{"id":18174,"date":"2026-05-04T16:32:31","date_gmt":"2026-05-04T19:32:31","guid":{"rendered":"https:\/\/fenati.org.br\/?p=18174"},"modified":"2026-05-05T14:15:48","modified_gmt":"2026-05-05T17:15:48","slug":"debate-jornada-carga-real-das-mulheres-escala-7x0","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/debate-jornada-carga-real-das-mulheres-escala-7x0\/","title":{"rendered":"Debate sobre jornada ignora carga real das mulheres, que vivem \u2018escala 7&#215;0\u2019"},"content":{"rendered":"<p><strong>Carga real das mulheres &#8211;<\/strong> Enquanto parte dos trabalhadores brasileiros aproveita o descanso, milh\u00f5es de mulheres seguem em atividade cont\u00ednua dentro de casa. O chamado trabalho de cuidado, que envolve tarefas dom\u00e9sticas e aten\u00e7\u00e3o a crian\u00e7as, idosos e familiares, evidencia uma desigualdade estrutural e refor\u00e7a um debate sobre direitos trabalhistas e divis\u00e3o de responsabilidades.<\/p>\n<p>Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Instituto_Brasileiro_de_Geografia_e_Estat%C3%ADstica\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">IBGE<\/a>) mostram que as mulheres dedicam, em m\u00e9dia, quase dez horas a mais por semana a essas atividades em compara\u00e7\u00e3o aos homens. Esse tempo, n\u00e3o remunerado, sustenta o funcionamento das fam\u00edlias e, indiretamente, da pr\u00f3pria economia.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/fenati.org.br\/en\/nova-geracao-computadores-alerta-seguranca-bitcoins\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>LEIA: Nova gera\u00e7\u00e3o de computadores reacende alerta sobre seguran\u00e7a de bitcoins<\/strong><\/a><\/p>\n<p>Para a professora de Servi\u00e7o Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro e pesquisadora, Cibele Henriques, o cen\u00e1rio revela uma l\u00f3gica hist\u00f3rica que naturaliza a sobrecarga feminina. Segundo ela, o cuidado \u00e9 frequentemente associado ao afeto e \u00e0 obriga\u00e7\u00e3o moral, o que contribui para invisibilizar seu car\u00e1ter de trabalho. Na pr\u00e1tica, isso resulta em uma jornada cont\u00ednua, sem pausas, que tem sido descrita como uma \u201cescala 7&#215;0\u201d.<\/p>\n<p>Essa realidade afeta tanto mulheres que atuam exclusivamente no ambiente dom\u00e9stico quanto aquelas que acumulam emprego formal e responsabilidades familiares. Mesmo em dias de folga, o tempo livre tende a ser absorvido por tarefas pendentes, reduzindo as possibilidades de descanso e autocuidado.<\/p>\n<p><strong>Economia, tempo e desigualdade<\/strong><\/p>\n<p>A discuss\u00e3o sobre o trabalho de cuidado tamb\u00e9m ganha for\u00e7a no campo econ\u00f4mico. Ao dedicar grande parte do tempo a atividades n\u00e3o remuneradas, mulheres deixam de acessar oportunidades de renda, qualifica\u00e7\u00e3o e crescimento profissional. Na avalia\u00e7\u00e3o da pesquisadora, trata-se de uma transfer\u00eancia indireta de riqueza, j\u00e1 que esse trabalho sustenta outras atividades produtivas sem gerar retorno financeiro para quem o executa.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a distribui\u00e7\u00e3o desigual dessas tarefas atinge de forma ainda mais intensa mulheres racializadas e de baixa renda, que t\u00eam menor possibilidade de delegar essas fun\u00e7\u00f5es. O resultado \u00e9 um ciclo de desigualdade que se reproduz entre gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u201cAs mulheres vivem uma escala 7&#215;0. Especialmente as negras e perif\u00e9ricas. Porque as mulheres de classe m\u00e9dia alta t\u00eam formas de transferir esse trabalho. Mas para as mulheres negras perif\u00e9ricas, ele \u00e9 posto como obriga\u00e7\u00e3o\u201d, conclui a pesquisadora.<\/p>\n<p><strong>Constru\u00e7\u00e3o social e impactos no cotidiano<\/strong><\/p>\n<p>A atribui\u00e7\u00e3o do cuidado \u00e0s mulheres come\u00e7a ainda na inf\u00e2ncia, por meio de padr\u00f5es culturais que diferenciam pap\u00e9is de g\u00eanero. Essa divis\u00e3o se consolida ao longo da vida e se reflete em situa\u00e7\u00f5es cotidianas, como a responsabiliza\u00e7\u00e3o quase exclusiva das m\u00e3es ap\u00f3s separa\u00e7\u00f5es familiares.<\/p>\n<p>Mesmo dentro de rela\u00e7\u00f5es est\u00e1veis, muitas mulheres seguem como principais respons\u00e1veis pelo cuidado, o que evidencia uma desigualdade persistente na divis\u00e3o do trabalho dom\u00e9stico.<\/p>\n<p><strong>Rela\u00e7\u00e3o com o debate sobre jornada de trabalho<\/strong><\/p>\n<p>O tema se conecta diretamente \u00e0s discuss\u00f5es atuais sobre a redu\u00e7\u00e3o da jornada formal e o fim da escala 6&#215;1. Embora essas propostas avancem no debate p\u00fablico, especialistas apontam que, para as mulheres, a carga de trabalho total j\u00e1 ultrapassa os limites estabelecidos pela legisla\u00e7\u00e3o, devido \u00e0 soma do trabalho remunerado com o n\u00e3o remunerado.<\/p>\n<p>Nesse contexto, a amplia\u00e7\u00e3o do debate sobre direitos trabalhistas passa tamb\u00e9m pelo reconhecimento do trabalho de cuidado como parte essencial da economia e da vida social.<\/p>\n<p><strong>Desafios futuros<\/strong><\/p>\n<p>Com o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o brasileira e a perman\u00eancia de altas demandas de cuidado de crian\u00e7as e idosos, a tend\u00eancia \u00e9 de aumento dessa sobrecarga. Para Cibele Henriques, pol\u00edticas p\u00fablicas estruturadas podem redistribuir essas responsabilidades, criando redes de apoio que reduzam o peso sobre as fam\u00edlias, especialmente sobre as mulheres.<\/p>\n<p>Sem esse suporte, o cen\u00e1rio pode se tornar ainda mais desafiador, com impactos n\u00e3o apenas na vida das trabalhadoras, mas tamb\u00e9m no desenvolvimento social e econ\u00f4mico do pa\u00eds.<\/p>\n<p><em><strong>(Com informa\u00e7\u00f5es de Ag\u00eancia Brasil)<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Magnific)<\/strong><\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mulheres dedicam quase 10 horas semanais a mais que os homens ao trabalho de cuidado n\u00e3o remunerado, segundo o IBGE<\/p>","protected":false},"author":10,"featured_media":18177,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[42],"tags":[13],"class_list":["post-18174","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-sindical"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18174","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/10"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18174"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18174\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18178,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18174\/revisions\/18178"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18177"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18174"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18174"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18174"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}