A ferramenta foi identificada por pesquisadores da Broadcom, que apontam o Mistic como um software malicioso criado para garantir acesso remoto e persistente aos sistemas comprometidos - Foto: Reprodução/Magnific/Grizzly Imagery
Malware – Uma nova ameaça cibernética tem chamado a atenção de especialistas em segurança digital por sua capacidade de operar praticamente sem deixar vestígios. Batizado de Mistic, o malware vem sendo utilizado pelo grupo criminoso KongTuke para invadir redes corporativas de empresas dos setores de seguros, educação, tecnologia e serviços profissionais desde abril de 2026.
A ferramenta foi identificada por pesquisadores da Broadcom, que apontam o Mistic como um backdoor, um tipo de software malicioso criado para garantir acesso remoto e persistente aos sistemas comprometidos. O diferencial, porém, está na forma como ele atua: toda a sua operação acontece diretamente na memória do computador, sem criar arquivos no disco rígido, tornando a detecção muito mais difícil.
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O grupo responsável pela campanha também é conhecido pelos nomes 404 TDS, TAG-124 e Woodgnat. Em vez de mirar uma organização específica, os criminosos comprometem o maior número possível de empresas e, posteriormente, negociam esses acessos com terceiros, incluindo grupos especializados em ransomware.
Por funcionar exclusivamente na memória do equipamento, o Mistic evita ser identificado por soluções tradicionais de segurança, que normalmente analisam arquivos armazenados no sistema. Caso seus operadores percebam qualquer indício de descoberta, o próprio malware é capaz de se autodestruir, apagando evidências de sua presença.
Esse comportamento foi desenvolvido para permitir que os invasores mantenham acesso às redes comprometidas durante longos períodos sem levantar suspeitas.
Backdoors funcionam como portas de entrada ocultas instaladas em sistemas comprometidos. Com esse recurso, os invasores conseguem retornar sempre que desejarem, executar comandos remotamente e controlar os dispositivos afetados sem a necessidade de explorar novamente a vulnerabilidade inicial.
No caso do Mistic, além da furtividade, a ferramenta permite enviar e receber arquivos, mover ou excluir documentos, criar diretórios e executar códigos enviados pelos criminosos, tudo sem gravar informações no disco do computador.
O malware também aceita módulos adicionais conhecidos como Beacon Object Files, que ampliam suas funcionalidades conforme os objetivos dos operadores.
Segundo a Broadcom, a principal porta de entrada utilizada pelo KongTuke é uma técnica conhecida como ClickFix. Nela, a vítima acessa um site comprometido, geralmente hospedado em WordPress, e recebe uma mensagem falsa de erro ou de segurança, sendo induzida a copiar e executar um comando manualmente no computador.
Em campanhas anteriores, o grupo utilizava uma extensão maliciosa do Google Chrome disfarçada de bloqueador de anúncios. O complemento travava propositalmente o navegador e exibia uma falsa recomendação para executar um “scan de segurança”, que, na realidade, instalava o malware.
Mais recentemente, os criminosos passaram a utilizar mensagens enviadas pelo Microsoft Teams, fingindo ser integrantes do suporte técnico para convencer funcionários a iniciar o mesmo processo de infecção.
Após a invasão, o Mistic costuma ser instalado juntamente com o ModeloRAT, um trojan de acesso remoto desenvolvido em Python. Em pelo menos um dos casos analisados pela Broadcom, essa combinação de ferramentas foi utilizada em ataques que culminaram na instalação do ransomware Qilin, responsável por criptografar arquivos das vítimas e exigir pagamento para restaurar o acesso aos dados.
De acordo com os pesquisadores, o uso de ferramentas próprias por grupos ligados ao mercado clandestino de venda de acessos tem se tornado cada vez mais frequente. A avaliação é que o Mistic tenha sido desenvolvido pelos próprios corretores de acesso para atender às demandas de afiliados de ransomware, e não diretamente por organizações especializadas em extorsão digital.
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(Foto: Reprodução/Magnific/Grizzly Imagery)
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