Textos de IA – O Sinceerly, uma ferramenta baseada em inteligência artificial, propõe “humanizar” textos ao inserir erros deliberados, tentando afastar a aparência de conteúdo automatizado. Com opções como “Subtle”, “Human” e “CEO”, o aplicativo busca eliminar marcas comuns de textos gerados por IA. Criado por Ben Horwitz, o projeto funciona como uma sátira sobre autenticidade na era digital, explorando o lado cômico dessa tecnologia.
Após a popularização de ferramentas que ajudam qualquer pessoa a redigir e-mails com tom corporativo sofisticado, surge agora uma proposta que avança um passo além.
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O Sinceerly — cujo nome faz um trocadilho com “sincerely”, escrito propositalmente de forma incorreta — é uma aplicação que promete transformar mensagens bem elaboradas em algo mais próximo do estilo cotidiano de um colega de trabalho. Para isso, a estratégia é simples: inserir falhas “humanas” no texto.
Para quem utiliza discretamente o ChatGPT e teme que colegas identifiquem aquele padrão típico de escrita automatizada, a saída sugerida é curiosa: recorrer a mais uma IA.
O Sinceerly se apresenta com um discurso sério, posicionando-se como uma ferramenta de credibilidade, confiança e integridade — quase como uma revolução silenciosa na comunicação escrita.
A ideia central é clara: eliminar os traços clássicos de conteúdo gerado por inteligência artificial. O próprio marketing reforça isso com entusiasmo: “Mate o travessão! Chega de ‘não só…’! Coloque alguns erros de digitação!”
A plataforma oferece três modos distintos: “Subtle”, “Human” e “CEO” — categorias que já dizem muito sobre a proposta.
No modo “Subtle”, surgem pequenos deslizes, como erros leves de digitação, mantendo ainda frases organizadas e um tom levemente informal.
No modo “Human”, as falhas ficam mais evidentes, e o texto adota uma linguagem mais direta, próxima da fala cotidiana.
Já o modo “CEO” entrega um estilo mais enxuto, com ausência de maiúsculas no início das frases e um ar de executivo apressado, pouco preocupado com pontuação.
A ideia tem seus pontos positivos: os erros são inseridos com certo cuidado, o estilo “CEO” demonstra personalidade e o conceito chama atenção. Ainda assim, é difícil acreditar que esses textos sejam confundidos com produções genuinamente humanas, especialmente em um momento em que muitos já reconhecem os padrões típicos da escrita por IA.
Além disso, clichês bastante conhecidos — como o formato “não é X, é Y” ou o uso de sequências de palavras quase sinônimas — continuam presentes.
Em entrevista, o criador do Sinceerly, Ben Horwitz, estudante de MBA em Harvard, afirmou que “sim, é uma brincadeira”.
O curioso é que a proposta é apresentada com tanta seriedade que pode enganar à primeira vista. Segundo Horwitz, essa ambiguidade é intencional: provocar reflexão e, ao mesmo tempo, divertir. Algo que se aproxima mais de uma sátira.
Nesse aspecto, o Sinceerly cumpre bem seu papel. Ainda assim, não seria surpreendente ver pessoas adotando a ferramenta de forma genuína. No fim das contas, nada mais coerente do que uma IA ajustando o texto de outra IA para que ele seja consumido por… outra IA. Um ciclo perfeito — ou, dependendo da perspectiva, um loop sem fim.
(Com informações de O Globo)
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