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Ex-denunciante da indústria do cigarro compara redes sociais ao vício em tabaco

Bioquímico conhecido por denunciar práticas da indústria do tabaco aponta semelhanças com o funcionamento das plataformas digitais
Plataformas digitais viciam jovens tal qual o cigarro, diz ex-executivo
Plataformas digitais viciam jovens tal qual o cigarro, diz ex-executivo

Redes sociais – O bioquímico Jeffrey Wigand, ex-executivo do setor de cigarros e conhecido por denunciar práticas controversas da indústria, afirma que as redes sociais são projetadas para gerar dependência, especialmente entre adolescentes. Ele abordou o tema em entrevista ao jornal britânico.

“A indústria do tabaco — assim como as empresas de redes sociais — viciava as pessoas intencionalmente, especialmente crianças, para poder usá-las como fonte de renda. Quando você começa a se viciar, precisa de cada vez mais da substância química que causa o efeito. Eles desenvolvem programas deliberadamente e intencionalmente que exploram as vulnerabilidades de nossas crianças”, comenta.

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Segundo Wigand, a lógica por trás das plataformas digitais segue padrões semelhantes aos utilizados anteriormente por fabricantes de cigarro, ao buscar maximizar o engajamento e a permanência dos usuários.

Decisão judicial e impacto nas plataformas

O especialista menciona ainda uma decisão recente que responsabilizou empresas como Meta e YouTube. O entendimento do caso apontou que as interfaces dessas plataformas foram estruturadas de forma a estimular o uso compulsivo entre jovens.

A ação teve como base o relato de uma adolescente norte-americana, que atribui aos aplicativos o agravamento de problemas relacionados à saúde mental.

Vulnerabilidade do público jovem

De acordo com Wigand, a eficácia desse tipo de estratégia está diretamente ligada ao estágio de desenvolvimento do cérebro de crianças e adolescentes.

“Quando criança, é difícil entender o que é prejudicial. Ela pensa: se é divertido e dá uma sensação boa, por que não continuar fazendo? Esse é o problema do vício: ele te prende a um padrão de comportamento”, argumenta.

Ele destaca que esse público tende a ser mais suscetível a mecanismos de recompensa imediata, o que amplia o risco de dependência.

Possíveis restrições e regulação

O bioquímico defende a criação de limites mais rígidos para o acesso de jovens a determinados conteúdos digitais, inclusive com base em critérios de idade — proposta que dialoga com iniciativas recentes de regulação no Brasil.

“É o mesmo que acontece com o tabaco: podemos tentar aumentar a idade mínima para que os jovens tenham acesso às redes sociais”, especula Wigand, que não deixa os filhos usarem esse tipo de plataforma por considerá-las “más”.

Relato pessoal e alerta a profissionais

Wigand também relembrou sua trajetória como informante na indústria do tabaco e aconselhou profissionais da área de tecnologia que se sentem desconfortáveis com os impactos de seus produtos a refletirem sobre suas decisões.

“Eles pegaram minha experiência médica de duas décadas e a aplicaram a um produto que, quando usado conforme as instruções, pode não apenas matar o usuário, mas também ferir pessoas inocentes. Essa nunca foi minha intenção”, conclui.

(Com informações de TecMundo)
(Foto: Reprodução/Freepik/yuranikof)

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