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China aposta em capacidade energética para avançar em IA

China – Relatórios governamentais de dezembro indicam que a estratégia chinesa para o setor de inteligência artificial incorpora um foco além da fabricação de semicondutores: a geração de energia. As projeções apontam que as usinas recém-construídas no país em 2025 somarão 470 gigawatts (GW). Para o mesmo período, a Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos estima um acréscimo de 64 GW. Os dados mostram que a China adicionou sete vezes mais capacidade em um ano, um fator que impacta diretamente a escala de computação disponível para IA.

Este cenário reflete uma tendência de longo prazo. A capacidade total de geração da China ultrapassou a dos Estados Unidos em 2013 e, em 2024, era 150% maior. Pequim projeta ampliar a capacidade nacional em 50% entre 2024 e 2030.

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Em termos de produção efetiva, a estimativa para a China em 2025 é de 10 trilhões de quilowatts-hora, volume cerca de 140% superior ao americano. A manutenção desses índices é apontada como essencial para o país preservar sua hegemonia industrial e tecnológica.

A análise do setor de IA incorpora, atualmente, a capacidade de alimentar infraestruturas de processamento. Data centers consomem grandes volumes de energia, e o custo da tarifa é uma variável relevante.

Informações do The Wall Street Journal indicam que os preços de eletricidade para data centers na China podem chegar a US$ 0,03 por quilowatt-hora, valor aproximado de um terço do praticado nos Estados Unidos. Essa diferença de custo favorece o treinamento e a inferência de modelos em larga escala onde há infraestrutura disponível.

Enquanto a China expande sua matriz, um relatório do Morgan Stanley projeta que os Estados Unidos podem enfrentar um déficit de 44 GW de energia para data centers até 2028. No mesmo período, a Academia Chinesa de Tecnologia da Informação e Comunicações estima que o consumo de data centers na China passará de 1,7% do total em 2024 para 5,3% até 2030.

Matriz energética renovável

A expansão da capacidade chinesa é atribuída, predominantemente, a fontes renováveis. As estimativas indicam que solar e eólica responderão por 80% da nova capacidade, comparado a 60% nos Estados Unidos. Adicionalmente, a China está construindo 27 reatores nucleares, com a perspectiva de ultrapassar a capacidade nuclear dos EUA até 2030. Essa combinação de fontes visa oferecer custo e previsibilidade de abastecimento para a operação de data centers.

A disponibilidade de energia impacta a geografia de investimentos em tecnologia. Regiões com eletricidade mais barata e infraestrutura de transmissão adequada tendem a atrair centros de computação, cadeias de fornecedores e mão de obra especializada.

Vantagem competitiva

Restrições à exportação de semicondutores avançados pelos Estados Unidos têm marcado o setor tecnológico. Em resposta, a abordagem chinesa considera que o menor custo energético pode permitir o uso de um volume maior de hardware para atingir poder computacional necessário.

A análise da SemiAnalysis cita a Huawei como exemplo: embora o sistema da empresa seja competitivo, seus chips ainda são considerados de menor performance em comparação a concorrentes internacionais, o que leva à necessidade de utilizar um número maior de unidades.

Em ambientes com tarifas reduzidas, estratégias que utilizam mais máquinas (escala horizontal) tornam-se viáveis economicamente. Empresas locais, como DeepSeek e Alibaba, continuam desenvolvendo modelos de linguagem de alto desempenho.

Para CIOs e líderes de infraestrutura, a disponibilidade de energia e GPUs define a capacidade de expansão de IA. Isso influencia decisões sobre localização de ‘workloads’ (quantidade de processamento que um sistema executa em um determinado período), ‘colocation’ (disponibilização de infraestrutura para hospedar servidores de sua empresa em um Data Center alugado) e estratégias de nuvem. A manutenção de tarifas inferiores na China pode afetar o cálculo de custo total de propriedade (TCO) da indústria global de computação.

A governança de dados e ‘compliance’ também é afetada pela migração de cargas para novas regiões em busca de eficiência energética. Além disso, a interdependência entre sistemas digitais e infraestrutura elétrica amplia a superfície de riscos cibernéticos. Pontos de atenção incluem a segurança da infraestrutura de transmissão, a complexidade operacional de data centers em expansão e a gestão de riscos na cadeia de fornecedores.

Perspectivas

O mercado deve acompanhar a capacidade da China em sustentar tarifas baixas, a velocidade de construção de infraestrutura e a evolução dos chips locais. Em correspondência ao governo americano, a OpenAI afirmou que a China tem tratado a capacidade energética como base da competitividade industrial. Os indicadores sugerem que disputa envolve múltiplas variáveis de infraestrutura, rede e eletricidade, o que coloca a China em uma posição de vantagem competitiva.

(Com informações de IT Show)
(Foto: Reprodução/Freepik/pixelshunter)

Julia Stoever

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Julia Stoever
Tags: sindical

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