Fábrica pioneira no Paraná introduz solução sem químicos para proteção de cultivos
Paraná – A produção do SteriClean, um tipo de água tratada voltada à substituição de defensivos químicos no setor agrícola, começou no Paraná. Instalada em Toledo, na região Oeste, a unidade fabrica um insumo inovador baseado em tecnologia desenvolvida na Hungria, capaz de auxiliar na higienização e proteção das plantas contra fungos e bactérias, além de estimular o crescimento natural em diferentes culturas.
Representantes do Governo do Estado participaram, nesta terça-feira (31), da inauguração da primeira unidade do tipo no Brasil. Com aporte de R$ 10 milhões, a planta foi implantada no Parque Científico e Tecnológico de Biociências (Biopark), em Toledo, e busca atender produtores interessados em práticas mais sustentáveis no campo.
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O projeto é fruto de uma cooperação entre o Paraná e o Consulado-Geral da Hungria em São Paulo, articulada pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti). Nesse contexto, o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) teve papel central na realização de testes, validações e adaptação da tecnologia para uso no país.
A operação da fábrica ficará sob responsabilidade da Sanfer Soluções Agropecuárias, companhia formada pela Ferticerto Soluções Orgânicas, que detém a tecnologia no Brasil e mantém parceria com o Tecpar em pesquisas, e pela Adaport S/A, encarregada da comercialização.
Para o secretário da Seti, Aldo Nelson Bona, o empreendimento marca um avanço relevante para o Estado. “Esta iniciativa consolida o Paraná como um polo de inovação em biotecnologia aplicada ao agronegócio, demonstrando que a ciência e a pesquisa são pilares fundamentais para o desenvolvimento sustentável, além de fortalecer a inserção do Estado no cenário internacional por meio de parcerias tecnológicas que geram emprego, renda e competitividade para os nossos produtores”, afirmou.
O diretor-presidente do Tecpar, Eduardo Marafon, ressaltou que a expertise técnica da instituição garante segurança na avaliação de tecnologias internacionais com potencial de aplicação local. “O Tecpar atua como um impulsionador da inovação, atraindo para o Estado importantes empresas de pesquisa e desenvolvimento por meio de parcerias estratégicas. A instalação da fábrica do SteriClean reforça o protagonismo do Paraná no desenvolvimento de soluções tecnológicas sustentáveis para o agronegócio”, disse.
O SteriClean é um produto desenvolvido a partir de água submetida a um processo tecnológico específico. Por meio de etapas de filtragem e purificação, sua estrutura molecular e carga elétrica são alteradas, conferindo propriedades oxidativas consideradas seguras.
Na prática agrícola, o produto é utilizado no combate a fungos, bactérias e pragas sem a necessidade de químicos ou geração de resíduos tóxicos. Além disso, contribui para o fortalecimento das plantas, tornando-as mais resistentes. Também pode atuar como sanitizante, com ação bactericida, fungicida e virucida.
O diretor da Ferticerto, Rafael De Boni da Silva, destacou que a parceria com o Estado foi essencial para viabilizar o projeto. Segundo ele, a infraestrutura do Tecpar foi determinante para a escolha do Paraná como sede da primeira fábrica, especialmente com foco em atender produtores orgânicos, que enfrentam limitações no acesso a defensivos. “O programa Paraná Mais Orgânico, por exemplo, está alinhado aos nossos objetivos, e com a credibilidade do Tecpar vislumbramos a continuidade de novos projetos e a expansão dessa iniciativa”.
O Tecpar participou, ao lado da Ferticerto, do primeiro projeto de pesquisa voltado à introdução dessa tecnologia de controle biológico no Brasil. Entre 2023 e 2025, o SteriClean foi submetido a testes em diferentes regiões, com acompanhamento técnico do instituto e de outras entidades.
Os resultados indicaram bom desempenho em diversas culturas, tanto no controle de patógenos quanto de pragas e insetos. A solução também foi avaliada em ambientes como frigoríficos e câmaras frias, demonstrando potencial como alternativa segura e eficaz.
Com a implantação da fábrica no Paraná, teve início uma nova fase de pesquisas, agora voltada ao uso do produto no tratamento de doenças em animais. A proposta é avaliar sua eficácia no controle de patógenos relevantes na pecuária nacional, como os causadores de mastite em bovinos leiteiros, além do Senecavírus A, associado a doenças vesiculares em suínos, e da bactéria Salmonella spp., que afeta animais e humanos.
Essa etapa contará com investimento de R$ 6 milhões do Fundo Paraná, recurso administrado pela Seti para incentivo à pesquisa científica. Os estudos também vão analisar o uso do produto na desinfecção de aviários, no controle de amônia na suinocultura, na cicatrização de feridas e na higienização de equipamentos em laticínios, além de validar sua eficácia sanitizante em diferentes superfícies e ambientes.
Integrado ao Sistema Estadual de Ambientes Promotores de Inovação (Separtec), o Biopark se consolidou como um dos principais polos de inovação do Paraná, reunindo iniciativas em biotecnologia, educação, inteligência artificial e soluções sustentáveis para o agronegócio.
O espaço foi concebido para aproximar ciência, pesquisa e mercado, abrigando cerca de 150 startups e empresas de base tecnológica, além de outros ambientes credenciados no sistema estadual.
Segundo o vice-presidente do Biopark Educação, Paulo Roberto Cordeiro Rocha, a chegada da fábrica reforça o papel do ecossistema na atração de investimentos e no estímulo à inovação. “O ambiente colaborativo favorece a geração de negócios inovadores, a transferência de tecnologia e a formação de talentos, fortalecendo a posição do Paraná como referência em inovação tecnológica”, afirmou.
(Com informações de Bem Paraná)
(Foto: Reprodução/Freepik/pkproject)
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