{"id":9801,"date":"2025-06-26T10:01:27","date_gmt":"2025-06-26T13:01:27","guid":{"rendered":"https:\/\/fenati.org.br\/?p=9801"},"modified":"2025-06-26T11:43:24","modified_gmt":"2025-06-26T14:43:24","slug":"golpes-virtuais-estao-cada-vez-mais-sofisticados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/golpes-virtuais-estao-cada-vez-mais-sofisticados\/","title":{"rendered":"Golpes virtuais est\u00e3o cada vez mais sofisticados com ajuda da IA"},"content":{"rendered":"<p><strong>Golpes virtuais &#8211;<\/strong> P\u00e1ginas fraudulentas que simulam grandes lojas, campanhas promocionais irreais de produtos inexistentes e at\u00e9 perfis clonados do governo federal. Um novo levantamento da Lupa, intitulado \u201cA Jornada dos Golpes: como redes sociais e apps de mensagem s\u00e3o explorados por golpistas e fraudadores no Brasil\u201d, revela como os golpes virtuais se tornaram mais organizados e sofisticados.<\/p>\n<p>Com base em 142 casos apurados pela <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Ag%C3%AAncia_Lupa\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Lupa<\/a> entre 2020 e 2025, o relat\u00f3rio tra\u00e7a um panorama preocupante de fraudes digitais cada vez mais complexas e bem estruturadas. O estudo afirma que essas a\u00e7\u00f5es constroem \u201cverdadeiras jornadas fraudulentas\u201d, aproveitando-se de fragilidades emocionais, cognitivas e digitais das v\u00edtimas.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/fenati.org.br\/en\/chatgpt-trabalho-precarizado-custo-ambiental\/\">LEIA: Ascens\u00e3o do ChatGPT esconde trabalho precarizado e custo ambiental<\/a><\/strong><\/p>\n<p>A an\u00e1lise dos dados indica que 93% das fraudes analisadas ofereciam recompensas financeiras imediatas \u2014 como descontos, brindes ou promo\u00e7\u00f5es \u2014 apelando para o desejo de lucro r\u00e1pido. Muitas dessas pr\u00e1ticas tamb\u00e9m utilizavam nomes de empresas conhecidas ou pessoas p\u00fablicas para dar mais credibilidade \u00e0s ofertas falsas.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o primeiro relat\u00f3rio elaborado pelo Observat\u00f3rio Lupa, iniciativa criada para sistematizar padr\u00f5es de desinforma\u00e7\u00e3o, organizar dados e antecipar amea\u00e7as no meio digital com base na experi\u00eancia adquirida pela ag\u00eancia nos \u00faltimos dez anos.<\/p>\n<h4>L\u00f3gica de campanha publicit\u00e1ria<\/h4>\n<p>O estudo descreve que as fraudes seguem uma l\u00f3gica de \u201cjornada\u201d, estruturadas com recursos t\u00edpicos de marketing digital e engenharia social. O objetivo \u00e9 ganhar a confian\u00e7a da v\u00edtima para obter pagamentos ou dados sens\u00edveis.<\/p>\n<p>De acordo com o relat\u00f3rio, essas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o cada vez mais profissionais: os golpistas registram dom\u00ednios, produzem pe\u00e7as visuais elaboradas, investem em an\u00fancios pagos nas redes sociais e demonstram planejamento t\u00e9cnico. As fraudes se assemelham a campanhas de marketing, mas com inten\u00e7\u00e3o criminosa.<\/p>\n<p>Entre os m\u00e9todos mais usados est\u00e1 o phishing \u2014 t\u00e9cnica que envia mensagens com ofertas enganosas para capturar dados pessoais. Em 93% dos epis\u00f3dios analisados, os criminosos prometiam alguma vantagem financeira imediata. Os ataques costumam acontecer via WhatsApp, Facebook e Instagram, redirecionando os usu\u00e1rios para sites com visual profissional, onde s\u00e3o induzidos a preencher cadastros ou formul\u00e1rios \u2014 informa\u00e7\u00f5es posteriormente usadas em fraudes banc\u00e1rias, clonagens ou outras pr\u00e1ticas ilegais.<\/p>\n<p>O uso indevido de logotipos de marcas famosas e imagens de celebridades tornou-se uma t\u00e1tica predominante. Desde 2020, 77% das fraudes analisadas fizeram uso desse recurso. Em 2025, esse n\u00famero subiu para 90% dos casos verificados at\u00e9 maio. Os criminosos aproveitam a confian\u00e7a que o p\u00fablico deposita em figuras conhecidas e institui\u00e7\u00f5es leg\u00edtimas para tornar as armadilhas mais veross\u00edmeis.<\/p>\n<h4>Falsas promo\u00e7\u00f5es lideram estrat\u00e9gias<\/h4>\n<p>O setor mais explorado pelas fraudes \u00e9 o varejo. Entre os 142 golpes analisados, 62 (ou 43%) usaram como isca promo\u00e7\u00f5es, brindes ou descontos em grandes redes do com\u00e9rcio. As a\u00e7\u00f5es costumam se basear em datas comemorativas e campanhas promocionais falsas.<\/p>\n<p>Entre os exemplos documentados est\u00e3o um suposto kit de Natal da Bauducco e uma promo\u00e7\u00e3o enganosa da Saraiva que oferecia livros gratuitos. Tamb\u00e9m circularam falsos cupons de desconto atribu\u00eddos ao Outback, Carrefour e grandes varejistas como Casas Bahia, Magazine Luiza e Mercado Livre \u2014 principalmente em datas como a Black Friday.<\/p>\n<p>Outro foco recorrente dos golpistas s\u00e3o os programas sociais governamentais, envolvidos em 34 dos casos. Com o uso de linguagem institucional e explorando o interesse da popula\u00e7\u00e3o por benef\u00edcios p\u00fablicos, as fraudes convencem as v\u00edtimas de que t\u00eam direito a valores ou servi\u00e7os. Entre os alvos mais recorrentes est\u00e3o o Desenrola Brasil, o Aux\u00edlio Reconstru\u00e7\u00e3o (para v\u00edtimas das enchentes no RS), o INSS e o 13\u00ba sal\u00e1rio.<\/p>\n<h4>Uso de IA<\/h4>\n<p>O relat\u00f3rio tamb\u00e9m aponta um salto na profissionaliza\u00e7\u00e3o dos golpes a partir de 2023, com o uso crescente de intelig\u00eancia artificial (IA) para produzir deepfakes \u2014 v\u00eddeos falsos que simulam declara\u00e7\u00f5es de apresentadores, pol\u00edticos e influenciadores digitais, cujo prest\u00edgio \u00e9 explorado para dar legitimidade \u00e0s fraudes.<\/p>\n<p>Segundo o estudo, esse tipo de v\u00eddeo passou de tr\u00eas em todo o ano de 2024 para 11 apenas entre janeiro e maio de 2025. Tanto v\u00eddeos tradicionais quanto gerados por IA conferem uma apar\u00eancia convincente \u00e0s falsas promessas, estimulando o compartilhamento de informa\u00e7\u00f5es pelas v\u00edtimas. Imagens de personalidades p\u00fablicas s\u00e3o usadas para tornar os conte\u00fados ainda mais cr\u00edveis.<\/p>\n<p>Entre os casos recentes est\u00e1 um v\u00eddeo adulterado do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), em que ele supostamente orienta cidad\u00e3os a consultar \u201cvalores a receber\u201d por meio de um site falso. Em outra fraude, um v\u00eddeo forjado atribu\u00eda ao Reclame AQUI a cria\u00e7\u00e3o de um programa fict\u00edcio para ressarcimento de v\u00edtimas de golpes.<\/p>\n<p>Em abril de 2025, circulou um deepfake do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), no qual ele aparecia promovendo uma falsa indeniza\u00e7\u00e3o de R$ 10 mil oferecida pelo Nubank. A fraude era espalhada via WhatsApp e levava os usu\u00e1rios a um site que imitava a identidade visual do banco, onde as v\u00edtimas eram induzidas a inserir dados pessoais para receber o suposto valor.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da tecnologia, os golpistas se valem de t\u00e1ticas psicol\u00f3gicas que exploram fragilidades emocionais e cognitivas das pessoas. \u201cAs pessoas est\u00e3o mais expostas a esse tipo de manipula\u00e7\u00e3o porque o ambiente digital favorece a distra\u00e7\u00e3o e a pressa\u201d, afirma a diretora-executiva da Lupa, Nat\u00e1lia Leal.<\/p>\n<p>Esse conjunto de elementos \u2014 apelo emocional, apar\u00eancia profissional e uso de IA \u2014 \u00e9 o que torna os golpes digitais cada vez mais eficazes e perigosos.<\/p>\n<p><em><strong>(Com informa\u00e7\u00f5es de Lupa)<\/strong><\/em><br \/>\n<em><strong>(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o\/Freepik)<\/strong><\/em><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo analisou casos de golpes aplicados no Brasil e identificou que a\u00e7\u00f5es constroem \u201cjornadas fraudulentas\u201d aproveitando-se de fragilidades das v\u00edtimas<\/p>","protected":false},"author":11,"featured_media":9802,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[35],"tags":[13],"class_list":["post-9801","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ti","tag-sindical"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9801","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9801"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9801\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9804,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9801\/revisions\/9804"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9802"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9801"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9801"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/fenati.org.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9801"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}