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Cientistas criam robôs que se reorganizam e seguem funcionando após danos

Cientistas criam robôs que se reorganizam e seguem funcionando após danos

Novas "metamáquinas" utilizam algoritmos evolutivos para reorganizar sua estrutura e retomar funções após sofrerem danos catastróficos

Robôs que se reorganizam – Tradicionalmente, um pequeno defeito em uma engrenagem ou falha em um motor é o suficiente para transformar robôs complexos em sucata eletrônica. No entanto, uma equipa de investigadores da Northwestern University, nos EUA, desafiou essa limitação ao apresentar uma nova linhagem de máquinas que se recusa a aceitar a derrota.

Apelidadas de “metamáquinas”, estas criaturas não são projetadas como um bloco único, mas sim como uma colmeia de módulos independentes que, agindo em conjunto, formam um organismo artificial capaz de sobreviver a danos que seriam fatais para robôs convencionais.

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Cada um destes módulos funciona como um minirrobô completo, equipado com bateria, motor, computador e o que os cientistas definem como “nervos e músculos”. Enquanto um módulo isolado tem funções limitadas, a união de vários componentes gera uma notável capacidade de adaptação morfológica.

O professor assistente de informática e especialista em biorrobótica, Sam Kriegman, explica que o funcionamento do sistema é guiado por um algoritmo evolutivo que imita a seleção natural. A máquina não possui forma fixa, moldando-se conforme as exigências do ambiente. “Dentro da esfera, o robô tem tudo o que precisa para sobreviver: um ‘sistema nervoso’, um ‘metabolismo’ e ‘músculos’”, afirmou Kriegman, que também atua como professor assistente de ciência da computação, engenharia mecânica e engenharia química e biomédica, em comunicado à imprensa.

Para avaliar a resistência, a equipa submeteu modelos de três, quatro e cinco pernas a terrenos complexos, incluindo lama, areia, raízes de árvores e tijolos irregulares. Os robôs demonstraram habilidade para saltar, girar e recuperar-se de quedas sem necessidade de treino prévio.

O diferencial mais marcante ocorre quando um dos membros é removido ou arrancado. Em vez de um erro crítico, o sistema reage de duas formas: compensação imediata, na qual os módulos restantes identificam a falha e reorganizam a sua forma e ritmo para manter o movimento; e reintegração autônoma, onde o membro separado consegue rolar sozinho de volta à estrutura principal e acoplar-se novamente, restaurando a funcionalidade total.

Embora ainda não possuam sensores externos para “ver” o ambiente, estas máquinas conseguem sentir a sua própria orientação e identificar alterações na estrutura física. Esta flexibilidade promete transformar setores onde a manutenção humana é inviável. Entre as aplicações potenciais estão robôs de resgate em cenários de catástrofes, que podem perder partes do corpo sob escombros e continuar a avançar, e sondas espaciais capazes de realizar autorreparos em planetas distantes.

Enquanto o mercado se volta para robôs humanoides de interação social, a Northwestern University aposta em um hardware que, tal como as lagartixas, encara a perda de um membro como um contratempo temporário, sinalizando que a era dos robôs descartáveis pode estar próxima do fim.

(Com informações de Hardware)
(Foto: Reprodução/Freepik/mixzer/Imagem gerada por IA)

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