Executiva da Vale defende “mérito” e “inteligência” em contraponto à “cultura woke”
Executiva da Vale – Em postagem no formato de “stories” no Instagram, Cátia Porto, responsável pela área de RH da Vale, defendeu que políticas de recursos humanos sejam voltadas à “meritocracia” e “excelência” em contraponto a ações de diversidade. Em uma das publicações, a executiva diz que a “cultura woke” está perdendo espaço para o “mérito” e a “inteligência”.
“A cultura woke está perdendo espaço. Ao contrário do DEI (Diversidade, Equidade e Inclusão), que foca na diversidade como elemento chave, tem um novo movimento chamado MEI (Mérito, Excelência e Inteligência), que enfatiza uma combinação de mérito e altos padrões de desempenho juntamente com habilidades intelectuais”, escreveu Porto em uma série de quatro postagens nos stories em sua conta no Instagram na semana passada.
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“E quem entende movimentos sabe que ou você se adapta rapidamente e surfa a onda de forma mais tranquila ou vai ficar na lanterninha… no grupo que reclama, resiste e não sai do lugar…”, acrescentou.
Woke é uma expressão criada por movimentos sociais nos Estados Unidos para definir o “despertar” para questões sobre desigualdade social, como o racismo estrutural, o machismo e a homofobia. A expressão – que também é chamada de identitarismo no Brasil – costuma ser utilizada de forma pejorativa por movimentos de extrema-direita.
Além disso, o movimento identitário – ou woke – tem recebido críticas de diversos setores da sociedade brasileira por conta da postura agressiva e intolerante de alguns dos movimentos que autointitulam identitários e tem se refletido no mundo corporativo, com empresas encerrando ou reduzindo programas voltados à diversidade.
Influência dos EUA
As ideias veiculadas pela diretora da Vale se alinham às mudanças implementadas pelo governo dos EUA e empresas americanas desde a eleição de Donald Trump, que tomou posse como presidente em 19 de janeiro. Além da pauta sobre imigração, a diversidade foi um dos principais alvos da campanha eleitoral do agora presidente, que rotulou sua adversária, Kamala Harris, de “candidata DEI” – a ex-senadora tem ascendência jamaicana e indiana.
Uma das primeiras medidas do governo Trump foi um decreto com o título: “Acabando com programas DEI radicais e perdulários”, que seriam iniciativas “de discriminação ilegais e imorais”. Recentemente, Trump culpou as políticas de diversidade pelo acidente aéreo que envolveu um helicóptero militar e um avião civil na capital norte-americana.
Apesar das declarações da executiva, a Vale ressaltou, em nota, que seguirá com as políticas de diversidade e inclusão. O mesmo tem sido feito por empresas norte-americanas como Ben&Jerry’s e Costco, que reafirmaram a continuidade de suas políticas “DEI” em contraponto ao que tem sido feito pela maioria das chamadas big techs, como Meta, Google e Amazon.
“A Vale informa que não há mudanças em suas políticas e diretrizes para a agenda de diversidade e inclusão. Seguiremos trabalhando para garantir que nossa equipe reflita a pluralidade da sociedade brasileira, sempre com base no mérito, no respeito e na inclusão”, diz o texto.
A companhia revela que estabeleceu a meta de dobrar a representatividade de mulheres na força de trabalho até o fim de 2025, de 13% para 26%, e conseguiu alcançá-la em 2024, com 8 mil mulheres a mais em seus quadros. Outra promessa da Vale é o de alcançar 40% de pessoas negras em posições de liderança até 2026, atualmente em 37% – de acordo com o IBGE, negros representam 56% da população brasileira.
(Com informações de Reset/UOL)
(Foto: Freepik/Reprodução)
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