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Empresas aceleram investimento em plataformas próprias de IA, aponta estudo

Pesquisa indica que autonomia em IA se torna prioridade estratégica para empresas. (Foto: Reprodução/Magnific/DC Studio)
Levantamento revela que a busca por soberania digital impulsiona investimentos em infraestrutura própria de inteligência artificial e dados, com impactos diretos na competitividade das empresas

Investimento – A soberania digital deixou de ser apenas um tema ligado à segurança da informação para se consolidar como uma prioridade estratégica nas organizações. É o que mostra um novo relatório global do MIT Technology Review Insights, produzido em parceria com a EDB Postgres AI, segundo o qual 95% das empresas em todo o mundo pretendem estabelecer suas próprias plataformas de inteligência artificial (IA) e dados nos próximos três anos.

O estudo, intitulado Establishing AI and data sovereignty in the age of autonomous systems (Estabelecendo soberania de IA e dados na era dos sistemas autônomos), ouviu mais de 2.050 executivos seniores em diversos países e aponta que investir em autonomia digital está diretamente relacionado ao aumento da competitividade.

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De acordo com o levantamento, 13% das organizações já são classificadas como “deeply committed” (profundamente comprometidas) com a soberania de IA. Essas empresas registram um retorno sobre investimento (ROI) aproximadamente cinco vezes superior ao de organizações menos engajadas, evidenciando uma relação praticamente direta entre o investimento em soberania digital e melhores resultados de negócios.

O relatório divide as empresas em quatro níveis de maturidade em soberania de IA: Deeply Committed (13%), Strivers (26%), Half-ins (34%) e Sideliners (27%).

Entre os principais fatores que impulsionam essa transformação estão a segurança e a resiliência, apontadas por 85% das organizações, seguidas pela localização de dados (data localization), com 74%, e pelo controle e propriedade sobre modelos de IA, citado por 72% dos entrevistados.

Outro dado relevante é que 45% das organizações adotam modelos híbridos, combinando infraestrutura local e em nuvem, contrariando a ideia de que soberania digital significa isolamento completo. O relatório também destaca que a ascensão da Agentic AI (IA agêntica) está colocando as estratégias de soberania à prova, exigindo níveis mais elevados de controle, accountability e observabilidade.

Como forma de orientar empresas interessadas em iniciar essa jornada, o estudo propõe o “90-Day Sovereignty Sprint”, um roteiro prático de 12 semanas que contempla o mapeamento de dados, a construção de uma fundação segura, testes com projetos reais e a implementação de seis componentes considerados críticos: infraestrutura soberana, migração de dados preparada para IA, integração de LLMs privados, controles de acesso, observabilidade e garantias de disponibilidade contínua.

Brasil acompanha movimento global

Segundo o relatório, o cenário também é favorável para o Brasil. O estudo chega em um momento em que o governo federal lançou, em maio de 2026, o SoberanIA, primeiro ecossistema comercial brasileiro de IA generativa em português, com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Paralelamente, o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) segue em discussão no Congresso, indicando a busca do país por maior autonomia tecnológica.

Para Ronaldo Oliveira, Head of Sales and Partnerships LATAM da EDB Postgres AI, o levantamento representa tanto um alerta quanto uma oportunidade para o mercado nacional.

“O relatório do MIT Technology Review Insights deixa claro que soberania digital não é mais uma opção – é um imperativo competitivo. As empresas brasileiras que agirem agora para construir suas próprias plataformas de IA e dados estarão na dianteira de um movimento global que já vale bilhões. O Brasil tem todas as condições de liderar essa agenda na América Latina, com iniciativas como o SoberanIA e o PBIA criando o ambiente regulatório e de incentivos. O dado de 5x de ROI para os ‘deeply committed’ mostra que o custo de não agir é maior do que o custo de investir.”

Impactos para as empresas brasileiras

O estudo realizado pela EDB Postgres AI em parceria com o MIT também aponta que 74% das organizações globais priorizam a localização dos dados, tema considerado especialmente relevante no Brasil devido às exigências da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) sobre o fluxo internacional de informações pessoais.

Nesse contexto, o relatório destaca que as empresas brasileiras podem obter benefícios como a redução de riscos regulatórios ao manter dados sob jurisdição nacional, maior controle sobre modelos de IA treinados com dados locais, preservando especificidades culturais e de mercado, vantagem competitiva em setores regulados — como saúde, finanças e governo —, além da oportunidade de fomentar a inovação por meio do ecossistema nacional de startups de IA voltadas para soluções soberanas.

“Os dados são a nova moeda de troca e representam a verdadeira propriedade intelectual das empresas”, afirma Ronaldo Oliveira, Head de Vendas e Parcerias Latam da EDB Postgres AI. “O grande receio dos líderes de negócios hoje é implantar aplicações com LLMs baseadas estritamente na nuvem pública e acabar perdendo sua posição competitiva e sua PI. A soberania digital resolve essa equação: ela remove o medo e dá a confiança necessária para que as empresas alimentem seus modelos com seus dados mais valiosos, extraindo o ROI máximo sem abrir mão das suas ‘joias da coroa’. No Brasil e na América Latina, onde o amadurecimento regulatório avança rapidamente, esse controle sobre o ambiente de decisão passou a ser uma condição de sobrevivência competitiva.”

O relatório também destaca tecnologias emergentes que podem ampliar a soberania digital sem comprometer o desempenho das aplicações, entre elas a confidencialidade computacional, a IA de ponta, a criptografia pós-quântica e o Postgres como fundação open-source.

(Com informações de TI Inside)
(Foto: Reprodução/Magnific/DC Studio)