{"id":18115,"date":"2026-05-01T11:15:07","date_gmt":"2026-05-01T14:15:07","guid":{"rendered":"https:\/\/fenati.org.br\/?p=18115"},"modified":"2026-05-04T11:05:37","modified_gmt":"2026-05-04T14:05:37","slug":"dia-do-trabalhador-origem-na-reducao-da-jornada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/dia-do-trabalhador-origem-na-reducao-da-jornada\/","title":{"rendered":"O Dia do Trabalhador e sua origem na luta pela redu\u00e7\u00e3o da jornada"},"content":{"rendered":"<p>O Dia do Trabalhador est\u00e1 diretamente ligado \u00e0 luta pela redu\u00e7\u00e3o da jornada. A origem da data remete \u00e0 greve geral ocorrida em Chicago, EUA, em 1\u00ba de maio de 1886, cuja principal reivindica\u00e7\u00e3o era reduzir o tempo de trabalho \u2013 que chegava a 17 horas di\u00e1rias. A mobiliza\u00e7\u00e3o, que completa 140 anos, foi duramente reprimida, transformando-se em s\u00edmbolo de resist\u00eancia e luta.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, trabalhadores no Brasil e no mundo obtiveram importantes conquistas. No Brasil, o principal marco foi a Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT), em 1943, que, entre outras melhorias, estabeleceu a jornada de 8 horas di\u00e1rias e 48 horas semanais \u2013 um avan\u00e7o significativo em um contexto em que a jornada frequentemente ultrapassava 14 horas por dia, com escalas que invadiam s\u00e1bados e at\u00e9 manh\u00e3s de domingo.<\/p>\n<p><strong>LEIA: <a href=\"https:\/\/fenati.org.br\/en\/estudo-reduzir-a-jornada-empregos-economia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Estudo comprova: reduzir a jornada n\u00e3o prejudica empregos nem a economia<\/a><\/strong><\/p>\n<p>Outro momento decisivo foi a Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, que, consolidando uma luta sindical constru\u00edda nas campanhas salariais de 1985, diminuiu a carga hor\u00e1ria semanal de 48 para 44 horas.<\/p>\n<p>Diante desse hist\u00f3rico, surge a pergunta: por que, em 2026, ainda empunhamos a bandeira da redu\u00e7\u00e3o da jornada \u2013 hoje tamb\u00e9m expressa na luta pelo fim da escala 6\u00d71?<\/p>\n<p>Em 140 anos, importantes conquistas promoveram regulamenta\u00e7\u00e3o e atenuaram os abusos do in\u00edcio da industrializa\u00e7\u00e3o. No entanto, as condi\u00e7\u00f5es de trabalho tamb\u00e9m se transformaram e hoje permitem maior equil\u00edbrio na organiza\u00e7\u00e3o do tempo, da produ\u00e7\u00e3o e na distribui\u00e7\u00e3o dos ganhos. Avan\u00e7ar nesse sentido \u00e9 fundamental para construir uma sociedade mais justa.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a partir da d\u00e9cada de 1980, com as crises do capitalismo, houve uma desestrutura\u00e7\u00e3o dos setores produtivos, marcada pelo aumento do desemprego, pela expans\u00e3o da terceiriza\u00e7\u00e3o e pelo crescimento da informalidade.<\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio foi aprofundado com a reforma trabalhista de 2017, que abriu brechas para a precariza\u00e7\u00e3o e para o aumento da jornada, ao flexibilizar regras de contrata\u00e7\u00e3o e normas relacionadas ao tempo de alimenta\u00e7\u00e3o, descanso e deslocamento.<\/p>\n<p>Para os trabalhadores na informalidade, a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda pior. Muitos revivem os abusos do in\u00edcio da industrializa\u00e7\u00e3o, com jornadas que chegam \u00e0quelas 17 horas di\u00e1rias do s\u00e9culo XIX. Trata-se de um contingente que permanece \u00e0 margem das conquistas acumuladas ao longo desses 140 anos de luta.<\/p>\n<p>Diante desse quadro, a defesa da redu\u00e7\u00e3o da jornada n\u00e3o \u00e9 apenas uma pauta hist\u00f3rica \u2013 \u00e9 uma necessidade contempor\u00e2nea. E ela envolve mais do que o tempo de trabalho: a carga hor\u00e1ria excessiva provoca desgaste f\u00edsico, rebaixamento salarial, dificulta o acesso \u00e0 forma\u00e7\u00e3o e agrava a sa\u00fade mental.<\/p>\n<p>Assim, ao completar 140 anos, o 1\u00ba de Maio reafirma seu sentido original: a luta pelo tempo de vida. Em um mundo marcado por avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos, de um lado, e novas formas de explora\u00e7\u00e3o, de outro, resgatar essa luta \u00e9 atualizar o significado hist\u00f3rico da data, mantendo viva a busca por dignidade, equil\u00edbrio e justi\u00e7a social para a classe trabalhadora.<\/p>\n<p><strong>Antonio Neto,\u00a0<\/strong>presidente da CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros)<\/p>\n<p><strong>S\u00e9rgio Nobre,\u00a0<\/strong>presidente da CUT (Central \u00danica dos Trabalhadores)<\/p>\n<p><strong>Miguel Torres,\u00a0<\/strong>presidente da For\u00e7a Sindical<\/p>\n<p><strong>Ricardo Patah,\u00a0<\/strong>presidente da UGT (Uni\u00e3o Geral dos Trabalhadores)<\/p>\n<p><strong>Adilson Ara\u00fajo,\u00a0<\/strong>presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil)<\/p>\n<p><strong>S\u00f4nia Zerino,\u00a0<\/strong>presidente da NCST (Nova Central Sindical de Trabalhadores)<\/p>\n<p><strong><em>*Artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo em 1\u00ba de maio de 2026<br \/>\n(Foto: T\u00e2nia Rego\/Ag\u00eancia Brasil)<br \/>\n<\/em><\/strong><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo das centrais sindicais conta como a luta pela redu\u00e7\u00e3o da jornada deu origem ao Dia do Trabalhador, tema que no centro das reivindica\u00e7\u00f5es em 2026<\/p>","protected":false},"author":15,"featured_media":18116,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[13],"class_list":["post-18115","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-sindical"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18115","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/15"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18115"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18115\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18117,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18115\/revisions\/18117"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18116"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18115"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18115"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18115"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}