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Com ajuda da tecnologia, megaprojeto urbano planeja “cidade do futuro” do zero

Com ajuda da tecnologia, megaprojeto urbano planeja “cidade do futuro” do zero

Uzbequistão decidiu construir cidade do zero como resposta à superlotação da atual capital com investimento de US$ 30 bilhões

Cidade do futuro – Enquanto muitas grandes cidades tentam se reinventar para lidar com o crescimento populacional acelerado, o Uzbequistão decidiu seguir um caminho pouco convencional: construir uma nova capital praticamente do zero. Com investimento estimado em US$ 30 bilhões (cerca de R$ 170 bilhões), o país aposta em um projeto urbano ambicioso para aliviar a pressão sobre Tashkent e redefinir seu futuro político, econômico e social.

Batizada de Nova Tashkent, a cidade está sendo erguida em uma área de aproximadamente 20 mil hectares, entre os rios Karasuv e Chirchik. A proposta surge como resposta direta à superlotação da atual capital, que concentra mais de 3,1 milhões de habitantes e é considerada a cidade mais populosa da Ásia Central.

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Solução radical para um problema antigo

O crescimento urbano desordenado trouxe desafios que se tornaram difíceis de resolver apenas com reformas pontuais. Gargalos no transporte, déficit habitacional, pressão sobre serviços públicos e queda na qualidade de vida fizeram o governo uzbeque buscar uma alternativa de longo prazo.

A estratégia escolhida foi transferir gradualmente parte das funções administrativas e culturais para a nova cidade. A expectativa é que, nas próximas décadas, Nova Tashkent se consolide como o principal centro político, econômico e urbano do país. Segundo informações divulgadas por veículos internacionais, a conclusão do projeto está prevista para 2045, com crescimento gradual conforme a demanda populacional e a expansão dos serviços.

Urbanismo planejado desde o início

Diferentemente de metrópoles que se desenvolveram de forma orgânica, Nova Tashkent está sendo desenhada com base em conceitos contemporâneos de planejamento urbano. Um dos pilares do projeto é o modelo da “cidade de 15 minutos”, que propõe que serviços essenciais, como escolas, hospitais, mercados e áreas de lazer, estejam a até 15 minutos de deslocamento dos moradores.

A ideia é reduzir o tempo gasto no trânsito, diminuir a dependência de automóveis e criar bairros autossuficientes, com infraestrutura completa para o cotidiano. O plano urbano também prioriza áreas verdes, espaços de convivência e soluções voltadas à mobilidade sustentável, buscando evitar problemas comuns em grandes centros, como congestionamentos crônicos, poluição e desigualdade no acesso aos serviços.

Entre os destaques arquitetônicos do projeto estão as Torres Gêmeas de Tashkent, um complexo que pode chegar a 575 metros de altura, figurando entre os edifícios mais altos do mundo. Além de se tornarem um marco visual, as torres simbolizam a ambição e a modernização propostas pela nova capital.

O planejamento também se preocupa com questões climáticas. Para combater as ilhas de calor urbanas, comuns em grandes cidades, o projeto prevê o aproveitamento de fluxos naturais de ar vindos das montanhas próximas e soluções baseadas na hidrologia local. A proposta inclui corredores de ventilação, amplas áreas verdes e estratégias para criar um microclima mais equilibrado e confortável.

A arquitetura, por sua vez, combina modernidade com tradição. As maquetes revelam construções com arcos e curvas geométricas inspiradas na tradição islâmica, reforçando a identidade cultural do país mesmo em um projeto voltado ao futuro.

Tecnologia na gestão urbana

A inovação tecnológica ocupa papel central no desenvolvimento da nova capital. O projeto utiliza um sistema conhecido como “gêmeo digital”, uma réplica virtual da cidade que permite simular, em tempo real, seu funcionamento.

Com análises em 2D e 3D, renderizações geolocalizadas e ferramentas de previsão, o sistema acompanha dados como tráfego, consumo de energia, uso do solo e crescimento populacional. Isso possibilita antecipar problemas, ajustar o planejamento e tomar decisões baseadas em dados precisos, reduzindo riscos e desperdícios ao longo do desenvolvimento urbano.

Essa abordagem aproxima Nova Tashkent do conceito de “cidade inteligente”, na qual tecnologia e inovação são usadas para aprimorar a gestão e a qualidade de vida dos moradores.

Se os planos forem concretizados, Nova Tashkent poderá se tornar referência para outros países que enfrentam desafios semelhantes de superlotação e infraestrutura, um experimento urbano de longo prazo que promete transformar a paisagem e a dinâmica do país.

(Com informações de Gizmodo UOL)
(Foto: Reprodução/Freepik/MrDm)

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