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Home office perde força, mas ainda supera nível pré-pandemia no Brasil

O home office perdeu espaço no mercado de trabalho brasileiro nos últimos anos, mas os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o trabalho realizado em casa ainda está acima do patamar registrado antes da pandemia de Covid-19.

Segundo a PNAD Contínua – Características Adicionais do Mercado de Trabalho 2025, divulgada nesta quarta-feira (23), 7,9% dos trabalhadores exerciam suas atividades no próprio domicílio em 2025. O percentual representa uma redução em relação aos 8,4% registrados em 2022, mas permanece superior aos 5,8% observados em 2019.

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A participação do trabalho realizado em estabelecimentos do próprio empreendimento seguiu o caminho inverso. O percentual passou de 57,9% em 2022 para 60,2% em 2025, indicando avanço do trabalho presencial nos últimos anos.

Trabalho em casa ainda supera período anterior à pandemia

A mudança na forma de trabalhar não começou apenas com a Covid-19. Em 2012, 3,6% dos trabalhadores exerciam suas atividades em casa. Em 2019, antes da pandemia, a proporção já havia chegado a 5,8%.

O crescimento anterior à crise sanitária indica que a possibilidade de trabalhar fora de um estabelecimento fixo já vinha ganhando espaço. A digitalização da economia, a expansão dos serviços, das plataformas digitais e do trabalho autônomo contribuíram para essa transformação.

A pandemia, porém, acelerou significativamente esse processo. Como o IBGE não realizou o módulo específico da pesquisa em 2020 e 2021, não é possível identificar com precisão o percentual máximo alcançado pelo trabalho remoto durante o período de isolamento social.

Os dados de 2022, quando 8,4% dos trabalhadores estavam em casa, ajudam a dimensionar a mudança provocada pela crise sanitária.

Onde os trabalhadores brasileiros exercem suas atividades

Em 2025, o local de trabalho dos brasileiros estava distribuído da seguinte forma:

  • 60,2% trabalhavam em estabelecimentos do próprio empreendimento;
  • 13,8% atuavam em locais definidos pelo empregador ou pelo cliente;
  • 8,4% trabalhavam em fazendas, sítios, granjas ou chácaras;
  • 7,9% exerciam as atividades no próprio domicílio;
  • 5% trabalhavam em veículos automotores;
  • 2,1% atuavam em vias ou áreas públicas.

 

Segundo William Araujo Kratochwill, pesquisador do IBGE, a classificação considera o local em que a pessoa trabalha com maior frequência.

Isso significa que trabalhadores submetidos a modelos híbridos podem ser classificados de acordo com o ambiente em que passam a maior parte da semana. Quem trabalha quatro dias em casa e um dia no escritório, por exemplo, pode aparecer na categoria de trabalho no domicílio. A situação inversa também pode ocorrer.

Empresas ampliam presença nos escritórios

Os dados do IBGE acompanham uma tendência de retomada do trabalho presencial identificada em levantamentos sobre o mercado de trabalho.

Uma pesquisa da WeWork em parceria com a Offerwise apontou que 63% dos trabalhadores atuam presencialmente. Desses, 79% afirmaram que a adoção desse modelo ocorre por determinação da empresa, e não por escolha individual.

Também houve redução da participação das vagas totalmente remotas, enquanto oportunidades presenciais e híbridas passaram a representar a maior parcela das ofertas disponíveis no mercado, segundo dados da Gupy.

Levantamento da Robert Half identificou diferenças na frequência presencial de acordo com a área de atuação. Profissionais de construção civil e engenharia trabalham, em média, 4,8 dias por semana presencialmente, enquanto a média no setor de serviços é de 3,3 dias.

Por que as empresas estão retomando o trabalho presencial?

A retomada dos escritórios está associada, segundo gestores ouvidos em pesquisa da Robert Half, a aspectos relacionados à organização das equipes e à dinâmica das empresas.

Os principais motivos apontados foram:

  • 68% citaram o fortalecimento da cultura organizacional;
  • 63% mencionaram melhora da comunicação e da colaboração;
  • 59% apontaram maior integração e supervisão;
  • 50% relacionaram a presença física ao aumento da produtividade.

 

A mudança também recoloca questões importantes para os trabalhadores. O retorno aos escritórios pode representar aumento do tempo gasto no deslocamento, maiores despesas com transporte e redução do período disponível para atividades pessoais.

Pesquisa da WeWork mostra que 65% dos trabalhadores consideram o trajeto até o escritório a principal desvantagem do trabalho presencial. Mais da metade também afirmou ter passado a gastar mais com transporte e deslocamento.

O impacto desse retorno, portanto, não se limita ao espaço físico da empresa. A mudança na rotina pode alterar gastos e o tempo disponível para o trabalhador, além de influenciar decisões relacionadas à moradia.

Retorno ao presencial também afeta decisões sobre moradia

Durante o período de maior expansão do trabalho remoto, a possibilidade de trabalhar à distância permitiu que famílias reconsiderassem onde morar. A busca por imóveis maiores, cidades com menor custo de vida, regiões mais tranquilas e locais próximos de familiares passou a fazer parte das decisões de algumas pessoas.

Com a retomada da exigência de presença nos escritórios, a distância entre casa e trabalho voltou a ter maior peso nessas escolhas.

Dados do Colégio Notarial do Brasil (CNB/SP) mostram que São Paulo registrou recorde de compra e venda de imóveis em 2025, com 90.402 escrituras registradas nos cartórios de notas. O volume foi 49,6% superior ao registrado em 2020.

Ao mesmo tempo, municípios do interior que haviam se beneficiado da expansão do home office apresentaram desaceleração nas transações imobiliárias.

Para o vice-presidente do CNB/SP, Andrey Guimarães Duarte, os dados apontam para uma mudança na dinâmica imobiliária.

“Se fosse simplesmente uma volta ao padrão pré-pandemia, esperaríamos que a capital recuperasse o que perdeu e os destinos do home office retornassem aos níveis anteriores. Não foi exatamente isso que aconteceu”, afirmou.

Sudeste concentra maior proporção de trabalho em casa

Mesmo com a redução observada desde 2022, o trabalho realizado no domicílio continua mais presente em algumas regiões do país.

O Sudeste apresenta a maior participação de trabalhadores que atuam em casa, com 8,2%.

Segundo Kratochwill, a concentração de empresas e atividades com maior possibilidade de execução remota em determinados estados ajuda a explicar esse resultado.

“São Paulo e Rio de Janeiro têm muitas empresas em que o trabalho remoto pode ter uma influência importante devido ao volume de trabalhadores”, explicou.

O fim do home office afetou sua vida? Queremos te ouvir!

Diante das mudanças na rotina provocadas pela retomada do trabalho presencial, a Fenati (Federação Nacional dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação) quer conhecer os impactos dessa transformação entre os profissionais de tecnologia da informação.

A federação abriu um formulário para que trabalhadores compartilhem experiências sobre aumento do tempo de deslocamento, gastos com transporte e alimentação, perda de flexibilidade e mudanças na vida pessoal.

As respostas ajudarão a entidade a entender como a redução do home office está afetando a categoria. Basta preencher nosso formulário clicando aqui que entraremos em contato.

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(Com informações de g1)

(Foto: Reprodução/Magnific)

Pedro Carneiro

Publicado por
Pedro Carneiro
Tags: sindical

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