Federação Nacional dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação

Cade mantém multa contra Meta por chatbots no WhatsApp

Cade mantém multa contra Meta por chatbots no WhatsApp

Órgão aponta possível descumprimento de medida preventiva e mantém penalidade

Multa contra Meta – O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) decidiu manter a multa diária de R$ 250 mil aplicada à Meta por mudanças no funcionamento do WhatsApp que restringem a atuação de serviços concorrentes de inteligência artificial. A penalidade segue válida enquanto a empresa não comprovar o cumprimento das determinações impostas pelo órgão.

O impasse teve início em 2025, quando a companhia anunciou novos termos para a plataforma. As alterações passaram a impedir que desenvolvedores de chatbots de IA oferecessem seus serviços dentro do aplicativo, o que, até então, era comum. Com isso, apenas a solução de inteligência artificial da própria empresa permaneceria disponível.

LEIA: Novo vírus amplia ataques a bancos através do Telegram

Diante das mudanças, o CADE abriu investigação em janeiro deste ano para analisar possível abuso de posição dominante. Ao mesmo tempo, determinou, por meio de medida preventiva, a suspensão imediata das novas regras, sob pena de multa em caso de descumprimento.

Agora, a Superintendência-Geral do órgão reforçou a decisão e manteve a cobrança diária até que a empresa se ajuste. A Meta tem prazo de cinco dias corridos para apresentar as alterações exigidas, enquanto a investigação continua em andamento.

A medida também estabelece que o WhatsApp deve seguir permitindo a atuação de chatbots de IA de uso geral, impedindo a exclusão desses serviços da plataforma durante a apuração.

Mesmo sinalizando que adotaria providências, a empresa informou que passaria a cobrar por um tipo específico de mensagem enviada por chatbots a usuários no Brasil a partir de 11 de março de 2026. A decisão levou a área técnica do CADE a solicitar esclarecimentos.

Em resposta, a Meta argumentou que a cobrança segue uma lógica econômica e defendeu que não há obrigação de oferecer acesso gratuito à plataforma. Segundo a companhia, a gratuidade poderia gerar impactos operacionais e concorrenciais.

A disputa se intensificou após o CADE identificar o descumprimento da medida preventiva a partir de 17 de março de 2026, iniciando um procedimento administrativo e mantendo a aplicação da multa diária.

A empresa recorreu, alegando que não houve intimação formal válida e que a comunicação por e-mail teria caráter apenas informativo. Também argumentou que a cobrança sobre mensagens de chatbots não estaria prevista na decisão original.

Por outro lado, a área técnica do Cade afirmou que a empresa teve ciência da decisão, o que garante a validade do processo, independentemente de publicação no Diário Oficial da União. O órgão também avaliou que a cobrança altera as condições de acesso à plataforma, o que caracteriza descumprimento da medida preventiva.

(Com informações de Tecmundo)
(Foto: Reprodução/Freepik/rafapress)

Compartilhe:

Outras publicações