Federação Nacional dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação

AGU cobra Google contra imagens íntimas geradas por IA

AGU cobra Google contra imagens íntimas falsas geradas por IA

Medida mira conteúdos produzidos com IA e aponta impacto sobre mulheres e menores de idade

AGU cobra Google – A Advocacia-Geral da União (AGU) notificou o Google para retirar de seus resultados de busca páginas que oferecem ferramentas capazes de criar imagens íntimas falsas com uso de inteligência artificial. A medida foi formalizada nesta quarta-feira (01/4) e tem como objetivo conter a circulação de conteúdos produzidos sem consentimento, a partir de rostos e corpos de pessoas reais.

O pedido foi encaminhado por meio de notificação extrajudicial, após provocação da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom-PR). A iniciativa se apoia em um estudo da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro (FGV-Rio), que analisa os impactos dessas plataformas e aponta riscos à proteção de direitos e à segurança digital, especialmente para grupos mais vulneráveis.

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No documento, a Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia (PNDD) destaca o aumento do uso de termos como “nudify” em buscas realizadas no Brasil desde 2023. Segundo a pesquisa citada, mulheres, crianças e adolescentes aparecem como os principais alvos desse tipo de prática, que utiliza técnicas de deepfake para simular conteúdos de caráter sexual.

A AGU estabeleceu prazo de cinco dias para que o Google adote duas medidas principais. A primeira é a retirada de páginas já identificadas, uma lista com mais de 40 links foi anexada à notificação. A segunda é a criação de mecanismos automatizados que impeçam o registro de novos sites com funcionamento semelhante.

O órgão também menciona estudos nacionais e internacionais que apontam para o avanço de um ambiente hostil nas redes, marcado por ataques direcionados a mulheres e intensificado pelo uso dessas tecnologias. Um dos exemplos citados é um relatório divulgado em 2025 por uma entidade pública independente ligada ao sistema educacional da Inglaterra, que analisa o problema sob a ótica da proteção de menores.

Embora reconheça a responsabilidade de quem cria e divulga esse tipo de conteúdo, a AGU argumenta que a própria disponibilização dessas páginas em ferramentas de busca contribui para ampliar a prática. Segundo o órgão, “a disponibilidade/indexação dessas ferramentas e sites pelo buscador do Google (ainda que não se consubstancie em hospedeiro direto) tem o condão de facilitar o acesso massivo a essas mesmas ferramentas, alçando-as à mesma categoria de qualquer outro item lícito de busca/interesse”.

(Com informações de Convergência Digital)
(Foto: Reprodução/Freepik/DCStudio)

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