IA – Rodovias que cortam cidades do Triângulo Mineiro começaram a ser monitoradas por câmeras equipadas com inteligência artificial (IA) capazes de identificar infrações graves de trânsito. A tecnologia, considerada inédita em rodovias estaduais privatizadas em Minas Gerais, já está em funcionamento em trechos da BR-365, entre Uberlândia e Patrocínio.
O sistema é operado pela concessionária EPR Triângulo em parceria com a Agência Reguladora de Transportes do Estado de Minas Gerais (Artemig), a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Polícia Militar Rodoviária de Minas Gerais (PMRv). As câmeras capturam imagens, processam os dados com auxílio da IA e enviam alertas quase instantâneos para os órgãos de fiscalização.
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De acordo com um levantamento prévio da EPR, cerca de 10% dos motoristas ou passageiros flagrados nesses trechos não utilizavam o cinto de segurança. A expectativa é que a tecnologia contribua para a redução de acidentes e seja ampliada para outros pontos da malha viária, como as regiões de Nova Ponte e Monte Carmelo.
Como funciona o sistema
Segundo o coordenador de Operações da EPR Triângulo, Alexandre Hummel, as câmeras realizam a leitura das placas e o monitoramento do interior dos veículos, inclusive aqueles com vidros escuros, para identificar condutas que desrespeitam a legislação de trânsito. Entre as infrações detectadas estão:
• Falta de uso do cinto de segurança;
• Uso do celular ao volante;
• Condução com apenas uma mão no volante;
• Circulação com farol apagado em rodovias onde o uso é obrigatório.
Ainda conforme o coordenador, a inteligência artificial não é responsável por aplicar multas, mas por identificar possíveis irregularidades e encaminhar as informações aos agentes responsáveis pela autuação.
“Então ela [a câmera] faz essa identificação. Esse trabalho da IA acaba ajudando os policiais rodoviários federais que fazem essa fiscalização, no seu trabalho do dia a dia, por conta de ser uma fiscalização remota. Não é a inteligência artificial que faz a autuação, ela identifica, aponta e mostra para o agente. Esse agente, ao momento que ele identificou a infração de trânsito pela IA, ele vai e faz aquela autuação”, explicou Hummel.
O sistema permite que a fiscalização ocorra de forma remota e contínua, sem a necessidade de abordagem direta ao motorista ou deslocamento das equipes até o local da infração. As câmeras funcionam 24 horas por dia e enviam alertas imediatos para análise dos agentes.
Outro ponto destacado é o caráter preventivo da tecnologia. De acordo com Alexandre Hummel, a presença visível de viaturas costuma gerar apenas uma mudança momentânea no comportamento dos motoristas, que reduzem a velocidade ou interrompem a infração temporariamente.
Com os equipamentos instalados em locais estratégicos e sem sinalização aparente, a fiscalização se torna permanente e imprevisível, o que, segundo ele, estimula uma condução mais segura ao longo de todo o trajeto.
“Com a câmera remota, nós não sabemos ao certo onde ela está e isso acaba inibindo a pessoa de cometer a infração. Então ela mantém de forma correta fazendo a sua dirigibilidade, vai dirigir com as duas mãos, não vai estar atenta ao celular e vai estar em segurança, com os faróis acesos ao longo de toda a rodovia. Esse é o maior benefício, o maior auxílio para a PRF”, destacou.
(Com informações de g1)
(Foto: Reprodução/Freepik)