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IA – Pesquisadores do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, conquistaram destaque internacional ao receber o prêmio de melhor trabalho acadêmico no Latin American Symposium on Digital Government (LASDiGov). O evento reúne especialistas de toda a região para discutir como a tecnologia pode aprimorar a gestão pública, e a solução brasileira chamou atenção justamente por unir inovação, segurança e eficiência.
A equipe apresentou o LLM4Gov, um modelo de linguagem de grande porte (LLM) desenvolvido para uso em órgãos governamentais. A proposta é permitir a análise de documentos sigilosos, como processos jurídicos, sem a necessidade de transferir informações para servidores externos. Dessa forma, a tecnologia assegura que os dados permaneçam sob controle das próprias instituições, reforçando a soberania digital do país.
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Um dos principais diferenciais do LLM4Gov é sua capacidade de operar em máquinas comuns, dispensando equipamentos de alto desempenho. Isso foi possível por meio da técnica teacher-student, em que um modelo maior e mais complexo treina um modelo menor, e do método de destilação, que elimina informações redundantes. O resultado é uma inteligência artificial mais compacta, de código aberto e de baixo consumo de recursos computacionais — algo fundamental para viabilizar sua adoção em larga escala no setor público.
O projeto integra a iniciativa Agents4Gov, financiada pela Fapesp, que busca criar soluções de inteligência artificial sob medida para a realidade dos órgãos públicos brasileiros. Além de garantir eficiência, a proposta também busca atender exigências legais, respeitando normas como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e o regulamento europeu GDPR, que servem como referência em privacidade e transparência digital.
Assinam o trabalho os pesquisadores Ricardo Marcacini, Jorge Carlos Valverde-Rebaza, Brucce Neves Santos e Solange Rezende (USP), Marcelo A. S. Turine (UFMS) e Silvio Levcovitz (Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional). A tecnologia já conta com parcerias em andamento com a PGFN e a Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul, além de colaborações com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e a Capes.
Mais do que um reconhecimento acadêmico, o prêmio mostra como a pesquisa nacional pode oferecer alternativas estratégicas para governos que desejam adotar a inteligência artificial sem abrir mão da privacidade, da autonomia tecnológica e do uso responsável da inovação.
(Com informações de Convergência Digital)
(Foto: Reprodução/Freepik)
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