{"id":20326,"date":"2026-06-30T13:39:55","date_gmt":"2026-06-30T16:39:55","guid":{"rendered":"https:\/\/fenati.org.br\/metade-jovens-brasileiras-jornadas-18-anos\/"},"modified":"2026-07-02T23:20:18","modified_gmt":"2026-07-03T02:20:18","slug":"metade-jovens-brasileiras-jornadas-18-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/metade-jovens-brasileiras-jornadas-18-anos\/","title":{"rendered":"Metade das jovens brasileiras acumula jornadas a partir dos 18 anos"},"content":{"rendered":"<p><strong>Jovens brasileiras &#8211;<\/strong> A divis\u00e3o desigual do trabalho dom\u00e9stico e de cuidado afeta a rotina das brasileiras desde a adolesc\u00eancia. Pesquisa realizada pela Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Funda%C3%A7%C3%A3o_Oswaldo_Cruz\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">Fiocruz<\/a>), em parceria com a Secretaria Nacional da Pol\u00edtica de Cuidados e Fam\u00edlia (SNCF), mostra que metade das jovens passa a acumular duas ou tr\u00eas jornadas a partir dos 18 anos.<\/p>\n<p>O levantamento considera a combina\u00e7\u00e3o entre estudos, trabalho remunerado e atividades dom\u00e9sticas ou de cuidado. Os resultados foram elaborados com base nos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlios Cont\u00ednua Anual (PNAD Cont\u00ednua) de 2022.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/fenati.org.br\/en\/ford-recontrata-engenheiros-ia-inspecoes-qualidade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>LEIA: Ford recontrata engenheiros veteranos ap\u00f3s IA falhar em inspe\u00e7\u00f5es de qualidade<\/strong><\/a><\/p>\n<p>Al\u00e9m de evidenciar a sobrecarga feminina, o estudo aponta que as jovens negras s\u00e3o as mais afetadas pelas responsabilidades dentro de casa. Entre elas, 33% n\u00e3o est\u00e3o inseridas no mercado de trabalho nem frequentam institui\u00e7\u00f5es de ensino.<\/p>\n<p><strong>Trabalho de cuidado faz parte da rotina de 90% das jovens<\/strong><\/p>\n<p>As atividades de cuidado abrangem tarefas fundamentais para a manuten\u00e7\u00e3o da vida cotidiana. Apesar de essenciais, essas fun\u00e7\u00f5es permaneceram socialmente invisibilizadas por muito tempo e continuam sendo realizadas, em sua maioria, sem remunera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Cuidar e organizar a casa, fazer comida, lavar roupa, cuidar de um beb\u00ea, cuidar de uma pessoa idosa que n\u00e3o consegue mais se alimentar sozinha, tomar banho sozinha, se movimentar pela casa. \u00c9 um trabalho que durante muito tempo permaneceu invis\u00edvel\u201d, explica a secret\u00e1ria nacional da Pol\u00edtica de Cuidados e Fam\u00edlia, \u00f3rg\u00e3o ligado ao Minist\u00e9rio do Desenvolvimento e Assist\u00eancia Social, La\u00eds Wendel Abramo.<\/p>\n<p>Entre jovens homens e mulheres, 82,5% desempenham algum tipo de trabalho dom\u00e9stico ou de cuidado. Quando s\u00e3o consideradas apenas as mulheres de 15 a 29 anos, o \u00edndice chega a 90%.<\/p>\n<p>A desigualdade tamb\u00e9m aparece na quantidade de horas destinadas \u00e0s tarefas. Segundo a pesquisa, as mulheres negras dedicam aos cuidados o dobro do tempo registrado entre os homens, independentemente de eles serem brancos ou negros.<\/p>\n<p><strong>Sobrecarga dificulta acesso ao emprego e \u00e0 educa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O volume de responsabilidades dom\u00e9sticas pode limitar o tempo dispon\u00edvel para procurar emprego, estudar, descansar ou participar de atividades culturais e de lazer.<\/p>\n<p>Segundo La\u00eds Abramo, em cada tr\u00eas mulheres que est\u00e3o fora do mercado de trabalho afirma n\u00e3o procurar uma ocupa\u00e7\u00e3o remunerada porque precisa cuidar da casa, dos filhos ou de outros familiares.<\/p>\n<p>Esse cen\u00e1rio ajuda a explicar por que um ter\u00e7o das jovens negras n\u00e3o trabalha nem estuda. O levantamento indica que essas mulheres n\u00e3o est\u00e3o necessariamente desocupadas, mas envolvidas em atividades n\u00e3o remuneradas que n\u00e3o costumam aparecer nas estat\u00edsticas tradicionais sobre trabalho.<\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m aponta que fatores culturais ainda atribuem \u00e0s mulheres a principal responsabilidade pela organiza\u00e7\u00e3o da casa e pelo cuidado com outras pessoas.<\/p>\n<p><strong>Horas de trabalho dom\u00e9stico aumentam na vida adulta<\/strong><\/p>\n<p>A diferen\u00e7a entre homens e mulheres se amplia com a chegada da vida adulta. Entre as jovens, o tempo semanal dedicado ao trabalho dom\u00e9stico e de cuidado aumenta, em m\u00e9dia, dez horas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 adolesc\u00eancia. Entre os homens, o crescimento \u00e9 de apenas tr\u00eas horas semanais.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros demonstram que a transi\u00e7\u00e3o para a vida adulta representa uma eleva\u00e7\u00e3o muito mais intensa da carga de trabalho n\u00e3o remunerado para as mulheres. Essa realidade pode comprometer oportunidades profissionais e educacionais e refor\u00e7ar desigualdades j\u00e1 existentes.<\/p>\n<p><strong>Dupla e tripla jornada mudam conforme a idade<\/strong><\/p>\n<p>Entre as adolescentes de 15 a 17 anos, 78,4% conciliam os estudos com atividades dom\u00e9sticas ou de cuidado. Dentro dessa faixa et\u00e1ria, 8,1% tamb\u00e9m exercem trabalho remunerado, formando uma tripla jornada.<\/p>\n<p>Dos 18 aos 24 anos, 28,7% estudam e realizam tarefas dom\u00e9sticas ou de cuidado. Ao mesmo tempo, o percentual das que acumulam estudos, emprego e cuidados sobe para 13,1%.<\/p>\n<p>Na faixa dos 25 aos 29 anos, 57,4% conciliam trabalho remunerado com atividades dom\u00e9sticas ou de cuidado. A tripla jornada representa 9,7%, enquanto 14% mant\u00eam a combina\u00e7\u00e3o entre estudos e cuidados.<\/p>\n<p>Os dados revelam que o ac\u00famulo de responsabilidades acompanha as mulheres durante diferentes etapas da vida, embora a composi\u00e7\u00e3o das jornadas seja alterada conforme avan\u00e7am a idade e a inser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho.<\/p>\n<p><strong>Trabalho n\u00e3o remunerado muda interpreta\u00e7\u00e3o sobre jovens \u201cnem-nem\u201d<\/strong><\/p>\n<p>Mais de 9 milh\u00f5es de brasileiros s\u00e3o classificados como jovens que n\u00e3o estudam nem possuem trabalho remunerado. Entretanto, a pesquisa questiona o uso dessa defini\u00e7\u00e3o quando o trabalho dom\u00e9stico e de cuidado n\u00e3o remunerado \u00e9 desconsiderado.<\/p>\n<p>Ao incluir essas atividades na an\u00e1lise, apenas 2% das jovens aparecem sem desempenhar trabalho remunerado, estudar ou realizar alguma tarefa dom\u00e9stica e de cuidado.<\/p>\n<p>O resultado demonstra que muitas mulheres classificadas como \u201cnem-nem\u201d est\u00e3o, na realidade, trabalhando dentro de casa, ainda que essas tarefas n\u00e3o sejam remuneradas ou reconhecidas formalmente.<\/p>\n<p><strong>Excesso de jornadas afeta sa\u00fade f\u00edsica e mental<\/strong><\/p>\n<p>A sobrecarga tamb\u00e9m pode provocar consequ\u00eancias para a sa\u00fade f\u00edsica e emocional das jovens. O estudo chama a aten\u00e7\u00e3o para uma percep\u00e7\u00e3o social segundo a qual pessoas mais novas teriam maior capacidade de suportar jornadas extensas, trabalhos desgastantes e pouco tempo de descanso.<\/p>\n<p>Essa vis\u00e3o contribui para a normaliza\u00e7\u00e3o de rotinas exaustivas, como as enfrentadas por jovens que trabalham durante muitas horas no com\u00e9rcio, em supermercados, farm\u00e1cias, servi\u00e7os ou plataformas digitais.<\/p>\n<p>Para o coordenador da Agenda Jovem Fiocruz, Andr\u00e9 Sobrinho, o cansa\u00e7o da juventude est\u00e1 relacionado ao ac\u00famulo de jornadas, e o crescimento da mobiliza\u00e7\u00e3o pela redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho e pelo fim da escala 6&#215;1 s\u00e3o express\u00f5es de indigna\u00e7\u00e3o sobre essa realidade.<\/p>\n<p>&#8220;A juventude est\u00e1 cansada. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa a luta pelo fim da escala 6&#215;1, que \u00e9 muito impulsionada por jovens que ocupam postos em supermercados, em farm\u00e1cias, no com\u00e9rcio e no servi\u00e7o&#8221;, afirma.<\/p>\n<h5><strong>Encontre o emprego dos seus sonhos com a Bee Hunter<\/strong><\/h5>\n<p>S\u00f3cios e contribuintes agora contam tamb\u00e9m com uma ferramenta para se aproximarem das melhores oportunidades do mercado de trabalho: a Bee Hunter, uma plataforma inteligente da Bee Fenati que utiliza tecnologia e intelig\u00eancia artificial para tornar a busca por vagas mais eficiente, estrat\u00e9gica e conectada ao perfil de cada usu\u00e1rio. <a href=\"https:\/\/fenati.org.br\/en\/encontre-o-emprego-dos-seus-sonhos-com-a-bee-hunter\/\"><strong>(Saiba mais aqui)<\/strong><\/a><\/p>\n<p>A partir do cadastro do curr\u00edculo, a plataforma utiliza intelig\u00eancia artificial para analisar informa\u00e7\u00f5es como experi\u00eancias, compet\u00eancias e objetivos profissionais, cruzando esses dados com vagas dispon\u00edveis em empresas parceiras como Vagas.com, Sinergy e Trampos e identificando as posi\u00e7\u00f5es que mais combinam com o perfil do usu\u00e1rio.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/beehunter.com.br\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\"><strong>Entre agora na Bee Hunter e encontre seu emprego dos sonhos!<\/strong><\/a><\/p>\n<p>A Bee Hunter ainda vai al\u00e9m e auxilia o profissional a estar preparado para a vaga dos sonhos! 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