Os ataques ao Pix vem para justificar uma nova taxação (Foto: Reprodução/Agência Brasil/Bruno Peres)
EUA miram Pix – Os Estados Unidos voltaram a atacar o Pix, um dos maiores casos de sucesso da inovação tecnológica brasileira, e acusaram o Banco Central de favorecer o sistema nacional de pagamentos em detrimento de empresas americanas do setor financeiro. A nova investida do governo de Donald Trump busca enfraquecer a solução que reduziu custos para consumidores e empresas e passou a disputar espaço com gigantes norte-americanas como Visa e Mastercard.
As acusações fazem parte da justificativa apresentada pela Casa Branca para impor uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Segundo o governo americano, uma investigação concluída a pedido do presidente Donald Trump apontou supostas práticas brasileiras que “oneram ou restringem” o comércio dos Estados Unidos.
LEIA: Avanço da inteligência artificial pressiona infraestrutura global
O Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR) iniciou a investigação contra o Brasil em julho de 2025. A medida ocorre em meio ao aumento das tensões comerciais entre os dois países e frustra as tentativas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de abrir uma nova rodada de diálogo com Trump para evitar sanções econômicas.
Embora a investigação aberta no ano passado não mencionasse diretamente o Pix, ela fazia referência a “serviços de comércio digital e pagamento eletrônico”, incluindo aqueles oferecidos pelo Estado brasileiro. Na prática, o único sistema que se encaixa nessa descrição é o Pix.
“O Brasil parece se envolver em uma série de práticas desleais em relação a serviços de pagamento eletrônico, incluindo, mas não se limitando a favorecer seus serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo”, afirmou o USTR.
A ofensiva americana não é nova. Em abril deste ano, um relatório divulgado pela Casa Branca já havia apontado o Pix como um sistema que estaria prejudicando as grandes bandeiras de cartões de crédito dos Estados Unidos, especialmente Visa e Mastercard.
Para especialistas, a reação americana está diretamente relacionada ao sucesso do sistema brasileiro e à sua capacidade de desafiar modelos de negócios altamente lucrativos para empresas norte-americanas do setor financeiro e tecnológico. Eles destacam que não existem fundamentos técnicos consistentes para questionar o Pix, que se consolidou como referência mundial em pagamentos instantâneos.
Além da concorrência direta com empresas americanas, analistas apontam que Washington também acompanha com preocupação o avanço do chamado Pix Internacional e o debate dentro do Brics sobre alternativas ao dólar no comércio global.
Concorrência com empresas americanas
O Pix é gratuito para pessoas físicas e apresenta custos significativamente menores para empresas. Essa característica tornou o sistema uma alternativa altamente competitiva em relação às operadoras tradicionais de cartões de crédito, cuja receita depende da cobrança de taxas sobre transações.
Segundo o economista e professor Jorge Ferreira dos Santos Filho, o sistema também afeta fintechs americanas. “O sistema também compete com fintechs americanas. Enquanto nos EUA a regulação permite a cobrança por transferências instantâneas, no Brasil essas empresas são obrigadas a integrar o PIX para operar”, diz.
De acordo com o especialista, o modelo brasileiro força empresas estrangeiras a adaptarem seus negócios diante da redução das receitas obtidas com tarifas cobradas dos usuários. O impacto também alcança grandes empresas de tecnologia que atuam no segmento de pagamentos digitais.
Para Ralf Germer, CEO e especialista do setor de meios de pagamento, o Pix representa um sistema moderno e eficiente que amplia a concorrência e beneficia consumidores e empresas.
“O Pix não foi criado para concorrer ou substituir outros meios de pagamento, como o cartão de crédito. Desde o lançamento do sistema, as demais formas de pagamento, especialmente os cartões, continuaram crescendo”, afirma. “Além disso, houve tempo suficiente para que se adaptassem e desenvolvessem soluções capazes de competir com as vantagens do Pix, seja em custo, experiência do usuário ou do comércio”, acrescenta.
Pix Internacional, Brics e o temor dos EUA
O Banco Central trabalha para ampliar a presença internacional do Pix. Atualmente, o sistema já pode ser utilizado de forma limitada em alguns países, como Argentina, Estados Unidos e Portugal.
O objetivo é avançar para um modelo que permita pagamentos internacionais instantâneos por meio da integração entre sistemas nacionais de diferentes países.
Especialistas avaliam que essa possibilidade ganha importância especialmente dentro do Brics, grupo formado por economias emergentes que buscam ampliar sua autonomia financeira e comercial.
Nesse contexto, cresce a preocupação dos Estados Unidos com iniciativas que possam reduzir a dependência do dólar em transações internacionais.
“Esse pode ser o ponto que mais incomoda o governo americano: a criação de uma moeda única do Brics e o possível uso do sistema Pix para reduzir a influência do dólar nas negociações entre esses países”, diz Fabrizio Velloni, economista-chefe.
Trump já ameaçou aplicar tarifas adicionais aos países do Brics e tem se posicionado publicamente contra qualquer mecanismo que diminua a centralidade do dólar na economia mundial.
Jorge Ferreira dos Santos Filho também observa que um Pix Internacional poderia disputar espaço com sistemas tradicionais de transferências financeiras globais, reduzindo custos e aumentando a autonomia dos países participantes.
Sucesso do Pix transformou o Brasil em referência mundial
Para Pedro Henrique Ramos, diretor-executivo e fundador do RegLab, o principal incômodo dos Estados Unidos parece estar relacionado ao êxito de um sistema público que passou a servir de modelo para outros países.
Ele avalia que a crítica americana parte da percepção de que o Banco Central, ao mesmo tempo regulador e operador do sistema, criou uma infraestrutura capaz de competir com empresas privadas estrangeiras.
“De uma forma ou de outra, o Pix se tornou um modelo de inovação estatal eficiente, que pode ser replicado por outros países – o que representa uma possível ameaça ao domínio de empresas americanas no mercado global de meios de pagamento”, explica.
Segundo ele, o sucesso do Pix fortaleceu a posição do Brasil no cenário internacional e transformou o país em referência na construção de infraestrutura pública digital. “É um grande modelo a ser seguido em termos de infraestrutura pública digital de pagamentos.”
Diversos governos estrangeiros têm buscado entender o funcionamento do sistema brasileiro e estudar formas de reproduzir sua experiência.
Pressão dos EUA contra sistemas nacionais de pagamento
Especialistas lembram que a reação americana não se limita ao Brasil.
Pedro Henrique Ramos destaca que Washington já adotou postura semelhante contra iniciativas desenvolvidas por países como Indonésia, Índia e China.
Ao justificar tarifas contra produtos indonésios, por exemplo, os Estados Unidos também alegaram supostas práticas comerciais injustas relacionadas a sistemas nacionais de pagamento que concorrem com empresas americanas.
Segundo Ramos, a expansão dessas infraestruturas públicas de baixo custo representa uma alternativa para países que buscam ampliar a inclusão financeira e reduzir a dependência de redes privadas ligadas ao sistema financeiro norte-americano.
“Então, você tem um atrito geopolítico claro entre interesses comerciais e também com os discursos políticos que são usados para fundamentar e fomentar essas infraestruturas digitais soberanas dos países”, afirma.
Ralf Germer lembra ainda que os próprios Estados Unidos possuem sistemas de pagamentos instantâneos, como o Zelle e o FedNow.
A diferença é que nenhum deles alcançou a mesma adesão observada no Brasil. “A adesão ao FedNow, por exemplo, foi opcional. Nenhum dos grandes bancos americanos aderiu. Então, de uma forma ou de outra, o PIX virou um modelo, uma vitrine”, diz Pedro Henrique Ramos.
Big techs e interesses econômicos americanos
A ofensiva contra o Pix também ocorre em um contexto mais amplo de disputa envolvendo grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos.
Segundo Lia Valls, pesquisadora e professora de economia, as críticas americanas aos meios de pagamento eletrônicos dialogam com outros conflitos envolvendo empresas de tecnologia e regulações brasileiras.
“Empresas americanas do setor frequentemente resistem a determinadas decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente sobre exigências legais como a proibição de veicular certos conteúdos”, diz.
Para a especialista, embora os temas não estejam diretamente ligados, o ambiente de atrito entre o governo americano, as big techs e as instituições brasileiras contribui para o endurecimento do discurso de Trump contra o país.
Também existe o histórico da disputa envolvendo o WhatsApp Pay. Em 2020, antes mesmo da estreia do Pix, o Banco Central e o Cade suspenderam temporariamente a função de pagamentos do aplicativo para avaliar possíveis impactos sobre a concorrência e sobre o Sistema de Pagamentos Brasileiro.
Na ocasião, as bandeiras Visa e Mastercard, responsáveis por viabilizar as transações, tiveram de interromper a operação. Posteriormente, o serviço foi autorizado, mas a própria empresa acabou descontinuando algumas modalidades de pagamento no Brasil. Em 2024, informou que a prioridade passaria a ser justamente a integração com o Pix.
O episódio reforça como o sistema brasileiro se consolidou como principal infraestrutura de pagamentos do país e passou a influenciar as estratégias de empresas globais do setor.
Mais do que uma discussão técnica, a nova ofensiva dos Estados Unidos evidencia uma disputa econômica e geopolítica em torno de um modelo brasileiro que reduziu custos, ampliou a inclusão financeira e passou a desafiar a hegemonia de empresas americanas nos meios de pagamento digitais.
Junte cashback e transfira para sua conta com a Benefícios Rede Bee!
A Bee Fenati – a rede social dos profissionais de TI de todo o Brasil – segue em expansão para garantir aos seus usuários cada vez mais benefícios. Agora a plataforma conta com a Benefícios Rede Bee, que reúne descontos em dezenas de grandes marcas, com muitas delas oferecendo cashback, ou seja, o retorno de um valor da sua compra que poderá ser transferido direto para sua conta! (Saiba mais aqui)
Baixe o aplicativo nas lojas App Store e Google Store e aproveite agora! A Bee Fenati reúne em um único ambiente ofertas em áreas como educação, compras, viagens, lazer, serviços, tecnologia e muito mais. Dentre as marcas parceiras estão Magalu, Renner, Drogasil, C&A, Dell, Casas Bahia, Vivo, Petz, Drogaria São Paulo, e muito mais!
Além de poderem aproveitar os descontos oferecidos pelas marcas parceiras, os usuários da plataforma receberão de volta um percentual a cada compra que realizarem em parceiros que oferecem o cashback.
Este valor ficará em uma carteira digital dentro da plataforma da Benefícios Rede Bee e, a partir de R$ 20 reais acumulados em cashback, o trabalhador pode transferir o dinheiro direto para sua conta bancária!
Na prática, a ferramenta permitirá que sócios e contribuintes dos sindicatos filiados à Fenati (Federação Nacional dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação) possam ZERAR o valor da sua contribuição assistencial e associativa!
Atualmente, o valor da contribuição é de R$ 32,50 por mês para sócios e R$ 35 por mês para contribuintes, ou seja, é possível recuperar todo esse valor e ainda acumular muito mais – tudo isso contribuindo para fortalecer a categoria e transformando as compras e serviços do cotidiano em ganho real.
(Com informações de G1)
(Foto: Reprodução/Agência Brasil/Bruno Peres)
Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional assume cobrança de R$ 66,8 bilhões em dívidas do FGTS; empresas…
Enquanto IA se populariza, especialistas alertam para desafios relacionados à energia, produção de chips e…
Iniciativa busca padronizar a indústria de humanoides e preparar o país para uma convivência cada…