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Drones com spray de pimenta é nova aposta de escolas nos EUA contra atiradores

Drones com spray de pimenta – Escolas de três estados norte-americanos passarão a contar ainda neste ano letivo com drones desenvolvidos para reagir a ataques armados. Produzidas em plástico e classificadas como não letais, as aeronaves conseguem percorrer corredores em alta velocidade, romper janelas e lançar gel de pimenta contra um suspeito após o alerta de professores, conforme antecipou o Washington Post (WP).

Ao todo, nove escolas receberão os equipamentos fabricados pela empresa Mithril Defense, sediada no Texas. Três unidades ficam na Flórida, cinco na Geórgia e uma no Colorado. Os drones permanecerão guardados em compartimentos de segurança dentro das instituições de ensino e poderão ser acionados por professores.

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Segundo a fabricante, eles conseguem alcançar um atirador em até 15 segundos, um intervalo considerado decisivo, já que a maioria dos ataques em escolas dura entre dois e três minutos, afirmou o diretor-executivo da empresa, Justin Marston, à CBS.

“Estas são as primeiras escolas em que estamos implantando o sistema”, disse Marston sobre as instituições que receberão os drones da empresa. “Acreditamos que toda escola deveria ter algum tipo de sistema para neutralizar atiradores em ataques. Daqui a cinco anos, você não mandaria seus filhos para uma escola que não tenha um.”

Os equipamentos podem disparar spray de pimenta, emitir luzes estroboscópicas, acionar sirenes e atingir um alvo a velocidades de até 97 km/h, com o objetivo de desorientá-lo até a chegada das forças de segurança. Segundo Marston, os drones também podem entrar nas salas de aula antes dos policiais, o que pode contribuir para salvar vidas. Ele acrescentou que estatísticas indicam que agentes de segurança são baleados em aproximadamente metade dos ataques em massa.

“Depois que os drones estão atrás de você, simplesmente não há como escapar deles”, disse ao WP Bill King, ex-integrante da unidade de elite da Marinha dos EUA e cofundador da Mithril Defense.

Os professores poderão ativar o sistema por meio de um aplicativo ou utilizando botões de pânico instalados nas salas de aula. A partir desse momento, pilotos profissionais contratados pela Mithril Defense assumirão remotamente o comando das aeronaves. Embora os equipamentos já tenham participado de simulações, eles ainda não foram empregados em uma ocorrência real.

Em nota enviada ao GLOBO, Marston afirmou que “os drones da Campus Guardian Angel [da Mithril Defense] são equipados com recursos não letais, operados por alguns dos melhores pilotos de drones do mundo e apoiados por uma equipe de elite formada por ex-militares, agentes das forças de segurança e socorristas, todos amplamente treinados para atuar em cenários reais e intervir quando cada segundo faz diferença, salvando vidas durante uma situação de ataque armado em uma escola”.

Violência recorrente

Os ataques armados em escolas dos Estados Unidos atingiram o pico de 352 registros em 2023, antes de apresentarem queda nos dois anos seguintes. Dados da K-12 School Shooting Database, divulgados pela CBS, mostram que, nas décadas de 1970 e 1980, o número anual normalmente permanecia abaixo de 30 ocorrências.

Levantamento do Washington Post aponta que quase 400 mil estudantes já foram expostos à violência armada em instituições de ensino desde o massacre de Columbine, em 1999. Nesse intervalo, o jornal contabilizou 435 ataques a tiros.

Os drones fazem parte de um mercado em expansão voltado à segurança das milhares de escolas de ensino básico dos Estados Unidos. Atualmente, essas instituições destinam cerca de US$ 4 bilhões (R$ 20 bilhões) por ano para reforçar a proteção física de seus prédios, utilizando tecnologias como detectores de metais e sistemas de videomonitoramento, segundo o centro de pesquisas Learning Policy Institute.

A Deltona High School, escola pública situada ao norte de Orlando e que atende aproximadamente 1,7 mil alunos, tornou-se a primeira unidade a instalar o sistema no fim do último ano letivo. Também participarão do projeto-piloto outras duas escolas da Flórida: a Boyd H. Anderson High School, próxima de Fort Lauderdale, e a Godby High School, em Tallahassee. A iniciativa conta com financiamento de US$ 557 mil (R$ 2,8 milhões) do governo estadual.

Violência recorrente

No Colorado, a John Adams Academy, escola pública localizada em Sterling Ranch e voltada a estudantes desde a educação infantil até o ensino médio, custeará com recursos próprios o programa de drones durante seu primeiro ano de operação. Na Geórgia, cinco escolas serão contempladas após a aprovação de um projeto-piloto de US$ 500 mil (R$ 2,5 milhões). O governo estadual ainda não definiu quais unidades participarão da iniciativa, mas a Mithril Defense informou que os equipamentos deverão entrar em funcionamento ao longo do próximo ano letivo.

Para o deputado estadual Matt Dubnik, republicano que preside a subcomissão de Educação da Comissão de Orçamento da Câmara da Geórgia, a proposta pretende ampliar a proteção em escolas que não dispõem de agentes armados de segurança. O programa será avaliado tanto em instituições que contam com esses profissionais quanto naquelas que não possuem esse tipo de vigilância.

“Eu acredito nessa tecnologia”, disse Dubnik, acrescentando que centenas de parlamentares compartilharam dessa avaliação ao aprovarem o orçamento.

Ameaça de ataques

Segundo Justin Marston, a concepção do sistema ocorreu após o massacre registrado em uma escola primária de Uvalde, no Texas. Em 2022, o ataque deixou 19 estudantes e duas professoras mortos enquanto policiais permaneceram do lado de fora da escola por mais de uma hora antes de entrar na sala de aula. O executivo afirmou que, ao observar o emprego de drones de baixo custo por tropas russas e ucranianas durante a guerra entre os dois países, concluiu que uma versão não letal dessa tecnologia poderia ter reduzido o número de vítimas em Uvalde.

“Os primeiros 120 segundos são extremamente críticos, porque é nesse período que ocorre a maior parte dos disparos”, afirmou, indicando que, embora possam ser acionados a qualquer momento, eles foram desenvolvidos para situações de ameaça letal. Eles não seriam usados para interromper uma briga entre estudantes, mas poderiam ser empregados caso um dos envolvidos estivesse armado com uma faca.

Nos últimos anos, escolas americanas passaram a adotar diferentes tecnologias para reforçar a segurança diante do risco de ataques armados, entre elas câmeras com inteligência artificial e detectores de armas. Para parte dos especialistas, entretanto, equipamentos com características associadas ao uso militar, como os drones, não deveriam integrar o ambiente escolar. Há anos, consultores da área de segurança questionam se soluções altamente tecnológicas realmente oferecem ganhos significativos nesse tipo de situação.

De acordo com esses especialistas, medidas mais simples, como manter portas externas permanentemente trancadas, podem proporcionar um nível semelhante de proteção. Curtis Lavarello, diretor do School Safety Advocacy Council, empresa especializada em consultoria em segurança escolar, afirmou que teme a possibilidade de os drones atingirem, por engano, um estudante que esteja fugindo ou até mesmo um policial, especialmente em casos de acionamento por falso alarme.

“É quase como se videogames e segurança escolar se encontrassem. Tenho preocupações realmente sérias sobre a implantação de drones em escolas”, disse ao WP.

Prevenção da violência

A Mithril Defense não foi a primeira empresa a desenvolver projetos de drones voltados para responder a ataques armados em escolas. Em 2022, a Axon Enterprise encerrou o desenvolvimento de aeronaves equipadas com armas de choque (tasers) após a renúncia coletiva de integrantes de seu conselho de ética, que manifestaram preocupação com a possibilidade de os equipamentos atingirem estudantes inocentes ou serem comprometidos por ataques de hackers.

Sobrevivente do atentado ocorrido em 2018 na Marjory Stoneman Douglas High School, em Parkland, na Flórida, que deixou 17 mortos, Jaclyn Corin defendeu que o foco das políticas públicas deveria estar na prevenção da violência armada, e não apenas em tecnologias voltadas para responder aos ataques depois que eles começam.

“Os distritos escolares têm orçamentos e capacidade de atenção limitados. Se destinarmos recursos significativos a tecnologias projetadas para responder depois que um ataque começa, precisamos perguntar em que estamos deixando de investir”, disse Corin, diretora-executiva e cofundadora da March for Our Lives, organização liderada por jovens que defende regras mais rígidas para o controle de armas.

Na Flórida, o governo estadual pretende acompanhar o número de episódios de violência registrados nas escolas participantes e avaliar o tempo de resposta diante de ameaças. O programa também prevê pesquisas com pais, estudantes e funcionários para medir se a presença dos drones aumenta a sensação de segurança da comunidade escolar. Ainda assim, Marston afirma que, na maior parte das vezes, basta uma demonstração prática do funcionamento do sistema para convencer o público sobre sua eficácia.

“Todo mundo costuma dizer: “Mostre para mim”. E, quando mostramos, é quase como se tivéssemos inventado a eletricidade.”

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(Com informações de O Globo)
(Foto: Reprodução/Magnific/sviatkovskyi)

Caio Simidzu

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Caio Simidzu
Tags: sindical

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