Orçamento de TI – O agronegócio brasileiro projeta direcionar entre 10% e 20% do orçamento de Tecnologia da Informação (TI) para iniciativas de inovação em 2026. A estimativa faz parte da pesquisa Antes da TI, a Estratégia (ATI), conduzida pelo IT Forum Inteligência, e revela um setor que começa a superar a imagem de conservador quando o assunto é transformação tecnológica.
Se anteriormente o investimento digital caminhava paralelo às operações, agora ele passa a integrar o núcleo estratégico das empresas. A tecnologia deixa de atuar apenas como suporte e assume funções centrais, influenciando desde a logística e a rastreabilidade até a gestão de insumos e a tomada de decisões.
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Embora 67% dos orçamentos declarados para TI estejam concentrados na faixa entre R$ 30,1 milhões e R$ 50 milhões, o volume efetivo destinado à inovação tende a ser maior. Isso porque, para 57% das empresas ouvidas, projetos inovadores também recebem recursos de outras áreas, indicando que a transformação digital extrapola os limites da TI e passa a ser incorporada pelo negócio como um todo.
Tecnologia aplicada à rotina do campo
Essa mudança estratégica se reflete nas operações cotidianas. No agronegócio, eficiência significa precisão na entrega de insumos no momento certo do plantio, evitando atrasos e perdas.
Na cooperativa Coamo, a digitalização da gestão logística dos armazéns surgiu dessa necessidade operacional. A modernização busca reduzir a dependência de registros manuais e aumentar a confiabilidade das informações de estoque, etapa considerada crítica para atender milhares de produtores em janelas operacionais cada vez mais curtas.
Como resultado, houve padronização das rotinas logísticas e ganhos de eficiência no atendimento aos cooperados. O caso exemplifica como a aplicação prática de inteligência artificial e automação começa a redefinir a produtividade diretamente no fluxo do campo.
Rastreabilidade como diferencial competitivo
Paralelamente, a confiabilidade dos dados ganha relevância estratégica. Em um mercado cada vez mais conectado a critérios ambientais e financeiros globais, comprovar a origem e o modo de produção torna-se parte do valor agregado do produto agrícola.
Na uisa, projetos que integram blockchain, internet das coisas e inteligência artificial passaram a sustentar a rastreabilidade da produção e apoiar estruturas financeiras atreladas a ativos sustentáveis. Nesse cenário, a tecnologia não apenas organiza processos internos, mas amplia a transparência e fortalece a relação com investidores e mercados internacionais.
O movimento sinaliza uma transição silenciosa: dados operacionais passam a ter impacto econômico direto e a compor a estratégia corporativa.
Prioridades tecnológicas
De acordo com a ATI, as áreas de tecnologia do agronegócio concentram esforços em soluções capazes de gerar retorno mais imediato. Entre as prioridades para os próximos 12 meses estão inteligência artificial e aprendizado de máquina (71%), IA generativa (57%) e armazenamento, cópia de segurança e imutabilidade de dados (57%).
Outras frentes, como computação em nuvem pública (43%), automação avançada de processos (29%) e realidade aumentada (29%), aparecem em segundo plano, refletindo uma escolha pragmática por tecnologias voltadas à eficiência operacional.
(Com informações de IT Fórum)
(Foto: Reprodução/Divulgação/Ministério das Comunicações)