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Digitalização do agro acelera, mas deixa infraestrutura rural vulnerável a ataques cibernéticos

Setor cresce rapidamente, mas falta de proteção digital amplia riscos operacionais e ameaça a competitividade do agronegócio

Digitalização – O agronegócio brasileiro vive uma expansão acelerada da transformação digital, impulsionada por tecnologias como telemetria, internet das coisas (IoT), automação e inteligência artificial. Esse avanço, no entanto, não tem sido acompanhado por investimentos equivalentes em cibersegurança, o que expõe fazendas e cadeias produtivas inteiras a riscos crescentes. A digitalização do setor, que deve movimentar bilhões em tecnologias conectadas até 2026, amplia de forma significativa a superfície de ataque no ambiente rural.

A conectividade no campo já alcança a maior parte da população rural, permitindo operações cada vez mais integradas e dependentes de sistemas digitais. Máquinas agrícolas com GPS de alta precisão, piloto automático e monitoramento em tempo real se tornaram peças centrais da produção. Cada equipamento conectado, porém, representa também um novo ponto potencial de vulnerabilidade, especialmente em um cenário no qual a segurança da informação ainda não é tratada como prioridade estratégica.

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A mecanização inteligente desponta como um dos principais vetores de risco. Tratores, colheitadeiras e drones operam conectados a plataformas em nuvem que concentram dados sensíveis sobre produtividade, logística e planejamento agrícola. Grandes ecossistemas digitais já reúnem centenas de milhares de produtores integrados, formando redes amplas que, se comprometidas, podem gerar impactos em larga escala.

Esse cenário se agrava diante da consolidação de frentes tecnológicas que exigem infraestrutura de TI robusta, como a biotecnologia aplicada e as plataformas digitais integradas. Apesar disso, a proteção desses sistemas não evoluiu no mesmo ritmo da conectividade. Casos internacionais de ataques a sistemas de irrigação automatizada e controle de silos acenderam o alerta para o potencial de paralisação de operações agrícolas inteiras por meio de ações cibernéticas.

A adoção crescente de bioinsumos e soluções biotecnológicas também adiciona complexidade ao ambiente digital do campo. Esses modelos dependem de rastreabilidade, gestão de dados sensíveis e integração com sistemas de monitoramento ambiental, tornando-se alvos atrativos para interceptações ou manipulações maliciosas. A dependência de dados confiáveis passa a ser tão crítica quanto a disponibilidade de insumos físicos.

Outro fator de preocupação é a cloudificação sem governança adequada de acessos. Com a expansão das redes móveis no meio rural, a telemetria em tempo real se torna padrão, mas a gestão de identidades e permissões ainda é incipiente na maioria das propriedades. A centralização de operações em plataformas digitais cria riscos sistêmicos, já que um único ataque pode comprometer simultaneamente diversas etapas da produção e da distribuição.

A entrada da inteligência artificial no campo amplia ainda mais a superfície de ataque. Sistemas autônomos de agricultura de precisão processam grandes volumes de dados climáticos, de solo e de cultivo, muitas vezes integrados a sensores e dispositivos IoT sem camadas avançadas de proteção. Em propriedades focadas exclusivamente em ganho de produtividade, a segurança digital costuma ficar em segundo plano.

Diante desse contexto, a cibersegurança começa a se consolidar como um novo diferencial competitivo no agronegócio. Operações que funcionam de forma contínua não podem arcar com interrupções causadas por ataques digitais ou sequestro de dados. Tendências como a agricultura regenerativa, que dependem de monitoramento ambiental constante, reforçam essa dependência de sistemas conectados e, consequentemente, a necessidade de proteção.

Empresas de tecnologia agrícola já sinalizam maior atenção ao tema, com a adoção de arquiteturas de segurança mais complexas, baseadas em criptografia, autenticação reforçada e monitoramento de anomalias. Ainda assim, essas iniciativas permanecem concentradas em grandes players, enquanto médios e pequenos produtores seguem operando com níveis mínimos de proteção.

A combinação entre conectividade rural ampliada e investimentos expressivos em digitalização exige uma resposta imediata do setor de tecnologia da informação. No campo, a proteção de infraestruturas críticas deixa de ser opcional e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do negócio. A competitividade do agronegócio brasileiro no cenário global dependerá não apenas da capacidade produtiva, mas também da sua resiliência digital.

(Com informações de It Show)
(Foto: Reprodução/Freepik)

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