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Consulta pública aponta necessidade de verificação de idade mais rígida na internet

Consulta pública aponta necessidade de verificação de idade mais rígida na internet

Levantamento indica que país deve adotar sistemas de biometria e múltiplas camadas para impedir o acesso de menores a conteúdos sensíveis

Verificação de idade – Os resultados de uma consulta pública realizada pelo governo federal sobre a aferição de idade de usuários na internet, apresentados nesta quarta-feira (11) em São Paulo, indicam um caminho de maior rigor para o ambiente digital brasileiro. De acordo com o relatório, a prática da autodeclaração, quando o usuário apenas clica em um botão afirmando ser maior de 18 anos, é insuficiente para conter situações de risco e proteger crianças e adolescentes.

As contribuições enviadas pela sociedade civil, empresas e instituições acadêmicas sugerem a adoção de métodos de verificação proporcionais ao risco oferecido por cada plataforma. Dentro dessa lógica, um portal voltado ao público adulto precisaria de uma checagem muito mais rigorosa, como o uso de biometria ou credenciais digitais, do que um site de conteúdos inofensivos, como receitas culinárias. Ao todo, a consulta coletou 70 contribuições entre outubro e novembro do ano passado.

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O diretor de Segurança e Prevenção de Riscos no Ambiente Digital do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Ricardo de Lins e Horta, defendeu durante o evento do Dia da Internet Segura que a mudança é irreversível. Segundo ele, o governo já observa que a necessidade de conferir a idade dos usuários é um processo estabelecido globalmente. Horta afirmou categoricamente que a aferição de idade “veio para ficar”, ressaltando que a questão central agora não é mais se ela deve ocorrer, mas sim de que forma será implementada.

O foco central dessa política é evitar a exposição de menores a conteúdos criminosos ou impróprios, especialmente aqueles que envolvem exploração e abuso sexual infantil. Ao justificar a urgência da medida, o diretor questionou a permissividade do ambiente virtual em comparação ao físico, indagando por que não se aplica à internet a mesma lógica de restrição de acesso que os pais já utilizam para determinados lugares no mundo real.

Apesar do avanço, o governo ainda analisa pontos sensíveis para a regulamentação, como a definição de quem deve ser o responsável final pela verificação, se a família, o Estado ou as empresas, e o sigilo absoluto dos dados coletados. Há uma preocupação explícita de que as informações de crianças e adolescentes não sejam utilizadas para controle estatal, fins comerciais ou treinamento de inteligência artificial sem consentimento.

A proposta de aferição de idade deve embasar o decreto que regulamentará o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital). A legislação entrará em vigor em 17 de março, e o texto do decreto está sendo produzido em conjunto por diversos ministérios, incluindo a Casa Civil e a Secretaria de Comunicação da Presidência.

Horta esclareceu ainda que a medida é uma camada de proteção inédita, mas que não deve ser vista como uma solução isolada para a segurança digital ou como uma ferramenta de restrição à liberdade de expressão. Para o diretor, trata-se de um caminho para adaptar a experiência digital à faixa etária do usuário, replicando uma organização que já é comum e aceita na sociedade fora das telas.

(Com informações de Agência Brasil)
(Foto: Reprodução/Freepik/wayhomestudio)

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