{"id":20047,"date":"2026-06-10T19:11:54","date_gmt":"2026-06-10T22:11:54","guid":{"rendered":"https:\/\/fenati.org.br\/potencial-eolico-mar-impulsionar-industria-inovacao\/"},"modified":"2026-07-02T23:13:01","modified_gmt":"2026-07-03T02:13:01","slug":"potencial-eolico-mar-impulsionar-industria-inovacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/potencial-eolico-mar-impulsionar-industria-inovacao\/","title":{"rendered":"Potencial e\u00f3lico no mar pode impulsionar ind\u00fastria e inova\u00e7\u00e3o no Maranh\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong>Potencial e\u00f3lico &#8211;<\/strong> O Maranh\u00e3o re\u00fane caracter\u00edsticas que o colocam entre os territ\u00f3rios mais promissores do pa\u00eds para a gera\u00e7\u00e3o de <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Energia_e%C3%B3lica_offshore\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">energia e\u00f3lica offshore<\/a>. Com 640 quil\u00f4metros de litoral, o estado combina ventos favor\u00e1veis e infraestrutura portu\u00e1ria capaz de contribuir para a redu\u00e7\u00e3o de custos log\u00edsticos na implanta\u00e7\u00e3o de parques e\u00f3licos em alto-mar, cen\u00e1rio que desperta o interesse de especialistas, pesquisadores e empresas do setor.<\/p>\n<p>Estudos apontam que a regi\u00e3o possui capacidade para produzir energia em escala suficiente para suprir m\u00faltiplas vezes a demanda dom\u00e9stica brasileira. Entretanto, para que esse potencial se transforme em investimentos concretos, o mercado considera indispens\u00e1vel a realiza\u00e7\u00e3o de medi\u00e7\u00f5es locais cont\u00ednuas e a amplia\u00e7\u00e3o da oferta de dados t\u00e9cnicos confi\u00e1veis, capazes de reduzir incertezas e dar seguran\u00e7a aos empreendedores.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/fenati.org.br\/en\/pesquisa-pessoas-compreensao-genetica-da-ansiedade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>LEIA: Pesquisa com quase 700 mil pessoas amplia compreens\u00e3o gen\u00e9tica da ansiedade<\/strong><\/a><\/p>\n<p>O potencial brasileiro para a gera\u00e7\u00e3o e\u00f3lica offshore foi mapeado pelo Roadmap E\u00f3lica Offshore Brasil, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energ\u00e9tica (EPE) em 2020. O levantamento identificou cerca de 700 GW de potencial t\u00e9cnico em \u00e1reas mar\u00edtimas com profundidade de at\u00e9 50 metros. Apesar dos n\u00fameros expressivos, o estudo ressalta que a estimativa \u00e9 apenas indicativa, uma vez que ainda depende de avalia\u00e7\u00f5es mais detalhadas relacionadas a restri\u00e7\u00f5es ambientais, navega\u00e7\u00e3o, ocupa\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o mar\u00edtimo e poss\u00edveis conflitos com outras atividades econ\u00f4micas ligadas ao mar.<\/p>\n<p>No campo regulat\u00f3rio, a Lei 15.097\/2025 estabeleceu bases para o uso energ\u00e9tico das \u00e1reas mar\u00edtimas brasileiras. Ainda assim, especialistas avaliam que a regulamenta\u00e7\u00e3o infralegal precisa avan\u00e7ar para definir crit\u00e9rios de outorga, licenciamento e compatibiliza\u00e7\u00e3o entre diferentes usos do mar. A aus\u00eancia dessas normas e a participa\u00e7\u00e3o de diversos \u00f3rg\u00e3os no processo s\u00e3o apontadas como fatores que retardam leil\u00f5es de \u00e1reas e estudos explorat\u00f3rios.<\/p>\n<p>A necessidade de conciliar interesses de setores como pesca, turismo, navega\u00e7\u00e3o e atividade portu\u00e1ria refor\u00e7a a import\u00e2ncia de um planejamento espacial marinho estruturado. Sem essa coordena\u00e7\u00e3o, o aproveitamento eficiente das \u00e1reas oce\u00e2nicas pode enfrentar limita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Segundo Fl\u00e1vio Rosa, diretor da Barlovento Applus no Brasil, a complexidade regulat\u00f3ria decorre justamente da natureza p\u00fablica e multifuncional do ambiente mar\u00edtimo. \u201cO anseio do setor, representado pelo Grupo de Trabalho de Energia E\u00f3lica (GT-EO) do Conselho Nacional de Pol\u00edtica Energ\u00e9tica (CNPE) e integrado por mais de 20 institui\u00e7\u00f5es, \u00e9 que em 2027 seja realizado leil\u00e3o de \u00e1rea\u201d, antecipou Fl\u00e1vio, acrescentando que o Maranh\u00e3o j\u00e1 tem experi\u00eancia com 15 parques de energia e\u00f3lica onshore (em terra) e gera\u00e7\u00e3o de 420 MW.<\/p>\n<p>Para Oswaldo Ronald Saavedra Mendez, professor da Universidade Federal do Maranh\u00e3o (UFMA) e coordenador do Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia em Energias Oce\u00e2nicas e Fluviais (INEOF), o desenvolvimento da e\u00f3lica offshore representa uma oportunidade estrat\u00e9gica para fortalecer a transi\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica, estimular a pesquisa cient\u00edfica e formar profissionais para uma nova ind\u00fastria. O pesquisador defende que a ado\u00e7\u00e3o de fontes renov\u00e1veis \u00e9 uma tend\u00eancia irrevers\u00edvel diante das transforma\u00e7\u00f5es do cen\u00e1rio energ\u00e9tico global e da necessidade de reduzir a depend\u00eancia dos combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>Ele destaca ainda o papel das universidades e dos centros de pesquisa na avalia\u00e7\u00e3o do potencial da costa maranhense e na busca de solu\u00e7\u00f5es para desafios tecnol\u00f3gicos do setor. Entre eles est\u00e1 o curtailment, fen\u00f4meno caracterizado pelo desperd\u00edcio de energia produzida devido \u00e0 limita\u00e7\u00e3o da capacidade de escoamento ou consumo pelo sistema el\u00e9trico.<\/p>\n<p>\u201cO litoral maranhense pode oferecer uma produ\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica de grande escala. O potencial \u00e9 t\u00e3o expressivo que seria poss\u00edvel atender uma parte muito significativa da demanda brasileira por e\u00f3lica offshore produzida aqui. Para tanto, h\u00e1 necessidade de medi\u00e7\u00f5es locais e cont\u00ednuas. O investidor s\u00f3 ter\u00e1 seguran\u00e7a para aplicar recursos se houver dados t\u00e9cnicos confi\u00e1veis sobre vento, profundidade, comportamento do mar e viabilidade de instala\u00e7\u00e3o. Por isso, \u00e9 preciso apoio a pesquisas de campo, ainda que os custos de medi\u00e7\u00f5es offshore sejam elevados. A energia e\u00f3lica offshore pode gerar uma nova agenda de desenvolvimento para o Maranh\u00e3o, com inova\u00e7\u00e3o, tecnologia, empregos e qualifica\u00e7\u00e3o profissional\u201d, explicou o pesquisador.<\/p>\n<p>O potencial energ\u00e9tico da chamada Margem Equatorial tamb\u00e9m refor\u00e7a as expectativas para o setor. A regi\u00e3o \u00e9 influenciada por ventos al\u00edsios constantes ao longo do ano e, de acordo com medi\u00e7\u00f5es e estimativas do INCT, poderia gerar energia suficiente para atender cinco vezes o consumo atual do Brasil. Nesse contexto, o litoral entre o Rio Grande do Norte e o Amap\u00e1, especialmente o Maranh\u00e3o, ganha destaque.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de S\u00e9rgio Ara\u00fajo, conselheiro de administra\u00e7\u00e3o empresarial corporativo da BI Energia, a transforma\u00e7\u00e3o desse potencial em empreendimentos depende da amplia\u00e7\u00e3o dos investimentos em tecnologia, infraestrutura e cadeia produtiva. Ele ressalta a import\u00e2ncia do Planejamento Espacial Marinho (PEM), instrumento que dever\u00e1 orientar a ocupa\u00e7\u00e3o das \u00e1reas mar\u00edtimas e fornecer seguran\u00e7a jur\u00eddica aos projetos, al\u00e9m de subsidiar an\u00e1lises do Ibama e de outros \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis.<\/p>\n<p>A BI Energia possui projetos no Maranh\u00e3o, no munic\u00edpio de Humberto de Campos; no Cear\u00e1, no Piau\u00ed, e no Rio Grande do Norte. \u201cA empresa j\u00e1 investiu muito em estudos ao longo de uma d\u00e9cada e agora aguarda a regulamenta\u00e7\u00e3o para avan\u00e7ar de forma segura. A dist\u00e2ncia das \u00e1reas offshore, a batimetria, a log\u00edstica de cabos e a necessidade de estruturas como monopiles (tipo de funda\u00e7\u00e3o mais utilizada no mundo para fixar turbinas e\u00f3licas no fundo do oceano) influenciam fortemente o custo dos empreendimentos. Se as \u00e1reas forem definidas longe demais da costa, os projetos podem se tornar economicamente invi\u00e1veis\u201d, antecipou S\u00e9rgio.<\/p>\n<p>Para o executivo, a consolida\u00e7\u00e3o da e\u00f3lica offshore no Maranh\u00e3o passa por tr\u00eas fatores centrais: regulamenta\u00e7\u00e3o clara, aproxima\u00e7\u00e3o com universidades e di\u00e1logo permanente com as comunidades locais. O alinhamento entre esses atores pode fortalecer a cadeia de suprimentos e criar condi\u00e7\u00f5es para atrair investimentos de longo prazo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da gera\u00e7\u00e3o de energia, o debate integra uma agenda mais ampla ligada \u00e0 Economia do Mar. O vice-presidente executivo da Federa\u00e7\u00e3o das Ind\u00fastrias do Estado do Maranh\u00e3o (FIEMA), Luiz Fernando Renner, informou que est\u00e1 em negocia\u00e7\u00e3o com a Funda\u00e7\u00e3o Aleixo Belov, da Bahia, a elabora\u00e7\u00e3o de um diagn\u00f3stico da Economia do Mar no Maranh\u00e3o. O estudo dever\u00e1 abranger atividades como explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s na Margem Equatorial, energia offshore, pesca e turismo.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Leal, conselheiro da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Empresas de Economia do Mar (ABEEMAR), avalia que o segmento tem potencial para impulsionar o desenvolvimento regional. \u201cO Maranh\u00e3o n\u00e3o se limita \u00e0 pesca ou ao turismo, pois possui uma costa extensa, \u00e1reas de mangue relevantes e uma grande capacidade de articula\u00e7\u00e3o entre setor p\u00fablico, iniciativa privada e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa. A nossa expectativa \u00e9 de que o Maranh\u00e3o possa se posicionar nessa nova fronteira energ\u00e9tica brasileira\u201d, frisou.<\/p>\n<p><strong>Junte cashback e transfira para sua conta com a Benef\u00edcios Rede Bee!<\/strong><\/p>\n<p>A Bee Fenati \u2013 a rede social dos profissionais de TI de todo o Brasil \u2013 segue em expans\u00e3o para garantir aos seus usu\u00e1rios cada vez mais benef\u00edcios. 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