A redução dos juros anunciada nesta semana pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central – que baixou a Selic de 14,75% para 14,50% ao ano – foi recebida com críticas pelo movimento sindical, que também realizou, um dia antes do anúncio do Copom, um protesto em frente à sede da autoridade monetária, na Avenida Paulista, em São Paulo. A mobilização cobrou cortes mais consistentes na Selic e mudanças na condução da política monetária, considerada distante das necessidades da população trabalhadora.
Embora represente continuidade no ciclo de queda iniciado anteriormente, as centrais avaliam que a redução foi insuficiente e não sinaliza, com clareza, uma trajetória mais firme de diminuição dos juros. A preocupação das entidades é de que a taxa permaneça em um patamar elevado por mais tempo, mantendo seus efeitos negativos sobre a economia.
Para Antonio Neto, presidente da CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros) e fundador da Fenati (Federação Nacional dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação), o corte anunciado está aquém do necessário. Segundo ele, o país precisa avançar em um projeto mais amplo de desenvolvimento. “A redução dos juros é uma sinalização importante, mas muito insuficiente para um país que precisa, mais do que nunca, de um Projeto Nacional de Desenvolvimento. Não há nada que justifique uma taxa de juros neste patamar tão elevado”, afirmou ele, que também preside o Sindpd-SP (Sindicato dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação de São Paulo).
O presidente da CTB, Adilson Araújo, criticou a decisão do Copom e reforçou que a insatisfação das centrais deve se refletir também nas mobilizações do 1º de Maio. “Essa política de juros altos não apenas prejudica o crescimento econômico, pois compromete também a própria capacidade do Estado de cumprir sua função social. O orçamento é público, mas, lamentavelmente, está sendo capturado por uma política que coloca o Brasil na condição de segundo país com a maior taxa de juros do mundo. Quem perde com isso? Não tenha dúvida: é o povo”, falou.
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O presidente da UGT, Ricardo Patah, também considera que o nível atual da Selic segue incompatível com as necessidades do país. Segundo ele, juros elevados restringem o crescimento, dificultam investimentos e impactam diretamente o consumo das famílias. “Quem mais sofre com isso são os trabalhadores, que veem diminuir as oportunidades de emprego e renda”, pontuou, defendendo uma política monetária alinhada ao fortalecimento do mercado interno.
Em nota, o presidente da Força Sindical, Miguel Torres, afirmou que havia espaço para uma redução mais expressiva da taxa e criticou os efeitos da política monetária adotada nos últimos anos. Segundo ele, os juros elevados encarecem o crédito em toda a economia, restringem investimentos e prejudicam a geração de empregos e renda, além de contribuírem para o alto nível de endividamento das famílias.
Já representantes da CUT destacaram que o Brasil continua operando com uma das maiores taxas de juros reais do mundo, mesmo diante de indicadores positivos recentes no mercado de trabalho. Para o secretário de Assuntos Socioeconômicos da Contraf-CUT, Walcir Previtale, o problema dos juros elevados tem caráter estrutural e segue sendo agravado pela atual condução da política monetária, o que faz com que grande parte da renda da população seja absorvida pelo sistema financeiro.
A presidenta da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), Sônia Zerino, destacou que a redução de 0,25 ponto percentual é insuficiente para destravar a economia. Em sua avaliação, o juro real segue excessivamente alto, dificultando o acesso ao crédito e comprometendo o desenvolvimento nacional. Ela também chamou atenção para o contraste entre os lucros do sistema financeiro e o aumento das dificuldades enfrentadas pela população para honrar suas dívidas.
Outro ponto levantado pelas lideranças sindicais diz respeito ao impacto fiscal dos juros altos. Segundo elas, cada ponto percentual da Selic representa bilhões de reais direcionados ao pagamento da dívida pública, reduzindo a capacidade do Estado de investir em áreas essenciais como saúde, educação e infraestrutura.
As centrais reforçam a necessidade de uma mudança mais profunda na orientação da política econômica, com redução consistente dos juros, ampliação do crédito e estímulo à produção. Para as entidades, o movimento é essencial para viabilizar uma estratégia nacional voltada ao desenvolvimento, fortalecendo o mercado interno, gerando empregos e trazendo melhores condições de vida para os trabalhadores.
(Com informações de Portal Vermelho)
(Foto: Reprodução/Rádio Peão/Jaelcio Santana)
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