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Investimentos em IA não aquecem economia como esperado

Investimentos em IA não aquecem economia como esperado

Especialistas afirmam que efeito macroeconômico da inteligência artificial ainda é praticamente imperceptível

Investimentos em IA – A inteligência artificial se consolidou como um dos principais argumentos sobre o futuro da economia dos Estados Unidos. Instituições financeiras, executivos e lideranças empresariais passaram a associar o avanço da tecnologia a um novo ciclo de crescimento, impulsionado por aportes bilionários em infraestrutura, semicondutores e centros de dados. A leitura predominante nesse grupo é de que a IA já estaria ajudando a sustentar o dinamismo econômico em meio às incertezas globais.

No campo político, o tema também ganhou centralidade. O presidente Donald Trump defendeu a redução de regulações estaduais sobre o setor e afirmou, em publicação na Truth Social: “O investimento em IA está ajudando a tornar a economia dos EUA a mais aquecida do mundo, mas a regulação excessiva dos estados ameaça minar esse motor de crescimento”.

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Apesar do discurso otimista, análises recentes do mercado financeiro indicam que o impacto direto desses investimentos sobre o Produto Interno Bruto (PIB) ainda é limitado. Avaliações internas de um grande banco americano descrevem a contribuição como “basicamente zero”.

“Na verdade, não consideramos o investimento em IA como um fator fortemente positivo para o crescimento”, disse o economista-chefe do Goldman Sachs, Jan Hatzius, em entrevista ao Atlantic Council.

“Acho que há muita informação distorcida sobre o impacto que o investimento em IA teve no crescimento do PIB dos EUA em 2025, e esse impacto é muito menor do que se costuma perceber”.

Revisão de expectativas

Ao longo do primeiro semestre de 2025, parte dos economistas sustentava que equipamentos e softwares ligados ao processamento de informação já estariam influenciando as estatísticas de crescimento. O professor de Harvard Jason Furman destacou em seu perfil no X que esses itens representaram parcela relevante da expansão econômica no período.

Análises do Federal Reserve Bank of St. Louis também sugeriram que investimentos associados à IA tiveram peso no crescimento do terceiro trimestre.
Nos últimos meses, porém, essa interpretação passou a ser revista. Para Joseph Briggs, do Goldman Sachs, o entusiasmo inicial pode ter simplificado a análise. “Era uma história muito intuitiva. Isso talvez tenha evitado ou limitado a necessidade de investigar mais a fundo o que estava acontecendo”, afirmou.
Hatzius foi ainda mais direto ao classificar o efeito da IA sobre o PIB americano em 2025 como “basicamente nulo”.

Impacto fora das fronteiras

Um dos fatores apontados pelos analistas é que parte significativa dos equipamentos que sustentam a infraestrutura de IA — especialmente chips avançados — é importada. Assim, embora os investimentos ocorram nos Estados Unidos, uma fatia relevante do valor agregado é contabilizada em economias como Taiwan e Coreia do Sul.

Além disso, economistas destacam a dificuldade de medir como o uso da inteligência artificial por empresas e consumidores se traduz em ganhos efetivos de produtividade. A ausência de métricas consolidadas torna o impacto difuso nas estatísticas tradicionais.

O contraste entre o volume de recursos investidos e os resultados observados nas contas nacionais indica que a tecnologia pode ter potencial transformador no longo prazo. No curto prazo, porém, seus efeitos macroeconômicos permanecem discretos — distantes da promessa de um impulso imediato e robusto ao crescimento econômico.

(Com informações de Tecnoblog)
(Foto: Reprodução/Freepik/Imagem gerada por IA)

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