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Deixar a IA pensar por você pode prejudicar o aprendizado, aponta estudo

Aprendizado – O uso de chatbots para escrever textos, organizar argumentos e resolver problemas tornou-se comum. Apesar da agilidade proporcionada pelas ferramentas, a delegação de tarefas intelectuais levanta dúvidas sobre o desenvolvimento de habilidades e a capacidade de trabalhar sem assistência tecnológica.

Essa é uma das questões investigadas por Eric So, professor do MIT Sloan, que estuda como a inteligência artificial transforma a relação das pessoas com o aprendizado, o esforço e o julgamento.

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A “gravidade da IA” estimula a dependência

Em uma análise publicada pelo MIT Sloan, So utiliza o termo “gravidade da IA” para descrever a pressão que leva as pessoas a transferir cada vez mais atividades intelectuais para as máquinas.

Segundo o pesquisador, três fatores impulsionam esse movimento: a tendência humana de economizar esforço mental, a cobrança por desempenho e a competição profissional. Como a IA produz resultados com aparência profissional rapidamente, utilizá-la pode parecer vantajoso, especialmente quando colegas também recorrem à tecnologia.

Essa combinação, porém, pode estimular a dependência e comprometer a construção de conhecimentos adquiridos por meio da prática, principalmente em ambientes que priorizam a produtividade.

Produzir não significa aprender

Um estudo preliminar do MIT Media Lab investigou possíveis diferenças na atividade cerebral de pessoas que utilizam ferramentas digitais durante a escrita. A pesquisa acompanhou 54 participantes divididos em três grupos: usuários do ChatGPT, usuários de um buscador e pessoas que trabalharam sem essas ferramentas.

Os pesquisadores registraram a atividade elétrica cerebral e avaliaram os textos e as lembranças dos participantes. Nas condições analisadas, o grupo que utilizou o chatbot apresentou padrões diferentes de conectividade cerebral, menor sensação de autoria e mais dificuldade para citar trechos dos próprios textos.

Em uma etapa adicional, 18 participantes trocaram as ferramentas utilizadas. Os resultados sugerem que começar uma tarefa de forma independente pode proporcionar uma experiência diferente de receber assistência desde o início.

As conclusões exigem cautela: o estudo aborda uma tarefa específica de redação e conta com uma amostra pequena. Os autores classificam a pesquisa como preliminar e ressaltam que ela não comprova danos cerebrais nem uma perda generalizada de inteligência.

Os riscos para a formação profissional

Em entrevista ao MIT News, So usa a preparação de apresentações como exemplo. Uma pessoa pode produzir slides de alta qualidade com IA e, ainda assim, ter dificuldades para explicar o conteúdo.

O processo de preparação ajuda a organizar ideias, identificar dúvidas e compreender argumentos. Quando essas etapas são completamente delegadas, o resultado pode ficar pronto antes que o usuário desenvolva o conhecimento necessário para utilizá-lo.

O pesquisador discute o tema no livro The Collision: What AI Does to Us e demonstra preocupação com estudantes e profissionais em formação. Ele também alerta para organizações que vinculam avaliações, bônus ou promoções ao uso dessas ferramentas, aumentando a pressão pela automação.

Usar a IA como tutora pode ajudar

Entre as propostas de So está utilizar a inteligência artificial como tutora, pedindo que a ferramenta faça perguntas, ofereça pistas e acompanhe a resolução de problemas, em vez de fornecer respostas prontas.

O pesquisador também recomenda identificar quais habilidades precisam continuar disponíveis sem assistência e dedicar parte do tempo economizado ao aprendizado. Comunicação, negociação e julgamento estão entre as competências que exigem prática contínua.

Em uma coluna publicada no jornal La Nación, Martina Rua amplia a discussão para a gestão empresarial. Segundo a abordagem apresentada, as empresas precisam acompanhar não apenas a produtividade obtida com a IA, mas também o conhecimento que suas equipes continuam desenvolvendo.

A tecnologia pode acelerar entregas, mas compreender, explicar e defender o próprio trabalho continua sendo essencial. O desafio é aproveitar a automação sem eliminar as etapas que contribuem para o aprendizado e a autonomia profissional.

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(Foto: Reprodução/Magnific/outkastdesign)

Pedro Carneiro

Publicado por
Pedro Carneiro
Tags: sindical

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