{"id":20757,"date":"2026-07-07T10:30:34","date_gmt":"2026-07-07T13:30:34","guid":{"rendered":"https:\/\/fenati.org.br\/?p=20757"},"modified":"2026-07-07T10:30:34","modified_gmt":"2026-07-07T13:30:34","slug":"uso-de-ia-decisoes-complexas-cautela-especialista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/uso-de-ia-decisoes-complexas-cautela-especialista\/","title":{"rendered":"Uso de IA em decis\u00f5es complexas exige cautela, alerta especialista"},"content":{"rendered":"<p><strong>Uso de IA &#8211;<\/strong> O avan\u00e7o da <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Intelig%C3%AAncia_artificial\" target=\"_blank\" rel=\"noopener nofollow\">intelig\u00eancia artificial<\/a> tem ampliado a discuss\u00e3o sobre os limites do uso de algoritmos para tratar de temas sens\u00edveis, especialmente quando decis\u00f5es envolvem valores, direitos e impactos sociais. Para o neurofisiologista alem\u00e3o Wolf Singer, diretor em\u00e9rito do Instituto Max Planck, os modelos atuais de IA ainda funcionam de maneira muito diferente do c\u00e9rebro humano e, por isso, n\u00e3o devem ser tratados como substitutos seguros para julgamentos complexos.<\/p>\n<p>Segundo Singer, embora sistemas de intelig\u00eancia artificial sejam capazes de simular determinadas fun\u00e7\u00f5es presentes em organismos naturais, eles n\u00e3o reproduzem a din\u00e2mica pr\u00f3pria do c\u00e9rebro. A diferen\u00e7a central est\u00e1 na arquitetura: computadores processam informa\u00e7\u00f5es em etapas, enquanto o c\u00e9rebro opera por meio de redes de neur\u00f4nios em comunica\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, com oscila\u00e7\u00f5es e adapta\u00e7\u00f5es constantes.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/fenati.org.br\/en\/saiba-por-que-27-brasileiros-mudar-de-emprego\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>LEIA: Saiba por que 27% dos brasileiros pretendem mudar de emprego<\/strong><\/a><\/p>\n<p>Essa distin\u00e7\u00e3o, de acordo com o pesquisador, torna problem\u00e1tico o uso de modelos de IA para decis\u00f5es que envolvem valores, interpreta\u00e7\u00f5es sociais ou dilemas \u00e9ticos. Para ele, perguntas mais sofisticadas, ligadas \u00e0 filosofia, \u00e0 responsabilidade e ao julgamento humano, exigem conhecimento especializado e an\u00e1lise cr\u00edtica.<\/p>\n<p>Sobre o uso crescente de algoritmos por empresas e governos em \u00e1reas como cr\u00e9dito, sistema de justi\u00e7a criminal e at\u00e9 conflitos militares, Singer observa que os modelos de linguagem podem oferecer respostas \u00fateis, hip\u00f3teses e sugest\u00f5es, especialmente quando usados por especialistas. O problema surge quando essas ferramentas s\u00e3o tratadas como autoridades definitivas, sem que o usu\u00e1rio compreenda seus limites e riscos.<\/p>\n<p>\u201cNas m\u00e3os de especialistas s\u00e3o muito \u00fateis porque apresentam sugest\u00f5es, hip\u00f3teses que voc\u00ea talvez n\u00e3o tenha considerado. Eles t\u00eam um acesso enorme a dados que voc\u00ea n\u00e3o consegue manter no seu pr\u00f3prio c\u00e9rebro. Mas quando voc\u00ea come\u00e7a a fazer perguntas mais sofisticadas, perguntas que s\u00e3o discutidas por fil\u00f3sofos, perguntas que dizem respeito a valores, fica problem\u00e1tico. Voc\u00ea precisa ter conhecimento especializado para us\u00e1-los de forma respons\u00e1vel. E se voc\u00ea n\u00e3o sabe como esses sistemas funcionam e quais s\u00e3o as armadilhas, o perigo \u00e9 que voc\u00ea fique preso em um ciclo de retroalimenta\u00e7\u00e3o.\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O neurofisiologista destaca que os modelos de IA podem errar, mas n\u00e3o conseguem indicar com precis\u00e3o o grau de confiabilidade de suas respostas. J\u00e1 o c\u00e9rebro humano, mesmo sujeito a falhas, possui mecanismos pr\u00f3prios de valida\u00e7\u00e3o e avalia\u00e7\u00e3o das solu\u00e7\u00f5es encontradas. Essa diferen\u00e7a refor\u00e7a a necessidade de supervis\u00e3o humana em decis\u00f5es que possam afetar vidas, direitos e rela\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p>Para o mundo do trabalho, o debate se mostra relevante. \u00c0 medida que tecnologias digitais passam a apoiar processos de gest\u00e3o, avalia\u00e7\u00e3o e sele\u00e7\u00e3o, cresce a import\u00e2ncia de discutir transpar\u00eancia, responsabilidade e participa\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Singer chama aten\u00e7\u00e3o para os impactos da delega\u00e7\u00e3o constante de tarefas \u00e0s m\u00e1quinas. Assim como calculadoras reduziram a necessidade de fazer contas mentalmente e sistemas de GPS diminu\u00edram o h\u00e1bito de leitura de mapas, a IA pode alterar a forma como o c\u00e9rebro humano treina certas habilidades. Para ele, a tecnologia pode economizar tempo e ampliar a precis\u00e3o em algumas atividades, mas tamb\u00e9m exige cuidado para que capacidades humanas importantes n\u00e3o deixem de ser exercitadas.<\/p>\n<p>\u201cQuando voc\u00ea usa o celular para fazer c\u00e1lculos, n\u00e3o precisa mais calcular de cabe\u00e7a. Voc\u00ea delega. Economiza tempo, \u00e9 mais preciso \u2014e por que n\u00e3o? Mas isso reduz o treinamento dessas capacidades no seu pr\u00f3prio c\u00e9rebro. Voc\u00ea n\u00e3o precisa mais armazenar detalhes de conhecimento porque leva um segundo para encontr\u00e1-los. \u00c9 preciso ter cuidado\u201d, declara.<\/p>\n<p>Apesar das cr\u00edticas aos modelos atuais, o pesquisador n\u00e3o descarta avan\u00e7os futuros. Segundo ele, h\u00e1 estudos buscando aproximar sistemas artificiais do funcionamento cerebral, com redes mais din\u00e2micas, adaptativas e eficientes em energia. Essa mudan\u00e7a, ainda em desenvolvimento, poderia representar uma nova etapa na rela\u00e7\u00e3o entre intelig\u00eancia artificial e neuroci\u00eancia.<\/p>\n<p><em><strong>(Com informa\u00e7\u00f5es de Folha de S.Paulo)<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Magnific\/DC Studio)<\/strong><\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Modelos de IA podem ser \u00fateis, mas exigem conhecimento especializado quando envolvem valores, direitos e decis\u00f5es de impacto social<\/p>","protected":false},"author":10,"featured_media":20759,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[35],"tags":[13],"class_list":["post-20757","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ti","tag-sindical"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20757","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/10"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20757"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20757\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20760,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20757\/revisions\/20760"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20759"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20757"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20757"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20757"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}