Federação Nacional dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação

China coloca inteligência artificial no centro do novo plano

China coloca inteligência artificial no centro do novo plano econômico

Projeto prevê integrar inteligência artificial à indústria, logística, saúde e transporte nos próximos anos

Inteligência artificial no centro – O governo chinês afirmou que o país já ocupa posição de liderança global no desenvolvimento de inteligência artificial e apresentou um plano estratégico para ampliar essa vantagem ao longo dos próximos anos. A iniciativa integra o novo planejamento econômico nacional e coloca tecnologias avançadas no centro das políticas de crescimento.

O projeto foi apresentado em um relatório da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, órgão responsável pelo planejamento estratégico da economia. O documento acompanha o plano econômico para os próximos cinco anos e reforça a prioridade dada à inovação tecnológica como impulsionador do desenvolvimento do país.

LEIA: Auditoria no Empresa Cidadã corta 71% dos cadastros e afeta licença-maternidade ampliada

Além da inteligência artificial, o governo destacou avanços em áreas como computação quântica, biomedicina e robótica. A proposta faz parte de um esforço mais amplo para reduzir a dependência em tecnologias estrangeiras e consolidar a posição da China como potência científica e industrial.

O primeiro-ministro Li Qiang apresentou a estratégia que gira em torno principalmente de um conceito chamado “AI+”. A proposta prevê a introdução de sistemas de inteligência artificial em quase todos os setores produtivos da economia.

A ideia é utilizar algoritmos avançados em atividades que envolvem manufatura, logística, saúde, educação e transporte. Em vez de tratar a inteligência artificial como um componente isolado da economia, o plano propõe transformá-la em um pilar tecnológico capaz de intensificar a produtividade e inovação em diferentes áreas.

Para sustentar esse processo, o país pretende ampliar rapidamente sua capacidade de computação. O governo planeja construir grandes centros de processamento de dados para treinar e operar modelos de inteligência artificial cada vez mais complexos, utilizando energia de baixo custo para sustentar essas operações.

Outro ponto destacado na estratégia é o incentivo a comunidades de código aberto. A decisão busca fortalecer um sistema tecnológico próprio e ampliar a capacidade de competição com plataformas estrangeiras.

A indústria de semicondutores aparece como um dos temas mais sensíveis do plano. O governo afirmou que houve avanços na produção nacional de chips, considerados essenciais para garantir autonomia tecnológica e sustentar o desenvolvimento de sistemas avançados de inteligência artificial.

Nos últimos anos, os Estados Unidos impuseram restrições à exportação de semicondutores avançados e de equipamentos de fabricação destinados a empresas chinesas. As medidas buscam limitar o avanço tecnológico em áreas estratégicas.

Como resposta, a China intensificou investimentos para fortalecer sua produção interna. O objetivo é reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros e garantir o acesso aos componentes necessários treinar grandes modelos de inteligência artificial.

A estratégia também inclui o desenvolvimento de tecnologias que unem inteligência artificial a sistemas físicos. Entre as áreas prioritárias estão robôs humanoides, interfaces cérebro-máquina e redes de comunicação de próxima geração, como o 6G.

Essas iniciativas fazem parte do conceito de inteligência artificial incorporada, em que algoritmos passam a controlar máquinas capazes que interagem diretamente com o ambiente. A meta é ampliar o uso da automação em fábricas, centros logísticos e outros setores produtivos, aumentando a eficiência industrial.

O plano apresentado deverá guiar o próximo ciclo de planejamento econômico da China, previsto para o período de 2026 a 2030. Nesse novo plano, tecnologias como inteligência artificial, computação avançada e robótica passam a ocupar função essencial na política industrial.

O anúncio ocorreu em meio à intensificação da disputa tecnológica entre China e Estados Unidos. Nos próximos meses, uma reunião entre os presidentes Xi Jinping e Donald Trump deve tratar de temas como cadeias globais de suprimentos, exportação de tecnologia e controle de inteligência artificial.

As negociações podem influenciar o equilíbrio tecnológico global nas próximas décadas. Ao divulgar o novo plano, Pequim sinaliza que a corrida pela liderança em inteligência artificial já ultrapassa o campo científico e envolve também interesses econômicos, industriais e geopolíticos.

(Com informações de gizmodo)
(Foto: Reprodução/Freepik/pixelshunter)

Compartilhe:

Outras publicações