ganhos de produtividade por IA podem gerar o fenômeno do botshitting - Foto: Reprodução/Magnific/DC Studio
Botsitting – A inteligência artificial transformou rapidamente a rotina de empresas em diferentes setores. Com a promessa de automatizar tarefas repetitivas e acelerar processos, as ferramentas baseadas em IA passaram a desempenhar um papel cada vez mais presente no ambiente corporativo. No entanto, um novo estudo indica que os ganhos de produtividade vêm acompanhados de uma demanda adicional que nem sempre é percebida pelas organizações.
Atividades como redação de e-mails, elaboração de relatórios, criação de apresentações, organização de informações e produção de resumos podem ser realizadas em poucos minutos com o auxílio de plataformas de inteligência artificial. Ferramentas como ChatGPT, Gemini, Claude e diversos assistentes corporativos foram incorporadas ao fluxo de trabalho com o objetivo de reduzir o tempo gasto em tarefas operacionais e permitir que os profissionais se concentrem em atividades mais estratégicas.
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Apesar dos benefícios, um relatório recente da empresa Glean, intitulado Work AI Index, aponta que a realidade é mais complexa do que a expectativa inicial. Segundo o estudo, embora os trabalhadores estejam economizando tempo com o uso dessas tecnologias, parte desse ganho acaba sendo utilizada para acompanhar, revisar e corrigir os resultados produzidos pelos sistemas.
De acordo com o levantamento, o uso da inteligência artificial pode ser comparado à contratação de um assistente extremamente veloz, capaz de entregar respostas em segundos, mas que frequentemente precisa de orientações adicionais, correções e revisões. Nesse cenário, o trabalho não desaparece completamente. Ele apenas assume uma nova forma.
Os pesquisadores identificaram esse fenômeno por meio do termo “botsitting”. A expressão é utilizada para descrever o conjunto de atividades relacionadas à supervisão das ferramentas de IA, incluindo a oferta de contexto adicional, a revisão de respostas, a correção de informações equivocadas, a reformulação de comandos e a verificação da confiabilidade dos dados apresentados.
Embora esse esforço nem sempre seja visível, ele faz parte da rotina de muitos usuários. O resultado gerado pela inteligência artificial pode parecer instantâneo para quem observa o processo de fora, mas frequentemente exige múltiplos ajustes antes de ser considerado adequado.
Os números apresentados pelo relatório ajudam a dimensionar esse cenário. Em média, os trabalhadores economizam cerca de 11 horas por semana com o uso de ferramentas de automação. Por outro lado, gastam aproximadamente 6,4 horas semanais supervisionando, corrigindo e ajustando os sistemas.
Segundo os autores do estudo, isso não significa que a inteligência artificial deixou de gerar benefícios. A conclusão é que uma parcela relevante do tempo economizado acaba sendo direcionada para uma nova camada de trabalho que não existia anteriormente.
O relatório também chama atenção para outro desafio associado à adoção da inteligência artificial: a utilização simultânea de diversas ferramentas para executar uma mesma tarefa.
Em muitos ambientes corporativos, profissionais recorrem a diferentes plataformas para funções específicas. Uma aplicação é utilizada para escrever textos, outra para resumir conteúdos, uma terceira para realizar pesquisas e uma quarta para revisar materiais.
Essa alternância constante entre sistemas gera um custo operacional que nem sempre é percebido. A cada mudança de ferramenta, torna-se necessário repetir informações, adaptar instruções, reconstruir contextos e garantir que o novo sistema compreendeu corretamente o objetivo desejado.
De acordo com o estudo, esse processo pode aumentar a complexidade das atividades diárias e reduzir parte dos ganhos prometidos pela automação.
Além disso, os pesquisadores alertam para um comportamento chamado “botshitting”. O termo descreve situações em que usuários passam a confiar excessivamente nos resultados produzidos pela inteligência artificial e deixam de realizar verificações adequadas. Nesses casos, conteúdos aparentemente corretos podem ser entregues contendo erros, informações inventadas ou conclusões questionáveis.
Para os autores do Work AI Index, os melhores resultados são alcançados pelas organizações que não apenas adotam ferramentas de IA, mas também estabelecem processos claros de utilização, critérios de revisão e estratégias eficientes de integração dessas tecnologias ao trabalho cotidiano.
Embora a inteligência artificial continue ampliando a produtividade em diferentes áreas, o estudo conclui que a supervisão humana permanece indispensável. E justamente essa etapa, muitas vezes invisível, pode representar uma das partes mais importantes da transformação tecnológica em curso nos escritórios.
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(Com informações de Gizmodo)
(Foto: Reprodução/Magnific/DC Studio)
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