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Brecha em smartwatches pode expor informações pessoais sensíveis

Smartwatches – Um estudo conduzido por pesquisadores do Worcester Polytechnic Institute, nos Estados Unidos, indica que smartwatches com conexão celular ativa podem expor informações sensíveis por meio de emissões eletromagnéticas geradas pelo próprio aparelho. Esses sinais, segundo os autores, podem ser captados e analisados para revelar hábitos, atividades e até dados relacionados à saúde dos usuários.

A pesquisa foi publicada na revista Lecture Notes in Computer Science e ainda está em estágio inicial. Nos testes realizados, o sistema criado pelos cientistas funcionou com precisão apenas quando o relógio estava a aproximadamente 12 centímetros do equipamento de coleta. Apesar da limitação de distância, os pesquisadores avaliam que a demonstração expõe uma vulnerabilidade pouco explorada na área de cibersegurança.

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Para investigar a possibilidade de vazamento indireto de informações, a equipe desenvolveu um sistema chamado MagWatch. A ferramenta foi projetada para explorar falhas conhecidas como “canais laterais”, técnica que permite extrair dados a partir de sinais indiretos emitidos por dispositivos eletrônicos, como consumo de energia ou radiação eletromagnética.

O MagWatch reúne um sensor compacto capaz de captar os sinais do smartwatch, um algoritmo para refinar as informações coletadas e recursos de inteligência artificial responsáveis por interpretar os padrões identificados. O estudo analisou relógios inteligentes com sistemas Android e Apple que utilizavam conexão celular ativa. Modelos que funcionam exclusivamente via Bluetooth não foram incluídos, já que tendem a emitir menos sinais eletromagnéticos.

Durante os experimentos, os pesquisadores posicionaram um coletor sob uma mesa e monitoraram relógios próximos. A partir dos dados captados, conseguiram associar padrões específicos ao uso de aplicativos de música, vídeo, redes sociais, navegação, saúde e serviços bancários. Em alguns casos, também foi possível identificar ações realizadas dentro dos aplicativos, como envio de mensagens de texto ou gravação de áudio.

Para os autores, a principal preocupação não se limita ao dispositivo em si, mas ao uso potencial dessas informações. A identificação de padrões comportamentais pode servir para a criação de perfis detalhados de usuários, com aplicações que vão desde publicidade direcionada até práticas criminosas.

O estudo também alerta que esse tipo de técnica pode ser combinado com estratégias de engenharia social, nas quais golpistas utilizam dados pessoais para ganhar a confiança da vítima e obter informações confidenciais.

Como próximos passos, a equipe pretende avaliar como fatores como movimentação do usuário e interferências do ambiente podem impactar a eficácia desse tipo de coleta. Entre as possíveis medidas de proteção discutidas estão o reforço na blindagem dos dispositivos, a criação de regras mais rígidas sobre coleta de dados e o desenvolvimento de tecnologias capazes de impedir a captação não autorizada de sinais.

Segundo os pesquisadores, dispositivos vestíveis ampliam a conveniência e o monitoramento contínuo da saúde, mas também podem aumentar a superfície de exposição a ameaças digitais. Para eles, ampliar a conscientização sobre esses riscos é essencial para o avanço da segurança cibernética.

(Com informações de Olhar Digital)
(Foto: Reprodução/Freepik)

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