as dimens\u00f5es avaliadas \u2014 controle executivo, engajamento atencional, mem\u00f3ria ativa e desempenho lingu\u00edstico \u2014, o grupo que usou o ChatGPT ficou em \u00faltimo lugar. O grupo sem nenhuma assist\u00eancia apresentou as maiores amplitudes nas ondas alfa, teta e delta, associadas \u00e0 criatividade, \u00e0 mem\u00f3ria e \u00e0 compreens\u00e3o sem\u00e2ntica. O grupo que utilizou o Google ocupou uma posi\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria, o que sugere que qualquer forma de delega\u00e7\u00e3o cognitiva j\u00e1 produz algum impacto, mas que transferir o trabalho para um modelo de linguagem \u00e9 a forma mais intensa de abrir m\u00e3o do pr\u00f3prio processamento mental.<\/p>\n<p>O dado mais revelador veio da segunda etapa do experimento. Ao final, os participantes que usaram o ChatGPT foram convidados a reescrever um dos textos que haviam produzido, desta vez, sem a ferramenta. O resultado foi expressivo: 83,3% deles n\u00e3o conseguiram citar uma \u00fanica frase dos pr\u00f3prios textos, redigidos minutos antes. No grupo do Google, dois participantes tiveram o mesmo problema, enquanto no grupo sem apoio, apenas um.<\/p>\n<p>Kosmyna explicou o fen\u00f4meno \u00e0 revista Time com precis\u00e3o: &#8220;A tarefa foi executada, e voc\u00ea pode dizer que foi eficiente e conveniente. Mas, como mostramos no artigo, voc\u00ea basicamente n\u00e3o integrou nada disso \u00e0s suas redes de mem\u00f3ria&#8221;.<\/p>\n<p><strong>A conta que vem depois<\/strong><\/p>\n<p>O conceito que organiza as conclus\u00f5es da pesquisa \u00e9 o de d\u00edvida cognitiva. A ideia \u00e9 simples: ao reduzir o esfor\u00e7o mental imediato, o usu\u00e1rio abre uma conta que ser\u00e1 cobrada mais tarde, com juros. O acompanhamento longitudinal de meses mostrou que o desempenho do grupo do ChatGPT n\u00e3o se manteve est\u00e1vel, na verdade, piorou de forma consistente. O grupo que escreveu sem assist\u00eancia, ao contr\u00e1rio, manteve e aprimorou os \u00edndices de conectividade ao longo do tempo.<\/p>\n<p>O experimento ainda incluiu uma etapa mais reveladora: parte dos volunt\u00e1rios foi transferida entre grupos. Os dados mostraram que quem havia usado o ChatGPT de forma consistente e depois foi obrigado a escrever sozinho ficou abaixo dos participantes que nunca haviam recorrido \u00e0 ferramenta.<\/p>\n<p>Em entrevistas, Kosmyna destacou que c\u00e9rebros em desenvolvimento s\u00e3o os mais vulner\u00e1veis a esse padr\u00e3o, o que coloca adolescentes e estudantes no centro da preocupa\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo, a pesquisadora evitou uma conclus\u00e3o simplista. &#8220;O c\u00e9rebro n\u00e3o dormiu, mas houve muito menos ativa\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas correspondentes \u00e0 criatividade e ao processamento da informa\u00e7\u00e3o&#8221;, disse. E acrescentou uma distin\u00e7\u00e3o que os dados sustentam: usar a IA como atalho para n\u00e3o pensar \u00e9 fundamentalmente diferente de us\u00e1-la como apoio enquanto o pr\u00f3prio processo cognitivo segue ativo.<\/p>\n<p>O estudo n\u00e3o prop\u00f5e o abandono das ferramentas, apenas aten\u00e7\u00e3o ao modo como elas s\u00e3o usadas e consci\u00eancia sobre o que se perde quando pensar passa a ser uma tarefa terceirizada.<\/p>\n<p><em><strong>(Com informa\u00e7\u00f5es de Hardware)<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Freepik\/DC Studio)<\/strong><\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo \u00e9 pioneiro a usar escaneamento cerebral para medir o impacto da IA na escrita<\/p>","protected":false},"author":10,"featured_media":17835,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[35],"tags":[13],"class_list":["post-17834","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ti","tag-sindical"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17834","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/10"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17834"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17834\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":17836,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17834\/revisions\/17836"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17835"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17834"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17834"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17834"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}