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Burnon: A síndrome que alerta para os perigos da hiperprodutividade

Perigos da hiperprodutividade – Em um mundo onde a produtividade é celebrada, uma nova síndrome surge como um alerta silencioso para os perigos do excesso de dedicação: o burnon. Definida como uma “prima” do burnout, ela traz sinais sutis, mas com potencial de impactar a saúde física e mental do indivíduo. Diferentemente do burnout, já reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como doença ocupacional, o burnon é caracterizado por produtividade em excesso, que mascara o esgotamento.

De acordo com a neurocientista Caroline Garrafa, da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, o burnon é um estado de constante alerta mental, impulsionado por altos níveis de cortisol, o hormônio do estresse. “O cérebro fica em constante estado de alerta, e o cortisol, hormônio do estresse, está em altos níveis no organismo. A pessoa ainda é funcional, atua no piloto automático e apresenta hiperprodutividade, sem perceber que extrapolou limites.”, explica.

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Foi dessa maneira que a engenheira de software Nathalia Alpino, de 37 anos, descreveu sua rotina enquanto sofria com o burnon. Trabalhando em uma empresa no interior de São Paulo, ela acumulava horas extras e responsabilidades que iam além o esperado. “Vesti a camisa e tinha o pensamento de dona do negócio”, relembra. Mesmo enfrentando esgotamento emocional e compulsão alimentar, Nathalia continuou suas atividades diárias, até que, após o nascimento do filho, precisou deixar o trabalho. “Tive depressão pós-parto e, mesmo sem ter sido diagnosticada, tenho certeza de que vivi o burnon”.

Segundo a psicóloga Rejane Sbrissa, o burnon é uma forma mascarada de depressão. Enquanto o burnout leva ao colapso funcional, o burnon se instala de maneira crônica, afetando não apenas a vida profissional, mas também a pessoal. “São sinais sutis, podendo ser confundidos com dedicação e comprometimento. Há uma negligência no autocuidado e um descontentamento geral”, afirma.

Especialistas apontam que a prevenção ao burnon exige mudanças no ambiente de trabalho e na maneira de levarmos a vida. Samantha Padilha, Head de Gente e Gestão da empresa It Lean, destaca a importância de líderes capacitados para identificar sinais de desgaste e promover uma cultura de diálogo aberto.

“Para evitar a evolução do burnon para o burnout, é fundamental manter uma comunicação aberta, com feedback construtivo, encorajando os colaboradores a expressarem suas preocupações”, comenta. “Ser vulnerável é um ato de coragem”.

(Com informações de O Globo)
(Foto: Reprodução)

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